Segundo lugar, na França, permitiu Sérgio avançar muito na F2 2019

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Le Castellet, França – Sérgio Sette Câmara queria mais. O segundo lugar foi muito importante por uma combinação de razões, mas largar na pole position na primeira corrida da quinta etapa da F2 2019, na França, e receber a bandeirada em segundo o deixou com um gostinho amargo na boca.

O holandês Nyck de Vries, da equipe ART, venceu a competição no Circuito Paul Ricard, próximo a Marselha, enquanto o inglês Jack Aitken, da Campos, completou o pódio, em terceiro. Neste domingo, com largada às 6h25, horário de Brasília, será disputada a segunda corrida da F2 no fim de semana.

Ainda que não tenha sido o resultado planejado por Sérgio, patrocinado pela Youse e piloto da escuderia DAMS, os 18 pontos da segunda colocação e 4 conquistados no sábado, por ter sido o primeiro na sessão que definiu o grid, o fizeram avançar bastante na classificação do campeonato.

Saiba +: Sérgio Sette Câmara larga na pole position na F2, em Paul Ricard, na França

A vitória de Vries, com melhor volta, e a apenas quinta colocação do canadense Nicholas Latifi, companheiro de Sérgio, levaram o holandês à liderança da F2 2019. Ele soma, agora, 121 pontos, enquanto Latifi chegou a 105. Antes do GP da França, o canadense somava 95 e Vries, 94.

Mudanças de posição na F2 2019

Sérgio também redimensionou sua participação na sequência da temporada com os 22 pontos obtidos até agora. Ele contou, ainda, com outro resultado desfavorável do italiano Luca Ghiotto, da UNI-Virtuosi, envolvido em mais um acidente. Por não marcar pontos neste sábado e nas duas corrida de Mônaco, anteriores a Paul Ricard, Ghiotto caiu de terceiro para quinto.

Já Sérgio avançou do sexto lugar, com 52 pontos, para o quarto, com 74. E, melhor ainda, tem possibilidade real de sair da França na terceira colocação no campeonato, primeira meta antes de se inserir na luta pelo título. Depois de Vries com 121, Latifi, 105, vem Aitken, com 77, e Sérgio, 74, três apenas a menos.

Vale lembrar que a FIA emite a superlicença para os pilotos poderem competir na F1 2020 para os três primeiros colocados na F2 2019.

Sérgio: “Precisamos melhorar logo o nosso sistema de largada”.

Confira o depoimento exclusivo de Sérgio Sette Câmara

Oi, pessoal.

Você já sentiu aquela sensação de ter obtido algo mas, dentro de você, existia a certeza de que poderia ter conquistado mais? Talvez bem mais? É o que estou sentindo neste instante, pouco tempo depois de deixar o cockpit do meu carro.

Na sexta-feira eu e meu engenheiro, o Damien (Augier), fizemos tudo certo. Fui o mais rápido no treino livre da manhã, 600 milésimos mais rápido que o segundo colocado. À tarde, na classificação, conquistei a pole position, em um treino tumultuado, com interrupção.

Vim para a corrida, hoje (sábado), bastante confiante em vencer. Mas de novo quando o sinal vermelho apagou meu carro não arrancou como o adversários atrás de mim. Fui ultrapassado pela direita pelo Nyck (Vries) e na esquerda pelo Jack (Aitken).

Eu perdi um dos meus pontos de força este ano com o novo sistema de embreagem que a organização da F2 2019 implantou. Em 2018, vários carros ficaram parados no grid. Este ano, eles fizeram com que basta você pressionar um pouco o pedal do acelerador para os giros do motor irem lá para cima. A aceleração do motor e a posição do pedal tornou-se bem menos solidária que em 2018.

E nós da DAMS não conseguimos modular tão bem a aceleração com o uso da embreagem, acionada com uma alavanca atrás do volante, que comando com os dedos. E não é por falta de treinar. Nós trabalhamos realmente duro para evitar de, como hoje, literalmente deixar de vencer por esse motivo.

É o mesmo para todos? Sim. Mas os concorrentes descobriram como integrar melhor o acelerador com a embreagem e o carro tracionar com maior eficiência. Precisamos melhorar logo o nosso sistema de largada e eu também fazer a minha parte.

No fim da primeira volta eu era o terceiro colocado. Nas voltas finais, por ter administrado o uso dos pneus melhor que o Jack, eu o ultrapassei para receber a bandeirada em segundo

O meu ritmo, o do Nyck e do Jack era bem semelhante. Qualquer um de nós poderia ter vencido.

Falando da corrida, foi meio atípica. Na terceira volta (de um total de 30) deram bandeira vermelha, paralisando-a, para limpar um monte de pedaços de carro espalhado pela pista por causa dos acidentes na primeira volta, em especial nas cuvas 3 e 4.

(Os dois pilotos da Prema, Mick Schumacher e Sean Gelael, colidiram. O indonésio errou a freada da curva 3 e acertou em cheio o filho de Michael Schumacher.) Além disso, o safety car virtual foi acionado várias vezes (três).

Mas essas dificuldades eram as mesmas para todos. Problema mesmo tive com a quebra do rádio. Começou funcionando mal e depois da paralisação parou. Eu passei em frente aos boxes agitando ferozmente a mão para eles entenderem que eu não estava falando, respondendo o que provavelmente me diziam, por não ouvi-los

Eles entenderam a mensagem e passaram a me informar a diferença para o Jack e o Nyck na minha frente e o Zhou (Guanyu Zhou, chinês, equipe UNI-Virtuosi), atrás, com placas.

Eu vi que o Jack começou a abrir de mim ao redor da volta 18, 19, 20, nossa diferença ficou entre dois e três segundos. Pensei comigo, ele está exigindo tudo para tentar lutar com o Nyck pela vitória. Nesse ritmo seus pneus vão acabar.

Não deu outra, logo depois eu percebi que o carro dele escapava nas entradas de curva e não tracionava tão bem. Estudei onde poderia ultrapassá-lo e na penúltima volta entrei bem próximo dele na reta dos boxes para com o DRS ganhar sua posição.

Eu contei o lado meio amargo do sábado. A má largada e a consequência perda da vitória. Agora o lado bom. Pilotos que estavam na minha frente na classificação do campeonato não foram tão bem, como aconteceu comigo principalmente na etapa de Barcelona. Com isso, avancei, estou em quarto.

Neste domingo, largo em sétimo, por ter sido segundo hoje. O Nyck, em oitavo. Como sempre explico, na F2 o grid entre os oito primeiros é invertido na segunda corrida. Minha meta é somar quatro pontos a mais que o Jack, pois ele tem 77, terceiro colocado, e eu, 74.

Seria muito bom eu chegar em Spielberg (Áustria), já no próximo fim de semana, em terceiro na classificação. Adoro correr nessa pista. Em condições normais, devo andar bem lá. Nosso carro começou superbem o ano, mas depois perdemos ritmo.

O Nicholas (Latifi) não tem andando tão bem como nas três primeiras provas. Mas em Mônaco e aqui na França estivemos, novamente, entre os mais rápidos. A minha confiança que estava meio abalada depois da Espanha se transformou em entusiasmo novamente. Nos falamos amanhã, depois da segunda corrida, combinado? Abraços.