Sérgio Sette Câmara volta ao 3º lugar na F2 após pódio na Hungria

Desempenho positivo em Hungaroring levou Sérgio de volta à terceira colocação no campeonato

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Budapeste, Hungria – A primeira parte da temporada terminou bem para Sérgio Sette Câmara, patrocinado pela Youse. Neste domingo no Circuito Hungaroring, em Budapeste, o piloto da equipe DAMS chegou ao pódio, com o terceiro lugar na segunda corrida do GP da Hungria, oitava etapa da F2. A outra boa notícia foi o fato de os dois primeiros estarem bem atrás dele na classificação do campeonato. O filho de Michael Schumacher, Mick, da Prema, venceu a prova, a sua primeira na F2, e o japonês Nobuharo Matsushita, da Carlin, ficou em segundo.

A combinação entre o quinto lugar na corrida do sábado e o terceiro neste domingo, associada ao que fizeram seus adversários mais diretos, levou Sérgio de volta à terceira colocação. O piloto com quem Sérgio luta pelo terceiro lugar da F2, o italiano Luca Ghiotto, da UNI-Virtuosi, foi quarto e oitavo. Assim, Sergio somou nos dois dias 20 pontos enquanto Ghiotto, 13. Agora, restando quatro etapas, oito corridas, para o encerramento da temporada, Sérgio soma 141 pontos e Ghiotto, 135.

Essa disputa é particularmente importante porque os três primeiros colocados na classificação final do campeonato recebem os 40 pontos na carteira necessários para obter o superlicença, documento que permite ao piloto candidatar-se a competir na F1. No caso de Sérgio, como já somou 10 pontos no ano passado, por ter sido sexto no campeonato, basta ser quarto este ano.

As monótomas 28 voltas da corrida deste domingo constrataram com as fortes emoções que as provas de F2 costumam oferecer. Uma das raras ultrapassagens foram as de Sérgio sobre o inglês Jordan King, da MP Motorsport, na largada. Pelo critério de inversão dos oito primeiros no sábado para definir o grid da corrida do domingo, Mick Schumacher largou na pole, por ter sido oitavo, Matsushita, em segundo, King, terceiro, e Sérgio em quarto.

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Sérgio Sette Câmara quase foi segundo

Na 17ª volta, Sérgio Sette Câmara percorreu as curvas um e dois lado a lado com Matsushita, valia a segunda colocação. Mas o japonês conseguiu manter-se em segundo. Como fez calor, 29 graus, neste domingo e os 4.381 metros do traçado húngaro não dão uma trégua aos pneus, por uma curva emendar com a outra, quase sem retas, os pneus condicionaram a corrida.

Quem exigisse um pouco mais teria de fazer um pit stop, comprometendo qualquer possibilidade de um melhor resultado. Essa foi a principal razão de os pilotos pouco lutarem. Sérgio Sette Câmara, por exemplo, depois de tentar ultrapassar Matsushita, teve de conter o ritmo até a bandeirada, 11 voltas mais tarde.

O vencedor no sábado, o canadense Nicholas Latifi, companheiro de Sérgio na DAMS, largou em oitavo e não teve como tentar avançar na classificação neste domingo. Chegou em sétimo porque Ghiotto, quinto no grid, largou mal e caiu para nono. E segundo no sábado, o holandês Nyck de Vries, da ART, saiu da sétima posição no grid e, como Latifi, ganhou uma posição por conta do problema com Ghiotto. Mais nada.

Nyck de Vries lidera o campeonato com 196 pontos, seguido por Latifi, 166. Como mencionado, Sérgio vem a seguir, com 141.

A temporada será retomada no último fim de semana no mês, no circuito favorito da maioria dos pilotos, Spa-Francorchamps, na Bélgica. Os carros da F2 voltam à pista agora dia 30, com os primeiros treinos livres da nona etapa do calendário. A F2 irá depois já na semana seguinte para a Itália, Monza, de 6 a 8 de setembro, Rússia, de 27 a 29, e faz uma pausa para a 12ª e última prova do ano, em Abu Dhabi, de 29 de novembro a 1º de dezembro.

Sérgio: “Quem acelerasse neste domingo ficava sem pneus no fim”.

Veja o depoimento de Sette Câmara

Depois das entrevistas dos três primeiros colocados na corrida deste domingo, Sérgio Sette Câmara deu o depoimento abaixo para a Youse:

Olá, amigos.

Não foi como eu gostaria, mas também não tenho do que me lamentar do fim de semana. Na sexta-feira, choveu na sessão de classificação e em toda a minha confiança em outro grande resultado como a pole position do ano passado, aqui no Circuito Hungaroring, se transformou em decepção e motivo de preocupação.

Eu não conseguia pilotar o meu carro no molhado, confiança zero, não tinha aderência. Não fui além do 13º lugar. Imagine como eu me senti diante da expectativa de lutar pela primeira fila, como fez o meu companheiro, o Nicholas, terceiro no grid, e me ver lá atrás em um circuito onde as ultrapassagens são bem difíceis.

No sábado corremos no seco e avancei do 13º lugar para o quinto. O prejuízo foi menor do que poderia ter sido. Eu me diverti com as ultrapassagens.

Neste domingo larguei em quarto. Como no sábado, dei uma boa largada, a ponto de ultrapassar o King para assumir o terceiro lugar. Todos nós vimos rápido que a degradação dos pneus seria muito elevada. A única forma de receber a bandeirada sem pit stop seria estabelecer um ritmo razoável e seguir o planejado. Qualquer coisa fora disso implicaria pagar um preço alto.

O meu carro estava bem equilibrado, pilotei na ponta dos dedos para ser veloz e não desgastar demais os pneus. Isso me permitiu entrar no vácuo do Matsushita e com a ajuda do DRS (flap móvel), coloquei meu carro de lado na curva 1. Cheguei a ultrapassá-lo. Mas na saída da curva acelerei, talvez um pouco mais do devido, e a traseira deu uma balançada, o suficiente para, com pouca aderência, tracionar em falso e o Matsushita retomar a segunda colocação.

Acredito que como o Mick (Schumacher) se arrastava no fim, como todos nós, com os pneus no limite, talvez desse até para vencer, os meus estavam ruins, mas nem tanto. Infelizmente a ultrapassagem no japonês não foi possível e a partir daí meu objetivo era garantir o terceiro lugar.

O King, atrás de mim, estava ainda mais crítico com os pneus, pude entender, e relaxei um pouco. Recebi a bandeirada em terceiro, a três segundos do Mick e a menos de dois do Matsushita, enquanto o King, quarto, a menos de um segundo de mim, mas porque eu tirei o pé na última volta para correr o mínimo de riscos.

Eu escrevi ontem que gravaria um vídeo, neste domingo, depois da corrida. O que nem todos sabem é que somos proibidos de gravar vídeos dentro do autódromo. A ideia era gravá-lo do lado de fora, mas como toda a programação atrasou e eu tinha o voo marcado, saí da reunião com os engenheiros da DAMS direto para o aeroporto, no limite da hora.

Enquanto ia como passageiro de carro para o aeroporto redigi este texto, sempre prazeroso para mim.

Terminar a primeira parte da temporada em alta é sempre muito bom. Voltei ao terceiro lugar. Considerando-se os problemas que tive nas etapas do Azerbaijão e da Espanha, em que marquei 6 pontos em quatro corridas, não há como não considerar essa terceira colocação como um bom resultado.

Vou lutar para chegar no Nicholas, claro, 25 pontos na minha frente, para terminar o campeonato em segundo. Os próximos dois GPs serão em pistas onde já venci e cheguei no pódio, adoro correr lá, Spa-Francorchamps e Monza. Mas se não der para avançar para o segundo lugar na classificação geral, vou estar contente também com o terceiro.

Eu receberia 40 pontos e a superlicença, o que me permitiria conversar com as equipes de F1. Meu currículo, sem presunção, é bom, tenho pole, vitórias e uma extensa coleção de pódios na F2, além disso, trago quase sempre o carro inteiro de volta aos boxes e com bons pontos no bolso. Sempre é possível melhorar, obviamente.

Temos agora três semanas antes de eu embarcar em Barcelona com destino a Bruxelas para o GP da Bélgica. Vou treinar bastante fisicamente, andar muito de kart, me reunir com os engenheiros da DAMS, em Le Mans, a duas horas de carro de Paris, treinar horas e horas no simulador e ficar um pouco em casa com a família em Belo Horizonte, ótima fonte de energia e harmonia para mim.

Desejo a vocês um ótimo mês de agosto, verão bravo aqui na Europa, e nos encontramos novamente nas próximas semanas. Obrigado por seguir meu trabalho aqui neste espaço criado pela Youse. Abraços.