Guia da F2: pilotos, equipes e datas das corridas de 2019

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Enquanto a F1 se prepara para a segunda série de testes da pré-temporada, de terça-feira a sexta-feira no Circuito da Catalunha, em Barcelona, as dez equipes da F2 da mesma forma trabalham em seus carros para os primeiros treinos do ano, de terça-feira a quinta-feira, no Circuito de Jerez de la Frontera, também na Espanha.

Sérgio Sette Câmara, mineiro, 20 anos, é o representante brasileiro na competição. Ele corre com o patrocínio da Youse. Depois de duas temporadas de aprendizado e desenvolvimento como piloto na categoria, Sérgio vai disputar a F2 pela conceituada equipe DAMS, dirigida pelo francês Jean-Paul Driot.

 – Minha meta é uma só: lutar pelo título. Se não for campeão, por tantas variáveis interferirem na competição, terminar dentre os três primeiros, os que ganham a superlicença para disputar a F1. Depois de vencer corrida e estabelecer pole position, sinto-me preparado para brigar lá na frente na F2 e agora estou em uma grande equipe, diz Sérgio.

No fim de 2018, Sérgio foi contratado para ser piloto de desenvolvimento da McLaren, o que já faz. Sua função é, essencialmente, trabalhar no avançado simulador do time inglês com sede em Woking, ao sul de Londres, preparando todos os avanços do modelo MCL34 que, na pré-temporada da F1, tem se mostrado bem mais eficiente que o carro de 2018.

A F2 é a conhecida como a antessala da F1. Por quê? Tome como exemplo o que aconteceu do ano passado para este: os três primeiros colocados na F2 vão estrear na F1. O campeão, o inglês George Russell, 21 anos, da ART, corre agora pela Williams. O vice, outro inglês, Lando Norris, 19 anos, da Carlin, assinou com a McLaren. E o terceiro colocado, o tailandês Alexander Albon, 22 anos, da DAMS, tornou-se piloto da Toro Rosso.

A F2 não é uma categoria profissional, onde o piloto compete para defender a equipe e recebe por isso, mas a chamada categoria de passagem. Os pilotos a utilizam para se desenvolverem tecnicamente a fim de ascender a F1, ao menos a maioria, ou outras competições profissionais, a exemplo da F Indy, na América do Norte, ou o Mundial de Endurance (WEC).

Por ser um campeonato como mencionado de passagem, os pilotos raramente ficam mais de três anos na F2, o apelo de mídia é pequeno. A F2 não cria ídolos, mas forma pilotos que, em outras categorias, poderão ser ídolos. Mas é uma escola bastante válida. O fato de a pole position de Albon no GP de Espanha da F2, em 2018, ter sido “apenas” 11s969 mais lenta que a pole de Lewis Hamilton, da Mercedes, já é um atestado de excelência.

Uma competição cujos carros são somente 11 segundos mais lentos que os da F1 representa um curso avançado de formação para os pilotos. Outro apelo da F2 é que, apesar de sua performance não ser abissalmente distante da F1, o seu custo, apesar de elevado, não é proibitivo. Para disputar um campeonato por uma das equipes com potencial para lutar pelo título o investimento é de 1,5 milhão de euros (R$ 6,5 milhões).

Da maneira como a F1 se estruturou, diante da necessidade de a maioria das dez equipes exigir patrocinadores de seus pilotos, uma temporada na F1 não custa menos de 12 milhões de euros (R$ 50 milhões). Em outras palavras, com um orçamento de cerca de 10% do exigido pela F1 um piloto tem, na F2, a possibilidade de frequentar um curso de formação bastante avançado.

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A F2 voltou a se chamar F2 em 2016. De 2005 a 2015, a FIA a denominava GP2. Antes disso, de 1985 a 2004, de Fórmula 3000. E de quando foi criada, em 1948, até 1984, seu nome era o original, F2.

Na temporada passada estreou um novo carro: mais rápido, moderno, com o objetivo de aproximar a F2 da F1, guardadas as proporções. Para isso foi introduzido um motor turbo, da marca Mecachrome, de 3,4 litros, turbo, V-6, com resposta de potência de 620 cavalos. O câmbio é do tipo semiautomático, como o da F1, mas de seis marchas, não oito, comandado com pequenas alavancas atrás do volante.

O chassi é produzido pela Dallara, concebido para gerar alta pressão aerodinâmica, também para aproximá-lo da F1. Os pneus são da Pirelli.

Outro aspecto da F2 de grande relevância é que as 12 etapas do campeonato são disputadas nos mesmos fins de semana dos GPs de F1. São sempre duas corridas, uma no sábado, com até uma hora de duração, e outra no domingo, 45 minutos. Sendo que nesta o grid é invertido. O primeiro colocado na corrida do sábado larga em oitavo. O segundo, em sétimo. O terceiro, em sexto, e assim por diante.

Esse modelo permite aos chefes de equipe da F1 não apenas acompanhar os pilotos que estão em times capazes de lutar pelas primeiras colocações como os que, em condições normais, teriam poucas chances de se posicionar dentre os primeiros colocados. Os responsáveis por descobrir novos talentos dos times da F1 acompanham com interesse as corridas de F2.

Outro predicado da F2 é o conceito que a própria FIA tem por ela, ao atribuir 40 pontos aos três primeiros colocados no campeonato. O que isso quer dizer? Para disputar a F1, a FIA exige que o piloto some 40 pontos na carteira ao longo de três anos. Esses pontos são distribuídos de acordo com a colocação dos pilotos nos vários campeonatos homologados pela F1.

O campeão da F3, por exemplo, não ganha automaticamente o direito de disputar a F1, pois o novo critério da FIA lhe dá apenas 30 pontos, quase obrigando-o a disputar uma temporada em uma escola ainda mais seletiva, como a F2. Assim, quem termina entre os três primeiros na F2, como mencionado, carimba o passaporte para a F1. Obviamente dependerá de como as negociações vão se desenvolver. Mas ao menos quanto aos documentos o piloto está liberado para disputar a F1, sonho da maioria.

A F2 fará, como a F1, duas séries de treinos antes da etapa de abertura do campeonato, de 29 a 31 de março no Circuito de Sakhir, em Barein. A primeira série será, como explicado, de terça-feira a quinta-feira na pista de Jerez. A segunda, de 5 a 7 de março no Circuito da Catalunha, em Barcelona.

Calendário da F2 em 2019

  • 1ª Etapa – GP de Barein – 29 a 31 de de março
  • 2ª – GP do Azerbaijão – 26 a 28 de abril
  • 3º – Gp da Espanha – 10 a 12 de maio
  • 4ª – GP de Mônaco – 23 a 26 de maio
  • 5ª – GP da França – 21 a 23 de junho
  • 6ª – GP da Áustria – 28 a 30 de junho
  • 7ª – GP da Grã-Bretanha – 12 a 14 de julho
  • 8ª – GP da Hungria – 2 a 4 de agosto
  • 9ª – GP da Bélgica – 30 de agosto a 1ª de setembro
  • 10ª – GP da Itália – 6 a 8 de setembro
  • 11ª – GP da Rússia – 27 a 29 de setembro
  • 12ª – GP de Abu Dhabi – 29 de novembro a 1º de dezembro

Circuitos

1ª etapa – Barein – Circuito de Sakhir

Extensão: 5.412 metros

Pole da F2 em 2018: Lando Norris, equipe Carlin, 1min41s761, média horária de 191,4 km/h.

2ª etapa – Azerbaijão – Circuito de Baku

Extensão: 6.003 metros

Pole da F2 em 2018: Alexander Albon, DAMS, 1min54s480, média horária de 188,7 km/h.

3ª etapa – Espanha – Circuito da Catalunha

Extensão: 4.655 metros

Pole da F2 em 2018: Alexander Albon, DAMS, 1min28s142, média horária de 190,1 km/h.

4ª etapa – Mônaco – Circuito de Monte Carlo

Extensão: 3.337 metros

Pole da F2 em 2018: Alexander Albon, DAMS, 1min21s727, média horária de 146,9 km/h.

5ª etapa – França – Circuito Paul Ricard

Extensão: 5.842 metros

Pole da F2 em 2018: George Russell, ART, 1min44s469, média horária de 201,3 km/h.

6ª etapa – Áustria – Circuito Red Bull Ring

Extensão: 4.318 metros

Pole da F2 em 2018: George Russell, ART, 1min13s541, média horária de 211,3 km/h.

7ª etapa – Grã-Bretanha – Circuito Silverstone

Extensão: 5.891 metros

Pole da F2 em 2018: George Russell, ART, 1min39s989, média horária de 212,0 km/h.

8ª etapa – Hungria – Circuito Hungaroring

Extensão: 4.381 metros

Pole da F2 em 2018: Sérgio Sette Câmara, Carlin, 1min27s400, média horária de 180,4 km/h.

9ª etapa – Bélgica – Circuito Spa-Francorchamps

Extensão: 7.004 metros

Pole da F2 em 2018: Nyck de Vries, Prema, 1min56s054, média horária de 217,2 km/h.

10ª etapa – Itália – Circuito de Monza

Extensão: 5.793 metros

Pole da F2 em 2018: George Russell, ART, 1min31s546, média horária de 227,8 km/h.

11ª etapa – Rússia – Circuito de Sochi

Extensão: 5.848 metros

Pole da F2 em 2018: Nyck de Vries, Prema, 1min46s476, média horária de 197,7 km/h.

12ª etapa – Abu Dhabi – Circuito Yas Marina

Extensão: 5.554 metros

Pole da F2 em 2018: George Russell, ART, 1min49s251, média horária de 183,0 km/h.

Equipes e pilotos

Carlin – Campeã entre as equipes em 2018

  • Louis Deletraz, suíço, 21 anos
  • Nobuharo Matsushita, japonês, 25 anos

ART – Segunda colocada

  • Nyck de Vries, holandês, 24 anos
  • Nikita Makepin, russo, 19 anos

DAMS – Terceira colocada

  • Sérgio Sette Câmara, brasileiro, 20 anos
  • Nicolas Latifi, canadense, 23 anos

UNI-Virtuosi (ex-Russian Time) – Quarta colocada

  • Guanyu Zhou, chinês, 19 anos
  • Luca Ghiotto, italiano, 23 anos

Prema – Quinta colocada

  • Mick Schumacher, alemão, 19 anos
  • Sean Gelael, indonésio, 22 anos

Sauber Junior (ex-Charouz) – Sexta colocada

  • Callum Llott, inglês, 20 anos
  • Juan Manuel Correa, americano, 19 anos

Campos – Sétima colocada

  • Jack Aitken, inglês/coreano, 23 anos
  • Ainda por definir

MP Motosport – Oitava colocada

  • Ainda por definir
  • Ainda por definir

BMW Arden – Nona colocada

  • Anthoine Hubert, francês, 22 anos
  • Ainda por definir

Trident – Décima colocada

  • Giuliano Alesi, francês, 19 anos
  • Ainda por definir