GP da Bélgica: 30 anos entre Nelson Piquet não correr e o filho vencer

Naquele ano, 1989, Nelson Piquet terminou o campeonato em oitavo, com 12 pontos

• por
Pedro Piquet conquista pódio na Fórmula 3 Pedro Piquet conquista pódio na Fórmula 3
Pedro Piquet conquista pódio na Fórmula 3. Foto: Divulgação FIA

Sábado, Pedro Piquet venceu brilhantemente a primeira corrida de F3 do GP da Bélgica, no Circuito Spa-Francorchamps. Ele não sabia que seu pai, Nelson Piquet, três vezes campeão do mundo na F1, exatos 30 anos antes vivenciou nessa mesma pista seu momento mais constrangedor no automobilismo, embora não tivesse responsabilidade maior no ocorrido: com o carro da Lotus-Judd, Piquet não se classificou para disputar a corrida.

Pois é, o mesmo Piquet que de 1978 a 1991 largou em 204 GPs de F1, por sete diferentes equipes, venceu 23 deles, chegou 60 vezes no pódio e conquistou em 24 ocasiões na pole position, não conseguiu um tempo que o deixasse dentre os 26 que largaram no GP da Bélgica de 1989. Para atestar as dificuldades da Lotus, o seu companheiro, o japonês Satoru Nakajima, também não se classificou.

30 anos entre Pedro e Nelson Piquet

Amigos, foi o meu primeiro GP da Bélgica. A F1 era muito diferente. A FIA proibiu os motores turbo a partir daquele ano, 1989. Uma enxurrada de equipes se inscreveu para disputar o mundial. Todos achavam que a F1 voltaria a ser como nos anos 70, quando o motor Ford Cosworth V-8 equipava a maioria dos times.

Imagine que em 1989 havia 39 inscritos na prova de Spa. E só 26 largavam. Para isso havia na sexta-feira de manhã um treino chamado pré-classificação. A F1 já tinha 26 previamente classificados, em razão dos resultados no ano anterior. Nessa pré-classificação, 13 (39-26) carros concorriam a quatro vagas.

Os quatro mais rápidos se juntavam aos 26 previamente classificados, formando os 30 que disputavam as 26 vagas do grid nos dois treinos classificatórios, um na sexta-feira e outro no sábado, ambos à tarde. Mais quatro, portanto, caíam fora.

A Lotus de Piquet obviamente já estava dentre os pré-classificados, mas tinha de disputar a classificação. Choveu na sexta-feira, como é comum em Spa. Assim, a sessão que definiria o grid seria a do sábado, com pista seca.

Saiba+: É consenso: a temporada de 93 foi a melhor de Senna na F1

Saiba+: Clark e Senna, os dois maiores velocistas de todos os tempos

Show de Senna

Nelson Piquet no carro da Lotus em 1989
Nelson Piquet no carro da Lotus em 1989. Foto: Divulgação

Ayrton Senna, com McLaren-Honda, estabeleceu um tempo na pole position, 1min50s867, capaz de deixar o companheiro, Alain Prost, constrangido, ao ser seis décimos de segundo mais lento. Quando faltavam poucos minutos para o encerramento da sessão, o francês Olivier Grouillard, da Ligier-Judd, era o 26º e último dentre os que largariam. Piquet estava fora. Saiu com o último jogo de pneus novos.

Eu me lembro muito bem que o tempo de Grouillard era seis segundos e dois décimos pior que o de Senna. E estava no grid. Tudo o que Piquet precisava para não ficar de fora era ser, acredite, seis segundos e um décimo mais lento que o tempo de Senna, um décimo, um centésimo ou milésimo melhor que Grouillard.

Vimos Piquet tentando acelerar mais do que a Lotus permitia, atravessando nas curvas e, claro, nessas condições, com um carro tão desequilibrado, não dá para ser rápido. A marca de Piquet foi seis segundos e sete décimos pior que a de Senna, ou meio segundo mais lento que o último no grid, Grouillard.

Isso realmente irritou Piquet. Não quis conversa com ninguém, pegou suas coisas e foi para o aeroporto voar com seu jato privado para casa, em Mônaco. Ele se limitou a comentar que quem não consegue ser seis segundos mais lento que o pole não merece, mesmo, disputar o GP.

Sentia-se desconfortável, também, por o carro ter sido projetado pelo engenheiro que ele levou para a Lotus, o inglês Frank Dernie, com quem havia trabalhado na Williams-Honda e sido campeão do do mundo em 1987.

Naquele ano, 1989, Piquet terminou o campeonato em oitavo, com 12 pontos, enquanto Prost foi campeão com 76 e Senna, vice, 60.

Agora o filho, Pedro Piquet, 21 anos, tenta seguir os seus passos, ter também uma carreira de sucesso. No ano que vem estreia na F2, a última plataforma antes da F1. Terá muito ainda o que construir para chegar na F1 e mais ainda para estar dentre os seus protagonistas. Mas não há dúvida que vencer na F3 na desafiadora e seletiva pista de Spa mostra que Pedro está no caminho certo. Abraços, amigos.