Bem vindo ao blog! Vamos compartilhar os ensinamentos, as emoções de viajar pelo mundo?

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Olá amigos.

No ano passado produzi uma série de reportagens para o site da Youse sobre os mais distintos temas relativos ao automobilismo. A Youse é o principal patrocinador do piloto mineiro Sérgio Sette Câmara. Este ano, aos 20 anos, ele disputará a F2, último estágio antes de estrear na F1. Já em 2018 Sérgio competiu com sucesso na F2 apoiado pela Youse, com nove pódios e uma pole position.

Se este ano Sérgio obtiver os resultados possíveis, por conta do seu talento, da sua experiência e da capacidade da equipe, a francesa DAMS, as chances de o Brasil voltar a ter representante, e dos capazes, na F1, em 2020, serão grandes.

Esse é o link, a ponte entre a Youse e o automobilismo. Sem mencionar que um dos principais produtos da empresa é o seguro de autos.

Este ano vamos tornar nossa relação mais próxima. Para começar estou me dirigindo a vocês em primeira pessoa. Isso se explica por essencialmente estarmos em um blog. É uma receita que permite repassar maiores emoções, de um lado e do outro, para quem escreve e quem lê.

O atual modelo gráfico do blog é temporário. Em março um novo projeto vai entrar no ar, com mais recursos. E sabe o que irá acontecer? Poderemos interagir. Você conta suas experiências, expõe sua visão daquilo que apresentamos aqui e trocamos ideias. Sempre respeitosamente. Essa troca nos permitirá crescer juntos.

O legal é que não falaremos apenas do complexo universo das corridas de automóvel, como em 2018. A F2 do Sérgio realiza suas provas no mesmo fim de semana dos da F1, nos mesmos autódromos. E onde são disputados esses eventos? No Oriente Médio, Barein; na Ásia, Azerbaijão e Rússia, por exemplo; na Europa, Espanha, Mônaco, Inglaterra, Itália, dentre outros; e nas Américas, Brasil, México e Estados Unidos.

Pelo mundo, lado a lado

Na seção Diário de Bordo você vai compartilhar as sensações que tenho nos aeroportos do mundo, às vezes durante as viagens de avião, carro, depois nos hotéis e contato com os mais particulares seres humanos que você pode imaginar, diante de tamanha diferença de culturas ainda existentes, felizmente, apesar da tendência de padronização promovida pela impressionante mudança estrutural na forma com que nos comunicamos.

Me arrisco a dizer que a internet e as mídias sociais têm para a história da evolução humana efeito semelhante ao do advento da agricultura, há dez mil anos. O homem deixou de ser caçador-colhedor para ter uma vida sedentária, esperar a colheita e poder armazenar o excedente. Disso veio impressionante crescimento das relações sociais.

VEJA+: Como é a preparação física de um piloto de competição?

A disponibilidade de um mundo para cada portador do celular propiciou a interação à distância entre os seres humanos. Não precisamos mais permanecer um ao lado do outro. O longe se tornou próximo. E, claro, outra revolução está em curso.

Há porém uma diferença entre um e outro episódio da nossa evolução, entre a “descoberta” da agricultura e a criação da internet: esta se opõe a alguns comportamentos movidos por manifestação genética, como o uso da fala. A seleção natural a pinçou por ser algo muito benéfico à perpetuação da espécie.

A natureza precisou de milhões de anos para selecionar esse extraordinário instrumento evolutivo, único do ser humano, mas que emite sinais de, hoje, vivenciar estágio involutivo. Ou no mínimo sendo também revisto pelo pacote de transformação radical por que passa o seu modus vivendi.

Mosaico de culturas

Neste primeiro nosso encontro do blog meu objetivo é me debruçar sobre o mosaico de culturas da humanidade. O que é conviver com pessoas que nasceram em uma região de geografia distinta da maioria dos brasileiros, cresceram em outro contexto histórico e riem de coisas que poderiam deixar outros tristes. Mais: fazem a festa sob temas que criariam desconfortos em muitas nações.

Essa pluralidade de valores percebida pela minha atividade profissional itinerante pelo mundo é que, não hesito em afirmar, torna o ser humano uma entidade rica.

VEJA+: Fórmula 1, Fórmula 2 e Fórmula 3: quais as diferenças?

Viajar na velocidade que fazemos exige estado de vigília. É muita coisa lançada sobre nossa consciência em pequenos intervalos de tempo. Não há como absorver o que nos encanta, nos mostra sermos ainda pequenos, e ao mesmo tempo apenas conviver com o que não nos sensibiliza em demasia.

Fundamental: sem nunca, na extensão do termo, julgar nada!

Explicar melhor essa vigília? É estabelecer uma escala de prioridades para refletir sobre tantos conceitos que nos são apresentados, como falei em breves espaços de tempo. A cada 15 dias há uma etapa da F1 e da F2 em um canto do mundo. E lá estamos nós.

30 anos de pé na estrada

No meu caso, esta será a minha 30ª temporada acompanhando o mundial de F1 e, claro, sempre que esteve junto, o da F2 também. Como mencionei em outro texto, no GP de Barein, segundo do calendário da F1 e etapa de abertura da F2, de 29 a 31 de março, vou celebrar o meu 450º GP. O primeiro em que estive como jornalista foi ainda em 1987, no Rio de Janeiro.

De 1987 a 1990 cobri entre seis e oito provas do campeonato, todo ano, para a partir de 1991 estar na grande maioria das corridas.

Se você pensar que no GP da China deste ano, terceiro do mundial, dia 14 de abril, a F1 celebrará o milésimo GP da sua história e eu uma prova antes, em Barein, o meu 450º, posso dizer que estive pessoalmente em quase metade dos eventos de F1 desde a sua origem, em 1950. Sinto-me um felizardo. Até porque assumo a minha paixão por esse negócio-esporte chamado F1.

VEJA+: Como são as academias de formação de pilotos de Fórmula 1

É um privilégio, concordo. Pena que tão poucas pessoas experimentam a sensação de viajar tanto pelo mundo, da Oceania à América do Sul, da Ásia à Europa. Mais importante que vivenciar de perto a trajetória da F1 nessas três décadas é, como disse, ter a oportunidade, inevitável, de confrontar o que a minha cultura italiana e brasileira me ensinou com a dos demais países ou regiões do mundo.

Mais compreensivos

Essa elevada densidade de novos valores, de toda natureza, a que estamos sujeitos apressa o nosso processo de maturidade. Nos tornamos mais pluralistas. Compreendemos mais quase tudo. O reflexo maior que percebo dessa oportunidade única de estar em contato com tantos povos é aumentar o nosso grau de tolerância. Entendemos melhor o porquê das coisas.

Em algumas passagens, vemos precisar de bem mais tempo para atingir o estágio de preparo, desprendimento, elevação de certos cidadãos. Ao mesmo tempo, temos a grata sensação de que em certos aspectos da nossa formação demos passos à frente, embora sempre haja onde é possível evoluir. Indefinidamente.

Não desejo me estender demais nessa nossa primeira conversa pessoal, de caráter mais coloquial que jornalístico. Mas gostaria de propor uma reflexão. Sabe o que percebi ao me deslocar por 60 países no planeta?

Um homem apenas

Apesar de todas as diferenças que existem entre a cultura de um chinês de Hangzhou e um aborígene de Uluru, no deserto australiano, entre o índio habitante do altiplano boliviano e um suíço dos cantões de língua alemã, pode acreditar no que afirmo, agora: o ser humano, na sua essência, é o mesmo.

VEJA+: Como é dirigir um carro de Fórmula 1 cheio da tecnologia embarcada

Posso ir além. É assim hoje, foi no passado e provavelmente não será diferente no futuro, com todas as leituras distintas que têm de certos aspectos da vida, de como reagem a determinados estímulos. Bem lá no fundo, há um conjunto de valores que trazemos de nossa origem, muitos impregnados no DNA, que fazem com que definamos a nossa espécie, a do homo sapiens sapiens, não importa a raça.

Teremos muito o que falar também sobre esse tema. Cada vez que nessas andanças ocorrer algo que nos remeta a discutir filosofias, trago até vocês e trocamos ideias, o que acha? A partir de março.

As receitas de pasta do Enzo

Obviamente não nos limitaremos a apenas papos-cabeça. Por que não nos encantarmos com certas paisagens das fotos que colocarei no ar? Por que não discutirmos as fenomenais receitas de pasta do Enzo, dono do restaurante que costumo comer em Valecrosia, na Itália, ao lado de Nice, na França, onde resido.

Ventimiglia e Valecrosia encontram-se a meia hora de carro de casa. A maior parte dos alimentos que ingiro vem do mercado de Ventimiglia. Vou contar detalhes ao longo dos nossos encontros.

Amigos, tenham uma boa semana. Vamos marcar novo encontro na próxima segunda-feira? Antes disso apresentarei, aqui, outro texto, para falar de automobilismo, o esporte dessa coisa chamada velocidade, creio que outra de nossas paixões. Acertei? Grande abraço!