O circuito onde os títulos foram definidos. Suzuka lidera 11 vezes

Se Hamilton conquistar o sexto título dia 27, terá sido com 85,7% dos GPs disputados, ou no 18º em 21, exatamente o mesmo resultado de 2018

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Em 2010, Alonso, da Ferrari, Webber e Vettel, Red Bull, e Hamilton, McLaren, podiam ser campeões na última etapa, em Abu Dhabi.

Lewis Hamilton tem chance de conquistar o sexto título mundial da brilhante carreira na próxima etapa do campeonato, o GP do México, dia 27, a 18ª etapa do calendário de 21 GPs. No ano passado, foi no mesmo Circuito Hermanos Rodriguez que Hamilton tornou-se campeão pela quinta vez e, para completar a empatia do piloto inglês com a pista localizada na Cidade do México, em 2017 conquistou lá o tetra. Sempre pela equipe Mercedes.

Vamos fazer uma retrospectiva de quando os mundiais foram definidos, quais as edições do campeonato da F1 se estenderam até a última etapa e as que conhecemos os campeões mais cedo?

Se Hamilton conquistar o sexto título dia 27, terá sido com 85,7% dos GPs disputados, ou no 18º em 21, exatamente o mesmo resultado de 2018. Em 2017, tivemos apenas 20 etapas e a corrida no México também foi a 18ª, assim Hamilton tornou-se campeão com 90% do campeonato realizado.

De 1950 até o ano passado, a F1 já teve 69 temporadas. Em 29 delas, o título só foi definido na última etapa do calendário, ou 100% dos GPs. Aqui é preciso fazer uma observação. Era muito mais fácil nos primeiros anos da F1 o mundial se estender até as últimas provas porque havia bem menos corridas.

Em 1950, por exemplo, tivemos somente sete GPs no calendário. Na realidade, seis, em razão de as 500 Milhas de Indianápolis fazerem parte do mundial, de 1950 a 1960, como forma de atrair os europeus se deslocarem até os Estados Unidos. Mas sem sucesso.

Assim, na sexta efetiva prova do ano, em 1950, os três pilotos da Alfa Romeo, Juan Manuel Fangio, Giuseppe Farina, e Luigi Fagioli, se apresentaram no GP da Itália, em Monza, dia 3 de setembro, com chances de serem campeões. Farina venceu e celebrou a conquista do primeiro título da história da F1.

Ferrari F2002, de Michael Schumacher: em 2002 foi campeão já no GP da França, em julho, recorde de precocidade. | Foto: F1

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Campeonato bem mais longo

Se transportássemos aquela realidade para os dias de hoje, o sexto GP do ano foi em Mônaco. E, a rigor, àquela altura, 26 de maio, os 20 pilotos do grid, mesmo os da deficiente Williams, teriam ainda chances matemáticas de ganhar o campeonato.

A F1 passou a ter mais de 12 etapas no calendário apenas nos anos 70. E em 2020 baterá o recorde, 22 GPs, com a inclusão do GP do Vietnã, a volta do GP da Holanda e a saída do evento de Hockenheim, na Alemanha.

Voltando a Hamilton, ele teve menos dificuldades em 2015, quando aproveitou o match point surgido no GP dos Estados Unidos, em Austin, no Texas, e obteve o terceiro título. Era a 16ª etapa de 19, ou 84,2%. Mas os seus dois primeiros mundiais foram bem mais suados. O primeiro, em 2008, ainda pela McLaren, disputava com Felipe Massa, Ferrari.

Na última corrida, em Interlagos, Massa venceu, mas o quarto lugar do piloto inglês, obtido na última curva, Junção, na última volta, sob chuva intensa, lhe garantiu a conquista. Hamilton precisou, portanto, de 100% dos GPs.

Senna, três vezes campeão na penúltima etapa

O ídolo de Hamilton, Ayrton Senna, foi três vezes campeão do mundo, em 1988, 1990 e 1991. Nas três ocasiões o piloto da McLaren-Honda definiu o título na 15ª das 16 provas do campeonato, ou 93,7% dos GPs. Sempre em um dos seus circuitos favoritos, Suzuka, no Japão.

Outro gênio das pistas, Michael Schumacher, nada menos de sete vezes campeão do mundo, enfrentou resistência mesmo apenas no primeiro título, em 1994, então na Benetton. Na última corrida, nas ruas de Adelaide, na Austrália, ou 100% dos GPs, se envolveu em um acidente polêmico com Damon Hill, da Williams, para celebrar a conquista.

Em 2003, também, Schumacher, com Ferrari, lutou com Kimi Raikkonen, McLaren, até a prova de encerramento, 100%, em Suzuka, no Japão. Foi o sexto mundial do alemão.

E é dele também o recorde de precocidade na F1, ou seja, o piloto que mais cedo tornou-se campeão do mundo na temporada. Em 2002, no Circuito de Magny Cours, na França, Raikkonen liderava com McLaren. Mas nas voltas finais passou sobre uma mancha de óleo e saiu da pista. Isso permitiu Schumacher ultrapassá-lo, vencer e definir o campeonato.

Lewis Hamilton, em 2008, ano do primeiro título, com McLaren, mas somente na última etapa, em Interlagos. | Foto: Wikipedia

Mudar o regulamento

O problema para a F1 é que o GP da França, disputado dia 21 de julho, era somente o 11º dos 17 programados, ou 64,7%. A supremacia de Schumacher e da Ferrari naquele ano, 2002, tornou as seis provas finais do calendário uma formalidade, ao menos quanto à competição entre os pilotos.

O prejuízo para a F1 foi enorme. Houve queda de audiência na TV e menor público nos autódromos. A FIA estudou os números e o seu presidente, Max Mosley, modificou o critério de pontuação já para o ano seguinte. A diferença entre os pontos somados pelo vencedor e o segundo colocado caiu de 4 para apenas 2 pontos. O primeiro continuou a receber 10 pontos, mas o segundo, 8.

A decisão de Mosley foi comparada à distribuição de um cobertor curto para quem tem frio. Cobriria os pés ou a cabeça, mas não os dois. Houve muitas críticas porque reduzir a diferença do vencedor para a segunda colocação a apenas dois pontos diminuiu bastante o estímulo para um piloto ou uma equipe se arriscar a lutar pela vitória.

Quatro pilotos na luta

Outra curiosidade interessante quanto à definição do título é o recorde na edição de 2010. Na última etapa, 19ª, ou 100%, em Abu Dhabi, Fernando Alonso, da Ferrari, Mark Webber, Red Bull, Sebastian Vettel, Red Bull, e Lewis Hamilton, McLaren, tinham chances de tornarem-se campeões. Foi a única ocasião, em 70 anos de F1, que quatro pilotos se apresentaram nessa condição. O azarão Vettel venceu a corrida e celebrou o seu primeiro título.

Tivemos nove campeonatos onde três pilotos podiam ser campeões na última corrida, mas quatro somente em 2010.

Se Hamilton definir o título no GP do México, será a sexta vez que o país sediará a etapa de conclusão da disputa entre os pilotos.

Mas quem lidera com folga esse ranking das nações onde o campeão foi conhecido é o Japão. O Circuito de Suzuka já definiu 11 títulos mundiais. O Brasil está bem colocado nessa disputa, já que o Circuito de Interlagos recebeu seis definições de mundial, sendo cinco delas seguidas, de 2005 a 2009.

Este ano, contudo, dada a importante vantagem de Hamilton na classificação do campeonato, 338 pontos diante de 274 do companheiro de Mercedes, Valtteri Bottas, o mais provável é que se o piloto inglês não for campeão na Cidade do México então deverá ser no de Austin, uma semana mais tarde, dia 3 de novembro.

Mas, obviamente, não é impossível que o campeão venha a ser conhecido somente em Interlagos, penúltima etapa do ano, dia 17 de novembro.