Grande notícia para a F1: Max Verstappen pronto para lutar pelo título em 2020

Lewis Hamilton, da Mercedes, sentado ao lado do vencedor do GP Brasil, Max Verstappen, da Red Bull-Honda, disse neste domingo, em Interlagos, depois de ouvir o piloto holandês enaltercer as qualidades do chassi do seu carro: “E a potência também”.

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Toyoharu Tanabe, diretor técnico, Masashi Yamamoto, diretor de esportes, Max Verstappen e Christian Horner celebram a vitória em Interlagos. | Imagem: Red Bull

Esse é o ponto que mais chamou a atenção no evento do último fim de semana, a impressionante evolução da Honda, parceira da Red Bull. Hamilton não tinha a mesma velocidade de Max Verstappen nas retas. A unidade motriz Mercedes desenvolve, hoje, menos potência que a da Honda. É uma reviravolta ao que assistíamos até há pouco tempo.

Os dois primeiros colocados no GP Brasil, Max e Pierre Gasly, este da Toro Rosso, competem com a unidade motriz japonesa. E até duas voltas antes da bandeirada, na 69ª, Alexander Albon, companheiro de Max, ocupava a segunda colocação. Hamilton errou, tocou no pneu traseiro do tailandês, fazendo-o terminar em 14º. Hamilton, punido, caiu de terceiro para sétimo.

A constatação desse avanço da associação Red Bull-Honda lança enorme perspectiva sobre a próxima temporada: poderá ser diferente das seis últimas. Desde a introdução da tecnologia híbrida – a combinação de motores convencionais com outros dois elétricos -, em 2014, apenas a Mercedes venceu, seis títulos de pilotos e seis de construtores.

Max recebe a bandeirada como vencedor do 48º GP Brasil e manda um recado aos adversários: estarei no páreo e 2020. | Imagem: Red Bull

A superioridade da unidade motriz Honda evidenciada neste fim de campeonato sugere que em 2020 a Red Bull poderá lutar pelo título com a Mercedes e, quem sabe, a Ferrari, pois sua unidade motriz também dá sinais de responder com mais cavalos que a da Mercedes.

A vitória final de Hamilton e da Mercedes no mundial em curso é o resultado do equilíbrio entre o seus eficientes chassi e unidade motriz, mesmo sem serem os melhores hoje da F1. O modelo RB15 da Red Bull, com o desenvolvimento coordenado pelo genial engenheiro Adrian Newey, permite a Max Verstappen expor seu imenso talento, estar dentre os mais rápidos. Mas sem a constância do W10 da Mercedes pilotado por Hamilton e Valtteri Bottas.

Esse é o caso também do modelo SF90 da Ferrari de Charles Leclerc e Sebastian Vettel. Desde a volta das férias, em agosto, é o outro carro, bem mais veloz e equilibrado. Venceu três vezes e estabeleceu seis pole positions. Como a Red Bull, contudo, não é sempre assim. A Mercedes vence na constância em alto nível de seu equipamento.

Lewis Hamilton e sua Mercedes W10 não tinham a mesma velocidade da Red Bull RB15-Honda de Max Verstappen nas retas de Interlagos | Imagem: Formula 1

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O mais difícil já passou

Na F1, uma coisa é tornar um carro rápido, mas de desempenho irregular, em um carro eficaz, constante, confiável, potencialmente vencedores de todos GPs. Outra, bem mais difícil, é transformar carro e unidade motriz lentos e ineficientes em velozes e constantes. A Red Bull-Honda atingiu esse estágio, o de dispor de um carro rápido, mas ainda com uma pequena irregularidade.

Onde quero chegar é que a associação Red Bull-Honda chegou ao ponto onde todos os elementos estão reunidos para, com um novo projeto, o de 2020, iniciar um período de lutas regulares pelas vitórias. A Ferrari parece viver ainda suas eternas inconstâncias, é sempre difícil entender como deverá ser sua próxima temporada. Mas da mesma forma tem condições para produzir um conjunto potencialmente vencedor.

O grupo da Red Bull-Honda liderado por Christian Horner na área gerencial e Adrian Newey, técnica, tem um histórico de conquistas recente, foram tetracampeões do mundo de 2010 a 2013, e agora, como mencionei, vive um momento maduro para voltar a vencer: um piloto excepcional, Max Verstappen, um chassi que deverá ser ainda melhor em 2020, pois o regulamento é o mesmo, uma unidade motriz capaz de deixar Hamilton bastante preocupado, e, claro, a gestão eficiente de Horner.

O saldo do emocionate GP Brasil não será sentido ainda este ano, pois temos somente a 21ª e última etapa do calendário, a prova no Circuito Yas Marina, em Abu Dhabi, dia 1º, mas ao longo de 2020. Toto Wolff, diretor da Mercedes, e Mattia Binotto, da Ferrari, porém, certamente entenderam a mensagem da Red Bull-Honda: “Senhores, considerem-nos, com muita atenção, sérios candidatos a lutar pelo título no ano que vem”. Confirmada, como é provável, será uma grande notícia para os fãs da F1.