Sette Câmara sobre o GP Brasil de F1: “Será emocionante”

“Quem eu acredito que pode disputar grande corrida é a Red Bull. Eles são rápidos em alguns tipos de pista, como imagino ser o caso de Interlagos” diz Sérgio.

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Imagem| © 2019 Sebastiaan Rozendaal / Dutch Photo Agency

Enquanto se prepara para a etapa final da F2, de 29 de novembro a 1º de dezembro no Circuito Yas Marina, em Abu Dhabi, Sérgio Sette Câmara também se dedica ao trabalho no simulador de F1 da McLaren. Dentre uma e outra sessão de treinos, o piloto da equipe DAMS na F2, de 21 anos de idade, analisou para a Youse o GP Brasil de F1, programado para o fim de semana em Interlagos.

Os dois títulos em jogo na F1 já foram definidos. Lewis Hamilton conquistou seu sexto mundial, na última etapa, nos Estados Unidos, 19ª do calendário, e a sua equipe, Mercedes, também, entre os construtores. Isso deixa os pilotos mais livres para assumir alguns riscos que quando o campeonato está em jogo eles evitam. Isso pode permitir belos pegas ao longo das 71 voltas da corrida, quase sempre sob clima imprevisível.

Sérgio falou sobre o GP Brasil:

Apesar de bastante ocupado com os treinos físicos, trabalhos no simulador da McLaren e em definir o meu rumo profissional no ano que vem, de novo na F2, consegui assistir às últimas corridas de F1. Sobre o que imagino da prova em Interlagos, eu diria que há profissionais com maior vivência no meio para poder emitir uma análise. Mas vamos lá.

Para mim, o carro mais regular segue sendo o W10 da Mercedes, na média. É um carro rápido e confiável, como atestam as 14 vitórias em 19 etapas, 10 com Lewis Hamilton e 4, Valtteri Bottas.  Os dois, portanto, devem, para mim, lutar pela vitória no domingo.

Nós não sabemos como reagirá a Ferrari. Lá em Austin o novo controle no fluxo de combustível, ao que parece, levou a Ferrari a perder um pouco da sua incrível velocidade nas retas. Mas não ficou claro completamente se esse foi o problema deles para justificar a pouca competitividade. O Sebastian Vettel abandonou no ínicio, com a suspensão quebrada, e Charles Leclerc competiu com um motor da versão mais antiga, com menos potência.

O evento em Interlagos nos dirá se a Ferrari foi mesmo afetada com a nova regulamentação. É um traçado onde eles podem se dar bem. Da saída da curva Junção até a freada do S do Senna temos algo como 1.200 metro de pé no fundo. E depois, da segunda perna do S do Senna até a freada do Lago, outros 800 metros. Se continuarem com a potência que vimos de Spa, na Bélgica, até a prova no México, Vettel e Leclerc deverão lutar pela vitória, pois a velocidade final nas retas conta muito no 4.309 metros de Interlagos.

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Quem eu acredito que pode disputar grande corrida é a Red Bull. Eles são rápidos em alguns tipos de pista, como imagino ser o caso de Interlagos. Este ano trocaram o motor, Renault para Honda. Mas em 2018 Max Verstappen teve o carro mais rápido no México, onde venceu, e em Interlagos. Não fosse o incrível toque com Esteban Ocon (Racing Point), retardatário, no S do Senna, Max teria vencido no Brasil.

Estou apostando parte de minhas fichas que Max e Alexander Albon serão rápidos em Interlagos.

Bem, por essa minha projeção o cenário não é tão diferente do das últimas corridas, a não ser a dúvida sobre a Ferrari.

No caso do GP Brasil, pilotos e equipes levam sempre em consideração a possibilidade de chuva. Tenha a certeza de que os estrategistas vão chegar em São Paulo com alguns estudos sobre como melhor reagir se a pista ficar molhada. Se for nas primeiras voltas, o mais indicado é isso, se for na metade da prova, as simulações sugerem aquilo, coisas desse tipo.

Gosto sempre de assistir à corrida de Interlagos, onde sonho estar em um carro de F1 em 2021, por ser quase sempre imprevisível. Acontece de tudo. Quando você pensa que as posições se acomodaram, surge uma novidade que muda tudo. Isso é ótimo. É uma competição em que a eficiência da sua resposta a essas mudanças tem um peso enorme no resultado. O papel da equipe também cresce no GP Brasil.

Outra coisa que gosto em Interlagos é a disposição das duas retas com arquibancas bem próximas. E um público que manifesta sem hesitar suas preferências. Com quem converso da F1, eles me sinalizam adorar tudo isso.

Em resumo, amigos, eu penso que teremos outra corrida emocionante, como tem sido a maioria nessa segunda metade de campeonato. Tomara seja mesmo assim.