F1: próximos GPs podem responder se Mercedes manterá domínio

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GP de Melbourne de F1 (2) GP de Melbourne de F1 (2)

Olá, amigos. 

Não são poucos os que aguardam até com alguma ansiedade a próxima etapa do campeonato, quarta do calendário, de 26 a 28 deste mês, nas ruas de Baku, no Azerbaijão. Isso porque com a terceira dobradinha nas três primeiras provas do ano a Mercedes ameaça impor hegemonia semelhante à de 2014, primeira temporada da era da tecnologia híbrida, quando seus pilotos fizeram primeiro e segundo em 11 GPs. 

Domingo, Lewis Hamilton ganhou o GP da China com o seu companheiro de Mercedes, Valtteri Bottas, em segundo. Duas semanas antes, no Barein, o resultado foi o mesmo. E na abertura do mundial, dia 17 de março em Melbourne, Austrália, Bottas recebeu a bandeirada em primeiro com Hamilton em segundo. 

O interesse pelo próximo GP é grande em razão de ele poder nos dar a diretriz de como será a fase seguinte do campeonato, ou seja, se a Mercedes vai continuar dominando a temporada ou poderemos assistir à disputa pelas pole positions e vitórias com outros times, em especial a Ferrari e, quem sabe, a Red Bull-Honda. 

A Mercedes conquistou os cinco últimos títulos de pilotos, quatro com Hamilton e um com Nico Rosberg, e os cinco de construtores. Desde que os motores V-8 aspirados foram substituídos pelas unidades motrizes híbridas, em 2014, a escuderia alemã está invicta. 

Nesses cinco anos a F1 realizou 103 corridas. A Mercedes venceu 77, ou nada menos de 74,75%. As demais equipes tiveram de dividir as 26 restantes. A Ferrari ficou com 14 e a Red Bull com as demais 12. É para mudar um pouco esse estado de coisas, que enaltecem os muitos predicados da Mercedes, mas reduzem o interesse pela F1, que milhões de fãs do evento torcem para que nas ruas de Baku Ferrari e Red Bull se imponham na competição.

Em todo esporte, a hegemonia de um competidor age contra os seus próprios interesses.  No caso da Mercedes, a substituição de Nico Rosberg por Bottas, a partir de 2017, ajudou a aumentar o problema de vermos com elevada frequência um único piloto celebrar as conquistas, o brilhante Hamilton. O inglês de 34 anos, cinco vezes campeão do mundo, tem todos os méritos nesse sucesso.

Há muito dele nestes números absolutamente impressionantes: 75 vitórias, 137 pódios e 84 pole positions, nos 232 GPs que disputou até o de Xangai, domingo. Mas quando seu companheiro era Rosberg, a luta pelas vitórias era mais igual, ao menos havia mais resistência do que com Bottas.

Em 2016, Rosberg ganhou a batalha com Hamilton e tornou-se campeão do mundo. Até agora Bottas não demonstrou velocidade, constância e talento para vencer um piloto espetacular como Hamilton com o mesmo carro. 

A maior virtude da Mercedes é conceber um conjunto chassi-unidade motriz capaz de responder sempre com elevado grau de eficiência, não importa a natureza da pista, se de baixa, média ou alta velocidade, do asfalto, liso ou abrasivo, ou se faz calor ou frio. Seus pilotos sempre tiveram e têm à disposição um carro rápido, equilibrado e confiável.

Altos e baixos

Esse não é o caso da Ferrari, por exemplo. O modelo deste ano, SF90, demonstrou nos testes do Circuito da Catalunha, em Barcelona, desempenho até melhor que o da Mercedes.

Mas a F1 foi para a Austrália e enquanto Bottas e Hamilton estabeleciam a primeira dobradinha do ano, Vettel, terceiro colocado, chegava um minuto depois.  No Barein, o Circuito de Sakhir pareceu perfeito para a Ferrari. Seu jovem piloto Charles Leclerc só não venceu por causa de uma pane elétrica no fim. E domingo, na China, a Ferrari não tinha velocidade para acompanhar o ritmo de Hamilton e Bottas. 

Repare que o modelo SF90 da Ferrari mostra performance notável como no Circuito de Sakhir, no Barein, mas logo em seguida apresenta desempenho muito aquém do exibido pelo constante modelo W10 da Mercedes, a exemplo deste domingo em Xangai. Vettel, terceiro, cruzou a linha de chegada 13 segundos depois de Hamilton. 

Se não for no Azerbaijão que a Mercedes passará a enfrentar adversários mais bem preparados para lutar pelas vitórias, haverá outra chance, ainda maior, a partir do GP seguinte, o da Espanha, dia 12 de maio, o primeiro da fase europeia do calendário.

Tradicionalmente muitas equipes levam para Barcelona uma versão bastante modificada de seus carros, com os novos componentes projetados tendo como base os ensinamentos obtidos nas provas anteriores.

É bom lembrar que este ano estamos diante de um regulamento novo, houve importante modificação nas regras aerodinâmicas, o que significa que o nível de aprendizado nas primeiras etapas foi maior. Por enquanto, não dá para afirmar que a temporada será de novo dominada pela Mercedes, como as cinco últimas, temos apenas indicações de que poderá ser assim.

Agora, se a partir do GP da Espanha, quando Ferrari e Red Bull vão ter um carro bastante modificado, a Mercedes continuar oferecendo a Hamilton e Bottas um carro essencialmente vencedor, então será difícil a concorrência reverter a tendência já em curso de mais um campeonato de hegemonia Mercedes. 

Que a Mercedes até possa vencer o mundial, nada mais justo, mas que ao menos a definição do título se estenda até a 21ª e última etapa do campeonato, dia 1º de dezembro, no Circuito Yas Marina, em Abu Dhabi. Para resumir nossa conversa: olho nos próximos dois GPs! Abraços.