Após dois pódios, Sette Câmara fala sobre segunda etapa da temporada de F2 2019

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Sergio Sette na segunda etapa da F2 2019 Sergio Sette na segunda etapa da F2 2019

Piloto da equipe francesa DAMS e patrocinado pela Youse, Sérgio conquistou na etapa de abertura da temporada, no Circuito de Sakhir, no Barein, de 28 a 30 de março, dois pódios. Foi terceiro na primeira corrida, no sábado, e segundo colocado na segunda, no domingo. Somou nas duas provas 27 pontos.

O companheiro de Sérgio na DAMS, o canadense Nicholas Latifi, 23 anos, no quarto ano nesta F2 2019 e no mesmo time, venceu a corrida do sábado e recebeu a bandeirada em terceiro no domingo, assumindo o segundo lugar na classificação, com 35 pontos.

O líder da F2 2019 é o italiano Luca Ghiotto, 24 anos, também no quarto ano na competição. Ele corre pela inglesa UNI Virtuosi. Terminou em segundo a primeira corrida e venceu a segunda. Soma 37 pontos.

A pista de Baku não é permanente como a do Circuito de Sakhir e tem a maior trecho de aceleração plena, com dois mil metros de extensão. É também o segundo maior traçado do calendário, com 6.003 metros, só perde para o de Spa-Francorchamps, na Bélgica, com 7.004 metros.

No ano passado, no Azerbaijão, Sérgio recebeu a bandeirada em quarto no sábado e terminou em segundo, no domingo. Mas o forte vento frontal na longa reta elevou o consumo de combustível, em especial no seu caso, por ter liderado a maior parte da corrida. 

Isso fez com que não restasse um litro no tanque após o fim da prova, levando os comissários a desclassificá-lo. Ghiotto bateu no sábado e foi 14º no domingo. Latifi ficou em quinto e terceiro.

Sette se prepara para as curvas de Baku

Neste depoimento exclusivo para a Youse, Sérgio fala da sua preparação para a segunda etapa da F2 2019, em Baku.

Olá, amigos.

Faz algum tempo que não nos encontramos neste nosso espaço, não é verdade? Na F2 2019, nós corremos sempre nos mesmos fins de semana da F1. São 12 etapas, 24 corridas. Estivemos juntos na abertura do nosso campeonato, no Barein, mas não fomos a China com a F1.

Mas se você pensa que tive algum tempo livre nas últimas semanas… não tive não. Mas foi ótimo, este mês tem sido de grandes aprendizados. 

Depois do GP do Barein viajei para o Brasil, para os meus compromissos profissionais, também com a Youse. Passei por Belo Horizonte, 24 horas, apenas, para ver a família, e em seguida voei para Londres. Lá, de carro, fui a Woking, no sul da cidade, na sede da McLaren.

Precisava acompanhar de perto o trabalho realizado pelo espanhol Roberto Merhi no simulador enquanto a equipe de F1 da McLaren disputava o GP da China, em Xangai. Como na maioria dos fins de semana de GP de F1 eu vou estar envolvido na disputa da F2 2019, a McLaren tem outro piloto para trabalhar no simulador nesses dias.

Eles me chamaram para acompanhar o seu trabalho e participar das reuniões. Trocamos o dia pela noite por conta da diferença de fuso horário entre a Inglaterra e a China. Cansativo, mas muito legal, proveitoso. 

Um time vai às corridas de F1 e outro permanece na incrível sede de Woking trabalhando ao mesmo tempo. Procuramos oferecer a quem está no autódromo informações, obtidas nas simulações, potencialmente muito úteis para eles ajustarem melhor o carro.

Depois de permanecer alguns dias na Inglaterra, voei para casa, perto de Barcelona. Mas de novo por bem pouco tempo, pois já no dia seguinte fui para Paris e, de carro, segui para Le Mans – duas horas – onde está a sede da minha equipe de F2, a DAMS.

Fizemos o trabalho de preparação para a etapa de Baku, com o meu ótimo engenheiro Damien Augier. A DAMS tem também um simulador muito bom. Eu e o Nicholas, meu companheiro, treinamos horas e horas no simulador, com ele ajustado para os 6.003 metros do traçado de Baku.

Depois de três dias em Le Mans, dirigi até Paris e voei para Amsterdã, na Holanda. Já contei aqui que costumo trabalhar em um simulador que existe em uma empresa especializada lá. Após um dia inteiro na máquina, voltei finalmente para casa. Mas não fiquei muitos dias, pois estava quase na hora de embarcar para o Azerbaijão.

Gosto demais da pista de Baku, com suas freadas fortes, curvas de todos os tipos, realmente desafiador. O trecho do castelo é muito legal, apertado, passa um carro apenas de cada vez! 

As corridas costumam ser emocionantes, com os pilotos alternando a classificação com frequência por causa dos dois quilômetros de reta. Dá muito vácuo. No ano passado quase venci. Está dentre os meus eventos favoritos do campeonato. 

Se vocês acompanharam a etapa de Barein, este ano, viram que eu e o Nicholas dispúnhamos de um carro rápido e equilibrado. Os dois chegaram no pódio nas duas corridas. Mas atenção, o Circuito de Sakhir não tem nada a ver com o de Baku.

O do Azerbaijão tem bem pouca aderência e seu histórico não é de temperaturas elevadas. O de Sakhir tem boa aderência e é sempre muito quente. Enquanto no Barein adotamos uma elevada carga aerodinâmica no carro, em Baku, para sermos rápido nas longas retas precisamos de pouca carga aerodinâmica. Isso condiciona reações bem distintas no carro.

Essa nova realidade define um cenário bem diferente daquele de Barein e, portanto, aquela ordem de forças pode não ser referência para o próximo fim de semana. Espero que nós possamos seguir lutando lá na frente. 

Na preparação na sede da DAMS procuramos simular as condições de Baku. Não é exatamente a mesma coisa de vivenciar o fim de semana de competição, mas é uma ajuda útil. Agora o que temos de fazer é reagir com perfeição àquilo que enfrentaremos no circuito de Baku, como fizemos no Barein.

No nosso próximo encontro, conto em detalhes como foi a minha participação no GP do Azerbaijão. Abraços.