Sérgio no GP da Áustria: classificação ruim, mas otimista para a corrida

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Spielberg, Áustria – Bem que Sérgio Sette Câmara comentou, antes dos treinos do GP da Áustria, que como no Circuito Red Bull Ring as diferenças de tempo são muito pequenas, todo décimo de segundo, a mais ou a menos na classificação, faria grande diferença.

A razão é a reduzida extensão da pista do GP da Áustria, 4.318 metros, e a existência, na prática, de somente 7 curvas.

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O holandês Nyck de Vries, já líder do campeonato da F2, foi quem melhor respondeu ao desafio do traçado austríaco e somou, nesta sexta-feira, 4 pontos aos 121 que tinha por ter estabelecido a pole position para a corrida deste sábado, com a marca de 1min14s143, à média de 209,6 km/h.

Assim, ampliou a diferença para o segundo colocado, o canadense Nicholas Latifi, companheiro de Sérgio na equipe DAMS, com 109 pontos. Latifi vai largar em sexto.

Sérgio disse não ter o carro da equipe DAMS na mão e obteve apenas o nono tempo, 1min14s709, a 566 milésimo de Vries.

Organização do GP da Áustria

Os 15 primeiros colocados no grid do GP da Áustria fizeram tempos dentro do mesmo segundo. O inglês Jordan King, da MP Motorsport, com 1min15s139, ou 996 milésimos mais lento que Vries, começa a prova neste sábado em 15º.

“Será uma prova de sobrevivência com calor excessivo”

Sérgio Sette Câmara

Mas o resultado da definição do grid, apesar do nono tempo, não foi de todo ruim para Sérgio, pois o inglês Jack Aitken, da Campos, com quem o mineiro luta, nessa fase da temporada, pelo terceiro lugar na classificação, não foi bem na classificação. Ficou em 14º. Ele tem 85 pontos e Sérgio, 80.

Depois de Vries em primeiro, o grid da sexta etapa do campeonato terá o francês Anthoine Hubert, da Arden, em segundo, o chinês Guanyu Zhou, da UNI-Virtuosi, terceiro, e o japonês Nobuharo Matsushita, Carlin, em quarto. O filho de Michael Schumacher, o também alemão Mick Schumacher, da Prema, começa a primeira corrida em sétimo.

A largada será às 11h45, horário de Brasília, 16h45 na Áustria. São 40 voltas ou uma hora de competição. O calor impressionante que assola a maior parte da Europa representa um grande desafio para os pilotos e seus engenheiros.

Grid não tira chances de boa prova

Em seguida ao treino de classificação, Sérgio deu o depoimento abaixo para a Youse sobre o GP da Áustria:

Oi, pessoal.

Você talvez se lembre de eu ter dito que se existe uma pista onde qualquer previsão tem grande chance de não dar certo é esta onde estamos, aqui em Spielberg. Nós tivemos um bom carro nas duas etapas anteriores, Mônaco e França, e estávamos confiantes em poder ser rápidos na classificação, hoje. Não foi o que aconteceu.

Já nos treinos livres vimos que o que havíamos imaginado seria bom para cá, refiro-me ao acerto básico, não estava funcionando. Acreditamos, com boa dose de possibilidade de estar certos, que se deva à temperatura extremamente eleva. O asfalto permaneceu ao redor dos 50 graus durante o dia. É muita coisa.

Os outros times reagiram melhor que o nosso a essa nova realidade. Em 2018, a temperatura ambiente não passou dos 20 graus. Estamos com mais de 30.

Quando vimos no treino livre que precisávamos mudar o acerto do carro, fizemos uma opção que o deixou ainda pior para a definição do grid. Ele saía de frente em alguns pontos e de traseira em outros. Se eu disser que ficar em nono, diante do carro desequilibrado que tinha, foi bom você acredita? Pois essa é a realidade. Poderia ser pior.

Tudo está perdido para mim aqui no GP da Áustria, por largar em nono e os dois primeiros colocados no campeonato, o Vries e o Nicholas, estarem em primeiro e sexto no grid? Não. Se em uma volta lançada eu e o Nicholas não tivemos carro para lutar pela primeira fila, a história será outra ao longo das desgastantes 40 voltas da corrida.

Lá em Paul Ricard, na França, no último fim de semana, comentei que o desgaste dos pneus era pequeno. Pois aqui no Circuito Red Bull Ring a Pirelli nos deu pneus macios e supermacios. Ninguém imaginava esse calor.

Amanhã pode escrever que a maioria vai largar com os supermacios e, como eles vão acabar rapidinho, nas primeiras voltas, passaremos para o macio. Quem souber levá-los até a bandeirada vai terminar bem colocado. Não será fácil, amigos.

Nosso ritmo de corrida é melhor que o de classificação. Esse é o motivo de eu acreditar poder somar amanhã importantes pontos. Penso ser bem possível assistirmos a várias mudanças de posição nas voltas finais porque os pneus vão estar no fim. Será uma prova de sobrevivência.

Vamos lá. Se lá em Paul Ricard a má largada me fez, provavelmente, perder a primeira corrida, pois estava na pole, na sede da DAMS em Le Mans, esta semana, trabalhamos duro para eu voltar a dar boas largadas. O meu grau de confiança aumentou. Nos falamos amanhã, aqui neste espaço, depois da corrida, combinado?