F2: Nick De Vries é campeão. Sérgio Sette Câmara mantém chance do vice

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O holandês Nyck de Vries, 24 anos, conquistou neste sábado, em Sochi, Rússia, o título da prestigiosa F2, categoria que mais gera pilotos para a F1. Em seu terceiro ano na competição, Vries, da equipe ART, venceu a prova marcada pelo comportamento completamente inesperado dos pneus macios distribuídos pela Pirelli, resultado que lhe permitiu ser campeão, mesmo faltando ainda a corrida deste domingo e as duas da 12ª e última etapa do campeonato, em Abu Dhabi, de 29 de novembro a 1º de dezembro.

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O canadense Nicholas Latifi, da DAMS, com o segundo lugar, se posicionou bem para tentar o vice no Circuito Yas Marina, em Abu Dhabi. O suíço Louis Deletraz, da Carlin, completou o pódio, em terceiro.

Se a luta pelo vice já estava quente antes do GP da Rússia, agora esquentou ainda mais, pois apesar de Latifi ser o favorito o quarto lugar do italiano Luca Ghiotto, da UNI-Virtuosi, e o quinto de Sérgio Sette Câmara, da DAMS, patrocinado pela Youse, neste sábado, os deixam em condições de também poderem terminar a temporada de F2 na segunda colocação.

A pole no sábado e a vitória neste sábado levaram Nyck de Vries a atingir 254 pontos depois de 19 corridas este ano. Latifi chegou a 184, ou seja, 70 pontos a menos que Vries. Entre a corrida deste domingo e as duas nos Emirados Árabes Unidos, última do calendário, um piloto pode somar no máximo 65 pontos, caso seja primeiro em tudo, mas Vries já soma 70 pontos a mais que Vries, daí a definição do merecido título.

Os números comprovam: Nyck de Vries obteve cinco pole positions, quatro vitórias e 11 pódios.

Já a luta pelo vice tem Latifi com 184 pontos, seguido por Ghiotto, 169, Sérgio, 161, e o inglês/coreano Jack Aitken, da Campos, sétimo neste sábado, com 159.

A maioria dos pilotos largou com os pneus macios. Mas após somente três voltas, eles perderam muita performance. Não era o esperado. Assim, Nyck de Vries, Latifi, o inglês Callum Ilott, da Sauber Junior, o três primeiros, foram facilmente ultrapassados pelos pilotos que haviam iniciado a prova com pneus duros, ou seja, Ghiotto, o russo Nikita Mazepin, da ART, e Mick Schumacher, da Prema, dentre outros.

Eles arriscaram largar com os duros e parar apenas a três voltas da bandeirada para sair com os macios. O regulamento exige um pit stop com troca de tipo de pneu. Na corrida do domingo os pilotos não fazem pit stop, pois largam com os duros e a competição tem 21 voltas e não 28.

Na F2, só é permitido aos pilotos realizar a parada a partir da sexta volta. Assim, quem estava com pneus macios teve de se aguentar na pista depois da terceira volta, com os pneus já bem deteriorados.

Ghiotto ultrapassou Nyck de Vries na quinta volta e manteve-se na liderança até a 24ª volta, a quatro da bandeirada, quando fez seu pit stop. A diferença que ele abriu, 24,8 segundos, não foi suficiente para realizar a parada e regressar na frente do pelotão que largou com pneus macios e havia feito o pit stop na sexta volta.

Assim, quando Ghiotto deixou os boxes estava em quarto, atrás de Vries, Latifi e Deletraz. Ele ganhou a terceira posição do suíço a seguir, mas na última volta os pneus macios de Ghiotto já estavam bem degradados, permitindo a Deletraz recuperar o terceiro lugar.

Na realidade, a primeira corrida do GP da Rússia teve dois blocos distintos. O dos primeiros colocados, que largaram mais para atrás no grid, mas em razão dos pneus duros avançaram na classificação, e o dos começaram a competição com os macios, pararam na sexta volta e aguardavam os que estavam na sua frente realizar o pit stop. A mesma grande mudança na classificação das primeiras voltas foi verificada também nas voltas finais, com as paradas dos então líderes.

Sérgio caiu, logo depois da largada, da sexta colocação no grid para a 14ª. Primeiro para evitar envolver-se em um acidente na curva 1 e depois em razão de os pneus macios literalmente acabarem. Mas com os pneus duros, a partir da sexta volta, seu ritmo foi completamente oposto, tanto que estabeceleceu em duas ocasiões a melhor volta da prova. Dessa forma, avançou da 14ª para a quinta colocação, mantendo-se na luta pelo vice.

Sérgio: “Tenho de aproveitar a possibilidade de um pódio neste domingo

Após salvar um resultado que parecia perdido no início, Sérgio deu o depoimento abaixo para a Youse:

Olá, amigos.

Olha, dentro de mim há um misto de alívio com frustração. Respiro mais aliviado porque me posicionei mal depois da largada, na freada da primeira curva, e fiquei espremido, pilotando com todo cuidado para não ser atingido, pois precisava de todas as formas dos pontos desta corrida. Não poderia acontecer o mesmo de Monza, quando bateram duas vezes na traseira do meu carro, até furar o pneu e me obrigar a abandonar.

A seguir, todos nós que estávamos com os pneus macios compreendemos que eles duravam três voltas, não mais. Nós nos tornamos presas fáceis demais de quem largou com os duros. E precisávamos nos manter na pista até a sexta volta, quando abre a janela de pit stop.

O GP da Rússia evidenciou ainda mais uma dificuldade que venho enfrentando este ano e até agora não descobrimos a causa. Meus pneus traseiros aquecem mais do que deveriam, bem rápido. Isso me atrapalha não somente na corrida como na classificação.

Com os pneus duros, o problema é bem menor. Depois de algumas voltas nas corridas, eu estou sempre dentre os mais rápidos senão sou o mais veloz. Mas até as temperaturas se equilibrarem um pouco, refiro-me aos traseiros e dianteiros, eu em geral perco algumas posições, tornando difícil a recuperação. Hoje por exemplo tinha carro para obter mais do quinto lugar se não tivesse caído tão lá para atrás no início.

Amanhã, na segunda corrida, como largamos com os duros, vimos este ano que a dificuldade com a temperatura dos pneus traseiros se manifesta menos. Tenho de aproveitar o fato de que vou largar neste domingo em quarto, sofrer menos com os pneus, e tentar um pódio, o que me ajudaria bastante a estar em boa condição lá em Abu Dhabi para terminar o campeonato como vice-campeão.

Vamos lá. Abraços.