Ferrari na F1: Será surpreendente se a equipe seguir ganhando tudo

Grandes expectativas para Mercedes, Ferrari e Red Bull nessa próxima etapa!

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Leclerc na frente de Vettel: o simbolismo da foto reflete a realidade das pistas, razão de Vettel se perder emocionalmente. | Foto: Gettyimage

A Ferrari venceu no Circuito Marina Bay, em Singapura, neste domingo, o terceiro GP seguido. Na Bélgica, dia 1º, Charles Leclerc celebrou sua primeira vitória no mundial. Na Itália, dia 8, de novo o monesgasco fez aquela linda festa com os tifosi, fanáticos torcedores italianos. E agora foi a vez de Sebastian Vettel, companheiro de Leclerc na Ferrari na F1, ganhar a prova.

Para a Mercedes, que impõe sua hegemonia na F1 desde 2014, com a introdução da tecnologia híbrida, o fato de a Ferrari largar na pole e vencer esses três eventos tem o peso de três derrotas. O fato é que desde a volta das férias da F1, a Ferrari está invicta, conquistou o máximo possível. E no caso do GP de Singapura, a escuderia italiana obteve uma dobradinha, com Vettel em primeiro e Leclerc em segundo.

Mais: a Mercedes sequer chegou ao pódio. O terceiro colocado foi Max Verstappen, da Red Bull-Honda. Lewis Hamilton foi quarto e Valtteri Bottas, quinto, ambos da Mercedes.

A primeira pergunta que emerge nessa nova e surpreendente realidade da Ferrari na F1 é se, a partir de agora, serão Leclerc e Vettel que vão ditar as regras no campeonato, como fizeram Hamilton e Bottas, vencedores das oito primeiras etapas do calendário.

A Ferrari na F1 é imbatível?

Bem, bola de cristal, felizmente, não temos. Mas a lógica sugere que não será assim. A Ferrari se impôs na Bélgica e na Itália principalmente porque seu modelo SF90 é muito eficiente em circuitos onde a velocidade nas retas tem grande peso na performance geral. E sem que Mattia Binotto, seu diretor, Leclerc e Vettel, esperassem, o time demonstrou surpreendente competitividade neste domingo.

Como disse Hamilton, ninguém imaginava ver a Ferrari na F1 tão rápida em Singapura depois do que Leclerc e Vettel fizeram em pistas de natureza semelhante, formada basicamente por curvas lentas. Na Hungria, por exemplo, Vettel foi terceiro, quase uma volta atrás do vencedor, Hamilton. Leclerc, quarto.

O grupo de engenheiros coordenados por Binotto introduziu no modelo SF90 da Ferrari um conjunto de novas peças concebidas para lhe dar maior pressão aerodinâmica, sua maior deficiência. E pelo que vimos em Singapura, funcionou.

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Idiossincrasia do circuito

Considero importante esclarecer algo. A inesperada velocidade da Ferrari no fim de semana teve muito a ver com a melhor exploração dos pneus Pirelli, os mais macios da sua gama, hipermacios, ultramacios e macios. A pista de Singapura tem particularidades. Enquanto a Ferrari consegue extrair mais velocidade dos seus pneus, a Mercedes tem dificuldades exatamente nesse exame.

Quem se lembra de que em 2015 a Mercedes também ganhava tudo, mas quando a F1 chegou em Singapura foi Vettel, já na Ferrari, quem levou a melhor. Hamilton e o diretor da Mercedes, Toto Wolff, nos disseram naquele ano: “Não conseguimos fazer os pneus funcionar, eles não aquecem o suficiente para nos dar maior aderência”.

Esse é o ponto. A Ferrari na F1 teve a mesma dificuldade na maior parte das corridas, este ano. A Mercedes prevaleceu com facilidade muito em função de melhor explorar os pneus. Mas no Circuito Marina Bay, domingo, Ferrari e Mercedes trocaram de posição. E a Red Bull, de quem se imaginava poder lutar pela vitória, também não tinha o melhor acerto para a pista, não tirou toda velocidade dos pneus.

Repare que a Ferrari foi primeira em Spa e Monza por causa da sua maior velocidade nas retas e em Singapura a eficiência do SF90 com os pneus a diferenciou de Mercedes e Red Bull.

O que desejo dizer é que Leclerc e Vettel venceram as três últimas provas em razão de serem ótimos pilotos, a Ferrari dar um importante passo para a frente na evolução do seu carro e das características, como escrevi, particulares desses três circuitos.

Não deverá ser assim nos seis GPs restantes da temporada. Rússia, já neste fim de semana, Japão, México, Estados Unidos, Brasil e Abu Dhabi.

Faz sentido acreditarmos que a melhora do carro da Ferrari permita a Leclerc e Vettel passarem a andar mais próximos de Hamilton,  Bottas e Max, com chance de vencer uma ou outra corrida. Mas será surpreendente, e muito, se eles imporem uma dominação nesta parte final da campeonato, como nas três últimas etapas.

Por tudo o que escrevi, podemos apostar boas fichas em que Mercedes, Ferrari e Red Bull nos ofereçam nos seis GPs um belo espetáculo, sem que conheçamos o vencedor de antemão, como foi na primeira parte do campeonato. Tomara!