Acidente provocado por italiano compromete fim de semana de Sérgio Sette Câmara em Baku

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Sergio Sette em Baku pela f2 2019 Sergio Sette em Baku pela f2 2019

A segunda etapa do Campeonato da F2, disputada neste fim de semana em Baku, no Azerbaijão, reuniu os tradicionais ingredientes das corridas nesse que é o circuito de rua mais veloz e desafiador do calendário: acidentes, felizmente sem consequências, incidentes, safety cars e, claro, resultados inesperados.

Na corrida do sábado, com três entradas do safety car, o inglês Jack Aitken, da equipe Campos, venceu pela primeira vez na F2, depois de largar em oitavo, seguido pelo holandês Nyck De Vries, da ART, e do britânico Jordan King, da MP Motorsport. O canadense Nicholas Latifi, da DAMS, ficou em quarto.

O mineiro Sérgio Sette Câmara, patrocinado pela Youse, companheiro de Latifi na DAMS, ocupava a quarta colocação na 21ª volta, a cinco da bandeirada, quando, sob regime de safety car, o italiano Luca Ghiotto, da UNI-Virtuoso, cometeu erro primário ao bater na traseira do Dallara-Mecachrome do brasileiro. O choque o lançou na direção do muro, levando-o a abandonar a prova.

Punição branda

Os comissários desportivos puniram Ghiotto com o acréscimo de cinco segundos ao seu tempo de prova, o que o fez cair do sexto para o nono lugar. O curioso no caso de Ghiotto é que na edição do GP do Azerbaijão de F2 do ano passado, no domingo, ele bateu sozinho no muro também quando o safety car estava na pista.

Pelo critério do grid invertido dentre os oito primeiros colocados na corrida do sábado, o russo Nikita Mazepin, da ART, largou no domingo em primeiro, com o americano Juan Manuel Correa, da Sauber Júnior, em segundo. O vencedor no sábado, Aitken, saiu da oitava colocação.

Na segunda corrida, Sérgio era o 14º no grid, por causa do abandono no sábado, e Mick Schumacher, filho de Michael Schumacher, da Prema, que também não terminou a primeira prova, em 19º. Latifi, quarto no sábado, largou em quinto.

Como regra em Baku, o competição do domingo não decepcionou. Foram três safety cars também. No fim das 19 voltas, Latifi e a DAMS responderam com maior eficiências às muitas mudanças de condições da disputa e recebeu a bandeirada em primeiro. Correa foi segundo e o vencedor do sábado, Aitken, terceiro.

Apesar da 14ª colocação no grid, Sérgio obteve bom sexto lugar. Mick Schumacher conseguiu algo ainda melhor, quinto, pois como mencionado largou em 19º.

Com os resultados no GP do Azerbaijão, Latifi assumiu a liderança do campeonato, com 62 pontos, pois venceu a primeira corrida na etapa de abertura, no Barein, dia 30 de março, e foi terceiro na segunda. Em Baku, ficou em quarto e conquistou nova vitória neste domingo.

A grande experiência de Latifi, já piloto de testes da Williams, com três temporadas na F2, todas na mesma DAMS, lhe está sendo muito útil este ano. E obviamente ele cresceu bastante como piloto.

Em segundo na classificação está Aitken, com 43 pontos, seguido por Ghiotto, 39, De Vries, 38, e Sérgio, em quinto, com 33.

A terceira etapa da F2 será disputada no Circuito da Catalunha, em Barcelona, entre os dias 10 e 12 de maio.

É duro de engolir

Sérgio deu neste domingo o depoimento abaixo exclusivo para a Youse:

Olá amigos.

Escrevo ainda de Baku, do paddock desta pista que adoro. Mas saio daqui frustrado com o resultado do fim de semana. Não atingi a meta de dois pódios nas duas corridas do GP.

E o pior dessa história é que eu não tive responsabilidade alguma nos acontecimentos que me deram somente 4 pontos do sexto lugar na corrida de hoje (domingo) e os 2 pontos por ter estabelecido a melhor volta hoje, o que atesta que poderia ter conquistado bem mais pontos aqui no Azerbaijão.

Os resultados do meu companheiro, o Nicholas, também atestam que eu poderia ter me dado bem melhor. Explico:

No sábado, eu controlava a corrida, sem me expor a maiores riscos, pois estava muito fácil errar e não somar ponto algum. Faltavam umas cinco voltas para o fim. O safety car estava na pista. Fui avisado pelo rádio que o safety car entraria nos boxes naquela volta.

Como todos, eu aquecia os pneus, sempre atento ao piloto na minha frente, para evitar tocá-lo. Mas o Luca Ghiotto não tinha tanta preocupação assim. De repente, senti um baita impacto na traseira do meu carro. Tão forte que o jogou para a frente. Como eu tinha o muro próximo, acabei batendo. Não havia o que fazer.

Dois pódios perdidos

Fiquei realmente irritado, pois tinha velocidade para ultrapassar o piloto à minha frente, creio que o meu ex-companheiro na Motorsport, o King, e chegar no pódio, como vocês sabem o meu objetivo este ano. Isso me daria importantes 15 pontos e a chance de largar, no domingo, em sexto. Posição potencialmente capaz de me permitir outro pódio no domingo.

Mas aí um erro do Luca jogou pela janela o meu trabalho e de um grande número de profissionais, que por vários dias estudaram como obter o máximo de pontos em Baku. Não estou aqui para julgar nada, mas fico pensando se acrescentar cinco segundos ao tempo de prova é uma punição compatível com o estrago realizado no planejamento e trabalho de um adversário.

Na minha visão, as consequências para mim, meus patrocinadores e todos nós da DAMS foram muito, mas muito maiores dos cinco segundos de punição ao Luca.

Luca é um piloto limpo, não joga sujo. Este é o meu terceiro ano na F2 e o quarto dele, nos conhecemos. Mas se você comete um erro, comprometendo o trabalho dos outros, tem de ser, de fato, punido.

Os danos para mim só não foram ainda maiores porque nesta pista há como ultrapassar. Mesmo largando em 14º, consegui avançar até o sexto lugar. Imagine se eu tivesse sido terceiro no sábado, como é bastante razoável supor, e neste domingo largado em sexto, não é nenhum otimismo exagerado dizer que poderia ter sido segundo.

O Nicholas largou em quinto e venceu. É bem aceitável a ideia de que eu sairia da quinta posição no grid para a segunda. Nosso carro estava rápido, não como no Barein, mas ainda assim era um carro vencedor, como o Nicholas demonstrou neste domingo.

Se as coisas tivessem seguido seu rumo normal, o Luca não tivesse me tirado da corrida, no sábado, eu provavelmente teria somado 15 pontos do terceiro lugar e, com boas chances também, os 12 pontos do segundo lugar neste domingo. Não vou entrar no mérito da volta mais rápida.

Assim, em vez de somar somente 6 pontos, sendo 4 do sexto lugar e 2 da melhor volta, hoje, eu teria levado para casa os mesmos 27 pontos do Barein. Eu teria, no total, 54 pontos e não 33, ou seja, seria vice-líder do campeonato, não o quinto.

Ok, sei que automobilismo é isso. Há ocasiões em que você não obtém os resultados possíveis por conta de erros seus, já que estamos sempre no limite, ou de seus adversários, como no meu caso em Baku. Estes são os mais difíceis de aceitar.

Vamos agora para Barcelona, a minha corrida de casa, pois não resido longe do Circuito da Catalunha. Fomos muito bem nos testes que realizamos lá no mês passado. Tenho motivos para estar confiante. Vimos que nosso carro segue sendo um dos melhores e conheço bem a pista.

Quanto ao Nicholas, já havia escrito aqui, depois dos testes da pré-temporada, que ele seria sério candidato a lutar pelo título. Mas a disputa, amigos, está longe de ter acabado. Pode acreditar. Abraços.