Clark e Senna, os dois maiores velocistas de todos os tempos

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Algumas corridas são emblemáticas, entram para a história. Quem gosta de F1 e não se lembra ou ouviu falar da performance de Ayrton Senna no GP da Europa, em Donington, na temporada de 1993, sob chuva intensa?

Com sua McLaren-Ford MP4/8 venceu a prova, deixando Alain Prost, terceiro, embaraçante uma volta atrás com sua Williams FW15C-Renault. Damon Hill, companheiro de Prost, segundo colocado, chegou 1 minuto e 23 segundos depois de Senna.

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Clark e Senna: talentos que rivalizam

Se voltarmos mais no tempo, à temporada de 1963, por exemplo, vamos encontrar outro exemplo de desempenho excepcional, capaz de deixar os demais pilotos constrangidos. E o responsável foi outro gênio das pistas, o escocês Jim Clark.

Para resumir o feito, com sua Lotus 25 equipada com motor Climax de 1,5 litro, V8, Clark cruzou a linha de chegada impressionantes 4 minutos e 54 segundos antes do segundo colocado, o neozelandês Bruce McLaren, com Cooper T66-Climax. Do terceiro colocado para trás, todos também tomaram uma volta do escocês voador, como fez Senna em 1993.

Você sabia que até hoje essa diferença imposta por Clark ao segundo colocado é a maior da história da F1? Bruce McLaren só não tomou uma volta também porque a chuva aumentou muito no fim e Clark teve de reduzir bastante sua velocidade. Hoje jamais uma corrida prosseguiria naquelas condições em um circuito realmente rápido.

Tinha pouco a ver com o atual, pois sua extensão era 14.100 metros, a maioria de pé em baixo, e não 7.004 metros da versão de hoje. A espetacularidade foi no entanto mantida, como a proporcionada pelas curvas Eau Rouge/Raidillon e Blanchimont. Em 1963, não era um circuito fechado de velocidade, mas trechos de estradas da região das montanhas Ardenas. Hoje a versão mais curta do traçado não é mais liberada para o tráfego.

Imagine que Clark fez a melhor volta da corrida com o tempo de 3 minutos, 58 segundos e 1 décimo, à impressionante média de 213,1 km/h (lembre-se que o asfalto estava molhado) e Bruce McLaren recebeu a bandeirada, como mencionado, quase cinco minutos depois.

Era o dia 9 de junho de 1963. Assim como Senna, trinta anos depois, Clark também enfrentou dificuldades na sessão de classificação. O piloto da McLaren largou em quarto, mas ao fim da primeira volta já liderava o GP da Europa de 1993. Muitos a consideram a melhor primeira volta de todos os tempos.

Clark saiu da oitava posição no grid para, também em condições de clima adversas, como chuva ora mais intensa ora menos, ir passando um a um os adversários até chegar a liderança. O pole position havia sido o inglês Graham Hill, com BRM P57, 3min54s1.

Clark parecia pertencer a outra categoria, tal a diferença de velocidade que impôs a todos os demais ao longo das 32 voltas da corrida. Haja vista que o americano Dan Gurney, com Brabham BT7-Climax, completou o pódio em terceiro, como citado, com uma volta a menos.

A superioridade do conjunto Clark-Lotus 25, um carro revolucionário, o levou na sequência a vencer os GPs da Holanda, França, Grã-Bretanha, ser segundo na Alemanha, voltar a ser primeiro na Itália, México e Estados Unidos, com um terceiro lugar nos Estados Unidos.

Obviamente essa hegemonia que lembra a de Lewis Hamilton, da Mercedes, nos últimos anos, deu o primeiro título para o escocês, com impressionantes 73 pontos (54 úteis) enquanto Hill, segundo no mundial, somou 29.

Brutal diferença de potência

Já Senna, em 1993, dispunha de um motor Ford V-8 versão cliente, enquanto a Benetton corria com Ford V-8 oficial de fábrica. Havia uma diferença aproximada de 30 cavalos a mais para o principal piloto da Benetton, time da Ford, Michael Schumacher. Mas era para Alain Prost que a coisa chocava. A Williams do francês competia com motor V-10 oficial da Renault, não um V-8, com resposta de potência superior ao do Ford de Senna em algo como 90 cavalos, impensável.

Mesmo assim, depois do GP de Mônaco, sexto do calendário, Senna liderava o mundial com 42 pontos, seguido de Prost, 37, e Hill, 18. O francês da Williams só reverteu a vantagem de Senna quando a F1 passou a competir nas suas pistas mais rápidas. Contra a enorme diferença de potência para a sua McLaren-Ford, Senna não tinha como enfrentá-lo.

Prost conquistou em 1993 o título, com 99 pontos. Senna ficou em segundo,73, tendo vencido as duas etapas finais, Japão e Austrália, disputadas sob chuva.

Clark tinha 27 anos, em 1963. Senna, 33 anos, em 1993. Clark morreria no dia 7 de abril de 1968, em uma corrida de F2 em Hockenheim, Alemanha. Senna, a 1º de maio de 1994, no GP de San Marino, em Ímola, Itália. Clark seria ainda campeão em 1965, sempre com Lotus-Climax, enquanto Senna já tinha três títulos mundiais, em 1993, todos com McLaren-Honda, em 1988, 1990 e 1991.

Para muitos, Clark e Senna foram os dois maiores velocistas de todos os tempos.