F1, F2 e F3 disputam, na Hungria, a última etapa antes das férias de agosto

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Budapeste, Hungria – Neste fim de semana no Circuito Hungaroring, a Mercedes tentará dar o troco na Red Bull, depois de perder a corrida de casa, domingo, na Alemanha. Na F2, Sérgio Sette Câmara, patrocinado pela Youse, busca mudar a história da sua equipe, DAMS, nessa pista. Não costuma obter um bom resultado. No fim do texto há o depoimento de Sérgio sobre o duro trabalho realizado na sede da DAMS, em Le Mans, França.

E na F3, os dois brasileiros da competição, Pedro Piquet, da Trident, e Felipe Drugovich, Carlin, querem mostrar que podem crescer no automobilismo para chegar na F2, em 2020, nos seus melhores times.

As três competições têm depois do GP da Hungria uma pausa no calendário. Serão três semanas de férias. Os três campeonatos serão retomados no último fim de semana de agosto, com o GP da Bélgica, na pista favorita da maioria, Spa-Francorchamps.

O programa no autódromo localizado a meia hora de carro de Budapeste reúne o máximo das categorias de monopostos. A F1 realiza sua 12ª etapa, a F2, a oitava, e a F3, a quinta. Lembrando que tanto a F2 quanto a F3 têm duas corridas a cada etapa, uma no sábado e outra no domingo.

Antes de chegar em Hockenheim, local do último evento da F1, a 120 quilômetros da sede da Mercedes, em Stuttgart, a escuderia de Lewis Hamilton e Valtteri Bottas havia vencido nove das 10 provas disputadas, sendo 7 em dobradinha, com seus pilotos em primeiro e segundo lugar. E para o GP da Alemanha a Mercedes se apresentou com uma versão do modelo W10 profundamente modificada, para elevar ainda mais seu excepcional padrão de performance.

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Contra todas as tendências

Mas deu tudo errado. A chuva no domingo levou o time, Hamilton e Bottas erraram em momentos decisivos. O finlandês colidiu forte e Hamilton ainda conseguiu terminar em nono, depois de sair da pista e danificar o W10. Toto Wolff, sócio e diretor da escuderia Mercedes, viu ainda a Red Bull-Honda celebrar a segunda vitória na temporada, com o talentoso e agora constante Max Verstappen.

Wolff quer mostrar na Hungria, a todo grupo diretivo da montadora alemã, que o ocorrido na Alemanha foi um acidente de percurso, muito influenciado pela chuva, a primeira no campeonato.

A Ferrari, por sua vez, tinha de novo o carro mais rápido da pista e, a exemplo do GP de Barein e da Áustria, quando também Charles Leclerc parecia não ter adversários, não celebrou a vitória em Hockenheim. Errou, bateu e abandonou. Sebastian Vettel recebeu a bandeirada em excelente segundo lugar, depois de largar em último.

A natureza do circuito de Budapeste, travado, dá a entender que a Ferrari pode de novo protagonizar a prova. Em geral, compacta um pouco  grid. Charles Leclerc e Vettel disseram ainda na Alemanha estarem confiantes em um grande resultado, domingo.

Esse é o melhor da F1 em Budapeste. Estamos diante de uma luta literalmente aberta, como já foi nas três últimas etapas do calendário, Alemanha, Inglaterra e Áustria, deixando o torcedor bem feliz com o que está vendo. Sempre tendo em conta que Hamilton lidera com folga o mundial, 225 pontos, seguido por Bottas, 184, Max, 162, Vettel, 141, e Leclerc, 120.

F2

Na F2, Sérgio disse ter consciência da necessidade de chegar mais perto dos líderes já. Restarão, depois, apenas quatro etapas, oito corridas. Ele é o quinto na classificação, com 121 pontos, um a menos do quarto colocado, o italiano Luca Ghiotto, da UNI-Virtuosi. O companheiro de Sérgio na DAMS, o canadense Nicholas Latifi, soma 139, enquanto o líder da F2, o holandês Nyck de Vries, da ART, 170.

F3

Na nova F3, competição que estreia este ano, o russo Robert Schwartzman, da Prema, lidera o campeonato, com 114 pontos. A seguir vêm o seu companheiro, indiano Jehan Daruvala, com 102, e o finlandês Juri Vips, da Hitech, com 92. Pedro Piquet é o quinto, com 43.

O outro brasileiro, Drugovich, ainda tem grandes dificuldades para explorar os pneus Pirelli na definição do grid, completa novidade para ele. E se você for três ou quatro décimos mais lento na classificação larga lá atrás e não há como avançar na corrida. Essa é a maior dificuldade de Drugovich, por isso não marcou pontos nas oito corridas já realizadas.

Sérgio: “Fizemos o que era possível para ter um carro competitivo em Budapeste”.

Antes de embarcar de Barcelona para Budapeste, Sérgio deu o depoimento abaixo para a Youse:

Oi amigos.

Quando comecei os treinos da pré-temporada, em março, o pessoal da DAMS já me adiantou que eles disputaram o título, em 2018, com o Alexander Albon, hoje na Toro Rosso da F1, mas nas corridas da Hungria e da Bélgica, as nossas duas próximas, não encontraram um bom acerto para o carro.

É o que tentamos inverter nas reuniões e horas e horas de simulador lá na DAMS. Vamos começar os treinos livres, na sexta-feira, com um acerto bem diferente do adotado no ano passado. Na teoria, o que fizemos nos deve permitir ser mais competitivos. Mas até que colocamos o carro na pista e verificar, também, o quanto os outros evoluírem, não dá para saber nada.

A experiência que estou adquirindo no simulador de F1 da McLaren está me abrindo a mente para estar atento a detalhes que na F2 não damos muita atenção. Espero que esse conhecimento, aplicado agora nessa fase de preparação, nos ajude a ter um carro competitivo, como foi o caso em Silverstone, há três semanas.

Gosto do Circuito Hungaroring. No ano passado, na Carlin, estabeleci a pole position, mas depois perdi performance durante a corrida e cometi um erro no final, isso no sábado. Acabei em sétimo. No domingo, fui bem rápido e cheguei no pódio, terceiro.

Este ano, como disse, não sei o que esperar. A simulação que fizemos nos indica sensível melhora da DAMS em relação a 2018. Não estará tão quente, 29 graus, o que para a Hungria no verão è “fresquinho”. Costuma fazer bem mais calor.

A previsão da organização do GP indica haver alta possibilidade de chuva na sexta-feira, na sessão de classificação, mas não no sábado e no domingo. Gosto de pilotar, no seco e no molhado.

Estou um ponto atrás do Ghiotto na classificação do campeonato, em quarto. Se somar neste fim de semana os cerca de 30 pontos planejados, deverei voltar para o terceiro lugar e me aproximar bastante do Nicholas e do Nyck, obviamente dependendo do que eles fizerem.

É como tenho escrito aqui, para ser chamado por uma equipe de F1, já em 2020, eu preciso de mais de chegar entre os três primeiros, necessito de vitórias como a que obtive GP da Áustria. E é para isso que estou aqui. Vamos nos encontrar bastante neste espaço ao longo do fim de semana. Abraços.