Sérgio Sette Câmara larga em 2º no GP da Bélgica

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O fim de semana começou de maneira bastante positiva para Sérgio Sette Câmara no Circuito Spa-Francorchamps, no GP da Bélgica. Na definição do grid para a primeira corrida da nona etapa do campeonato da F2, disputada neste sábado, o piloto da equipe DAMS, patrocinado pela Youse, estabeleceu o segundo tempo, com a marca de 1min58s576. A pole position ficou com o líder na classificação, o holandês Nyck de Vries, da ART, 272 milésimos mais veloz. Leia no fim do texto o depoimento de Sérgio.

Outra boa notícia para Sérgio, que tenta terminar a temporada como vice-campeão, foi a colocação do vice-líder da F2, o seu companheiro de DAMS, o canadense Nicholas Latifi, apenas 11º. Sérgio soma 141 pontos e Latifi, 166. Restam ainda as duas corridas de Spa, as de Monza, na Itália, Sochi, na Rússia, e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

O terceiro colocado no grid do GP da Bélgica é um adversário direto de Sérgio na luta pelo terceiro ou segundo lugar no campeonato, o inglês/coreano Jack Aitken, da Campos, com um tempo 209 milésimos pior.

Também a favor de Sérgio foi a classificação do italiano Luca Ghiotto, da UNI-Virtuosi, apenas décimo. Depois de Sérgio em terceiro no campeonato, com 141 pontos, estão Ghiotto, em quarto, com 135, e Aitken, quinto, 134.

O quarto colocado no grid da prova do sábado, em Spa, o japonês Nobuharo Matsushita, da Carlin, está um pouco longe de Sérgio na classificação, sétimo, com 85 pontos.

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Competitividade no GP da Bélgica

A sessão que definiu o grid foi marcada por duas bandeiras vermelhas decisivas para a resultado final. No começo do treino de meia hora, o Dallara-Mecachrome do inglês Callum Ilott, da Sauber Júnior, ficou parado na pista, bem na reta dos boxes. Como os comissários não conseguiam retirar o carro, o diretor de prova foi obrigado a interromper a classificação.

Só que Sérgio estava na sua volta lançada com o primeiro dos dois jogos de pneus a sua disposição. Não conseguiu terminar a volta e teve de ir para os boxes. A sessão foi reiniciada e todos marcaram seus tempos com o primeiro jogo de pneus.

Os 20 pilotos da F2 permaneceram parados nos boxes até faltarem cerca de sete minutos para o fim da sessão. Foi quando saíram com o segundo jogo de pneus macios novos para registrar seus tempos.

O primeiro a deixar os boxes foi Vries e o segundo, Sérgio, estratégia acertada das duas equipes, ART e DAMS, pois eles estariam já no fim da volta, no terceiro setor do circuito, se surgisse uma bandeira amarela, no primeiro e no segundo.

Pois foi exatamente o que aconteceu. O indonésio Sean Gelael, da Prema, perdeu o controle do carro nas curvas 12 e 13, tocou na barreira de pneus e ficou na área de escape. Quem já havia passado por lá teve o tempo da volta validado. Quem não, teve de se contentar com o tempo obtido com o primeiro jogo de pneus. A sessão não foi reiniciada por faltaram poucos segundos para o encerramento.

Isso é o que explica Ghiotto e Latifi, por exemplo, largarem mais para trás das posições normais que ocupariam, ainda que o canadense manifestasse, também, problemas nos freios.

Mas uma coisa, em Spa, é a classificação e outra bem diferente são as desgastantes 25 voltas da corrida na pista de 7.004 metros de extensão, 19 exigentes curvas. O desgaste dos pneus é elevado.

Para piorar as coisas, a previsão meteorológica indica elevada temperatura na hora da corrida, 16h45 na Bélgica, 11h45 em Brasília. Este ano o clima na região das Ardenas, onde se localiza o mítico e espetacular circuito, não tem sido típico, pois o céu permaneceu azul quase o tempo todo, não choveu e faz calor.

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Confira o depoimento de Sérgio Sette Câmara, depois de conquistar o segundo tempo no grid

Olá, amigos

Confesso estar um pouco surpreso com o resultado. No treino livre da manhã, eu e os engenheiros da DAMS vimos que o acerto básico do nosso carro não era dos melhores. Não estava equilibrado. Como mexer radicalmente nos ajustes mecânicos e aerodinâmicos no carro da F2 demanda um tempo que não tínhamos, mexemos no que dava para a tomada de tempo.

E logo de cara vi que ele estava bem melhor. Eu e o Nyck (Nyck de Vries) saímos assim que a pista foi liberada. E aceleramos tudo o que dava com o primeiro jogo de pneus. Quando eu estava já chegando no terceiro seror da pista, depois da curva 11, a equipe me informou da bandeira vermelha. Vimos as bandeiras, também.

Fui para os boxes aguardar o recomeço do treino sabendo que com aqueles pneus não faria muita coisa, por causa de exigir tudo deles da linha de chegada às curvas 10, 11, as que mais desgastam os pneus. Não deu outra. Quando liberaram a pista não fui além do oitavo tempo com aquele jogo de pneus.

Mas tínhamos ainda um segundo jogo. De novo eu e o Nyck saímos dos boxes na frente de todo mundo. Fiz um bom primeiro setor, um bom segundo também e quando entrei no terceiro e último sabia que mesmo que algum piloto provocasse uma bandeira amarela, seria no setor um ou dois, pelos quais já havia passado, portanto aquele volta valeria para mim.

Não deu outra. Houve uma bandeira amarela no setor 2 (provocada por Sean Gelael, da Prema) e quem passou, passou, quem não, teve de ficar com o tempo do primeiro jogo de pneus.

Nossa estratégia funcionou. Cruzei a linha de chegada 272 milésimos mais lento que o Nyck, resultado não ruim diante de todas as dificuldades, refiro-me ao carro não bem acertado no início deste GP e ao fato de ter perdido o primeiro jogo de pneus.

Mas isso, infelizmente, não quer dizer muita coisa. A administração dos pneus será a chave na corrida deste sábado. E a previsão é de calor forte, pior ainda. O problema não apenas para mim, mas para todos nós, pilotos, é que o treino livre, já curto, 45 minutos, teve também bandeira vermelha.

As referências de simulação de corrida foram mínimas. Vamos para a largada, amanhã, sem saber como o carro irá se comportar por exemplo na segunda metade da prova. Usaremos o conhecimento do ano passado, uma referência distante de ser precisa, mas é o que todos temos. Vale para todos.

Torçamos para que o acerto escolhido com a minha equipe esteja dentre os que funcionem. Como escrevi aqui ontem, todos os GPs são importantes, mas este e o de Monza, pelo momento, ganham uma dimensão maior. Nos falamos, agora, amanhã, depois da primeira corrida. Abraços.