Sette Câmara na F2: “Agora vamos ao que interessa, o campeonato!”

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Sergio Sette testa carro da DAMS (2) Sergio Sette testa carro da DAMS (2)

Depois de a F1 ter já dado a largada para a histórica 70ª temporada da sua história, dia 17 em Melbourne, na Austrália, no fim de semana será a vez de a competição que mais bem forma e fornece pilotos para a F1 iniciar seu campeonato, a F2. As duas se apresentam juntas no Circuito de Sakhir, no Barein.

O Brasil tem como representante o mineiro Sérgio Sette Câmara, 20 anos, patrocinado pela Youse. Correrá pela equipe francesa DAMS. Em 2018, Sérgio disputou o campeonato pela inglesa Carlin e ficou em sexto, tendo obtido oito pódios e uma pole position.

Nos testes da pré-temporada, realizados em Jerez de la Frontera e Barcelona, Espanha, Sérgio esteve dentre os mais velozes quando ele e os engenheiros da DAMS decidiram colocar pneus macios no seu Dallara-Mecachrome para simular uma sessão de classificação. A Pirelli distribuiu para os três dias de treinos em cada pista seis pneus médios e dois macios.

Os treinamentos evidenciaram que o campeonato deverá ser bastante disputado. O experiente holandês Nyck de Vries, 24 anos, da escuderia campeã em 2018, a francesa ART, o alemão Mick Schumacher, 19, filho de Michael Schumacher, da italiana Prema, o italiano Luca Ghiotto, 23, da inglesa UNI-Virtuosi, o suíço Louis Deletraz, 21, da Carlin, estão dentre os prováveis candidatos, junto de Sérgio, a lutar por pole positions, vitórias e o campeonato.

Serão 12 etapas, sempre com duas corridas cada, uma no sábado e outra no domingo, todas junto da F1. A 12ª e última está programada para os dias 30 de novembro e 1º de dezembro, no Circuito Yas Marina, em Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos.

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A F2 está em alta. Este ano, por exemplo, os três primeiros classificados no campeonato de 2018 já disputaram o GP da Austrália, primeira prova da F1, são titulares da competição. George Russell, inglês, 21 anos, o campeão, é piloto da Williams. Lando Norris, também inglês, 19 anos, vice, da McLaren. E Alexander Albon, 23, tailandês, terceiro, agora na Toro Rosso.

Em outras conversas com a Youse, Sérgio deixou claro que, obviamente, sua meta é o título da F2 este ano, mas que terminar dentre os três primeiros é uma opção também, pois a FIA distribui 40 pontos para os três, o que lhes garante a superlicença para candidatarem-se a titulares na F1.

Pouco antes de viajar de Barcelona para Manama, a capital do Barein, pequeno país árabe instalado em uma ilha no Golfo Persa, Sérgio deu o depoimento abaixo exclusivo para a Youse:

Sérgio Sette Câmara fala sobre início da temporada

Olá amigos!

Dizem que piloto de F1 trabalha muito. Olha, eu ainda nem cheguei lá, mas é para isso que estou aqui, me dedicando muito para disputar uma grande temporada na F2 e poder ser contratado por um time da F1 em 2020.

Mas como este ano eu já trabalho como piloto de testes de F1 no simulador da McLaren, uma hora estou com minha equipe da F2, nos treinos coletivos ou na sua sede, próxima do circuito de Le Mans, na França, outra no da McLaren em Woking, ao sul de Londres, onde a equipe até já providenciou ainda no começo do ano um flat para mim.

Insira nessa agenda, por favor, o extenso treinamento físico que realizo quase diariamente e você entenderá melhor o que estou dizendo: não sobra tempo para nada.

Mas quer saber de uma coisa? Estou adorando ter uma agenda tão plena como a minha, é um aprendizado diário, todo dia ganho conhecimento. A experiência de estar dentro de um time da F1 é extraordinária. Eles dedicam atenção a tantos detalhes que só mesmo quem vive esse mundo entende o que é. Nada passa ao acaso. É impressionante. Se existe uma chance de você ganhar alguns milésimos de segundo tentando algo, pode acreditar que vai entrar no programa de testes, seja no simulador ou até mesmo no acerto do carro nos treinos livres dos GPs.

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Bem, vamos lá. No próximo fim de semana o meu maior desafio, a F2, tem começo, em uma pista que eu gosto muito, a de Sakhir, no meio do deserto. Depois dos três dias de treinos em Jerez e dos três em Barcelona, nos reunimos na DAMS, mais de uma vez, para discutir o que fizemos, entender o funcionamento do carro nas mais diversas situações que enfrentamos na F2, analisar os nossos resultados.

Entendemos, bem, as razões que nos fizeram ser muito rápidos em condição de corrida, mas um pouco menos nas simulações de classificação. Não que estejamos lentos, mas ao menos nos treinos vimos que o Nyck de Vries tem um carro com um pouco mais velocidade que o nosso.

Mas estudamos recentemente o que podemos fazer para sermos mais rápido nas definições do grid. E tenha a certeza de quem viu o nosso ritmo nas simulações de corrida da mesma forma está tentando descobrir os nossos segredos.

Isso que acabei de explicar pode gerar alguma diferença no que vimos nos testes que realizamos no Circuito da Catalunha, próximo de onde resido, em Barcelona. Todos nós aprendemos muito naqueles três dias, em especial porque não estava muito frio. Os ensinamentos desses testes nos estão orientando agora sobre como acertar o carro para o Circuito de Sakhir.

Pode ser que alguma equipe acerte em cheio e, de repente, disponibilize a seus pilotos um carro mais rápido que as demais na primeira corrida. Já vi isso acontecer na minha carreira. Apesar de não passarmos por um inverno rigoroso na Catalunha, a diferença de temperatura para a pista do fim de semana, agora, é brutal. E sabemos quanto os pneus, mesmo o carro, é sensível a essas diferenças de temperatura.

De qualquer forma, como já escrevi aqui, a DAMS é um dos times que mais estuda tudo, é muito bom trabalhar com eles em especial o meu engenheiro, Damien Augier, por isso começo os treinos livres na sexta-feira bastante confiante em um bom início de campeonato. Já na sexta-feira disputamos também a definição do grid. Obrigado pela atenção nesse período de treinamento. Vamos juntos, agora, para aquilo que me preparei, penso, muito bem, com a ajuda de profissionais capazes e experientes. Nos falamos, novamente, agora, lá do Circuito de Sakhir. Abraços!