No GP de Abu Dhabi, Sergio Sette Câmara quer garantir a superlicença

Sérgio é o piloto mais jovem dentre os protagonistas da F2, 21 anos, e com a superlicença na mão as chances de se tornar terceiro piloto de algum time de F1 podem ser altas

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Imagem: | © 2019 Diederik van der Laan / Dutch Photo Agency

Depois de dois meses sem atividade de pista, a F2 está de volta. No fim de semana será disputada a 12ª e última etapa do campeonato, o GP de Abu Dhabi, no Circuito Yas Marina. A última vez que a F2 esteve em um autódromo foi na Rússia, em Sochi, entre os dias 27 e 29 de setembro.

O campeão da F2, este ano, já é conhecido, o holandês Nyck de Vries, 24 anos, da equipe ART. Mas há muito em jogo no evento dos Emirados Árabes Unidos.

Por exemplo: o título de vice ainda não foi definido. Dois pilotos têm mais chances de obtê-lo, o atual segundo colocado na classificação, o canadense Nicholas Latifi, 24 anos, da DAMS, com 194 pontos, e o italiano Luca Ghiotto, 24, UNI-Virtuosi, 184 pontos.

Os três primeiros colocados no campeonato recebem da FIA 40 pontos, número exigido pela entidade para um piloto receber a tão desejada superlicença, documento que lhe permite disputar a F1.

Mas apesar de Latifi e Ghiotto estarem melhor classificados, outros dois pilotos têm possibilidades matemáticas de avançar no campeonato, chegarem até o vice, o mineiro Sérgio Sette Câmara, 21 anos, da DAMS, quarto colocado, com 165 pontos, patrocinado pela Youse, e o inglês/coreano Jack Aitken, 24, da Campos, 159.

Quarto lugar no GP de Abu Dhabi é o suficiente

O objetivo de Sérgio, como ele explica no depoimento abaixo, é garantir a superlicença. Na colocação em que está, quarto, a FIA lhe dá 30 pontos. Mas Sérgio terminou a temporada passada de F2 em sexto, recebendo 10 pontos. Com os 30 do quarto lugar, agora, atingiria a meta (10+30). Mas Aitken o ameaça, pois está somente 6 pontos atrás.

A F2 distribui 48 pontos a cada etapa do calendário. O autor da pole position ganha 4 pontos. O vencedor da primeira corrida, no sábado, 25 pontos. As demais seguem o padrão da F1, 18 para o segundo colocado, 15, terceiro. Até o décimo ganha ponto. O autor da melhor volta, 2. O primeiro colocado na corrida do domingo recebe 15 pontos, pois tem menos voltas. O segundo, 12, o terceiro, 10. Apenas os oito primeiros pontuam. O autor da melhor volta ganha 2 pontos.

No caso do GP de Abu Dhabi, a corrida do sábado terá 31 voltas; do domingo, 22. O Circuito Yas Marina tem 5.554 metros de extensão, 21 curvas, a maioria de baixa velocidade. Tem como característica a dificuldade de ultrapassagem.

Um dado importante: no caso de dois pilotos empatarem em número de pontos, o primeiro critério de desempate é o número de vitórias. Vries celebrou a conquista do título com 4 vitórias. Latifi tem 4 vitórias, Ghiotto, 3, Sérgio, 1, e Aitken, 3.

Para quem for acompanhar a transmissão do GP de Abu Dhabi pelo SporTV, a programação é esta, pelo horário de Brasília:

Na sexta-feira, o treino livre começa às 4h30. A definição do grid, às 12 horas. No sábado, a largada da primeira corrida será às 11h45. A da segunda, no domingo, às 6h30.

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Sérgio: “Tenho chance de terminar o campeonato até como vice, mas as circuntâncias exigem que seja conservador”.

Antes de embarcar de Barcelona, onde reside, para o GP de Abu Dhabi, Sérgio deu o depoimento abaixo para a Youse:

Olá amigos.

A última vez que nos encontramos aqui foi quando comentei o que eu esperava da corrida de F1 em Interlagos, o GP Brasil. Vou falar disso, ainda, mais para a frente. O assunto, agora, é o evento do fim de semana nos Emirados Árabes Unidos, a última etapa da F2.

Obviamente que o que mais desejo é sair de Abu Dhabi com o direito à superlicença. Se eu mantiver a quarta colocação já está ok. Quem pode me ultrapassar é o Jack (Jack Aitken), que está perto (6 pontos) e o carro da sua equipe (Campos) é muito bom em ritmo de corrida.

Mas me preparei bem com os engenheiros da DAMS para ter um carro rápido no Yas Marina. O histórico do time nessa pista é bom, mas é difícil prever como pode ser o andamento das corridas. Se eu atingir minha meta, estarei em uma condição muito boa para conseguir algo de grande importância para mim.

Terceiro piloto em uma equipe de F1

Sou o piloto mais jovem dentre os protagonistas da F2, 21 anos, e com a superlicença na mão eu diria que minhas chances de me tornar terceiro piloto de algum time de F1 cresceriam bastante. Eu disputaria outra temporada de F2, em 2020, e ao mesmo tempo trabalharia na F1.

Na realidade, já faço isso agora, pois sou piloto da McLaren no seu simulador. É diferente, no entanto, de assinar como terceiro piloto, pois você passa a viver o dia a dia da equipe lá dentro no fim de semana de GP, participa das reuniões, tem acesso aos dados de telemetria, vê como os pilotos e seus engenheiros trabalham, com todos os seus detalhes. Seria uma excelente oportunidade para aprender mais do que tenho feito.

Como meus planos são de disputar o título da F2 em 2020 para ser contratado por uma escuderia de F1 em 2021, a familiaridade com o mundo da F1 no ano que vem só poderá ajudar quando me tornar titular.

Eu ainda não tenho tudo 100% acertado para 2020. O que posso informar é o que já escrevi aqui algumas vezes, vou disputar mais uma temporada de F2. Converso com várias equipes. Fiquei feliz pelos convite de quase todos os times de F2, um reconhecimento ao meu trabalho.

Nós vamos ter dois dias de testes na F2 na semana que vem, lá mesmo, no Yas Marina. Espero até lá saber já por qual time vou competir em 2020.

Comentei que voltaria a falar do GP Brasil de F1. Não pude regressar ao país para ir a Interlagos. Tive uma agenda cheia com a McLaren, em Woking, ao Sul de Londres, sua sede, base do simulador.

Além disso, dedicamos longas horas de simulação também na sede da DAMS, em Le Mans, ao Sul de Paris, preparando-nos para o GP de Abu Dhabi. Assim, não tive tempo para viajar para o Brasil.

Assisti à prova de F1 em Interlagos na TV, corridaça! Como sempre, é nessa pista que a F1 nos presenteia com alguns dos melhores GPs do ano. E olha que este ano não foi preciso nem chover para revolucionar a competição.

Uma das coisas que mais me impressionou foi a performance do Max Verstappen (Red Bull-Honda), como administrou, assimilou, reagiu a cada mudança que acontecia. A calma dele, a lucidez para tomar decisões, quando por exemplo perdeu a liderança para o Lewis Hamilton no pit stop, ou nas relargadas do safety car. Não há como nós pilotos assistirmos a tudo aquilo e não apenas admirarmos como estudar, entender como se comportar em situações semelhantes.

Bem, nos cruzamos aqui, agora, na sexta-feira, depois da sessão de definição do grid da primeira corrida da F2. Ela é particularmente importante porque já vimos não ser fácil ultrapassar um adversário no Yas Marina. Abraços, amigos.