Relembre a história do Brasil na F1 com Sérgio Sette Câmara

O piloto fala sobre os 50 anos da primeira vitória do país no automobilismo

• por
Divulgação/Sérgio Sette Câmara

Há quem diga que o Brasil é o país do futebol, mas a verdade é que o automobilismo vem ganhando cada vez mais fãs por aqui. Afinal de contas, não é todo país que pode se gabar de ter um ídolo como Ayrton Senna, né? Ao longo de 48 anos seguidos participando de competições, a gente já conquistou oito títulos mundiais, 101 vitórias e 126 pole positions. Dá pra acreditar que a nossa primeira vitória aconteceu há 50 anos? A gente convidou Sérgio Sette Câmara, piloto patrocinado pela Youse, pra relembrar as história do Brasil na F1, sempre marcadas por muita emoção e banhos de champanhe! 🙂

Saiba+: Sérgio Sette Câmara fala sobre tecnologia, Fórmula-E e os desafios da F1

Saiba+: 5 coisas que você não sabe sobre Sérgio Sette Câmara

Sérgio Sette Câmara relembra história do Brasil na F1

A história do Brasil na F1 começou em 1951, no Grande Prêmio da Itália. Aos 44 anos, o brasileiro Francisco Landi entrou na disputa com sua Ferrari particular. Ele acabou não completando a primeira volta, mas marcou nossa trajetória no campeonato. Um ano depois, Gino Bianco dava as caras na categoria. Assim como Nano da Silva, em 55, e Fritz D’Orey, em 59.  

Depois disso, o país se ausentou da competição até 1970, com a chegada de Emerson Fittipaldi, quando ganhou seu primeiro título, com a Lotus, no GP da Grã-Bretanha. Aos 25 anos, ele se tornou o mais jovem piloto a ser campeão, superado apenas em 2005 por Fernando Alonso. Já em 1972, quem ajudava a moldar a história do Brasil na competição mundial era José Carlos Pace e Wilson Fittipaldi Júnior, irmão do então campeão brasileiro. Em 1985, o Autódromo de Interlagos ganhou o nome Carlos Pace depois de sua morte em março de 1977, em um acidente aéreo na Serra da Cantareira.

A categoria também teve algumas brilhantes – e pequenas – participações: em 1973, com Luiz Bueno, assim como Ingo Hoffman e Alex Ribeiro, em 1976. Em 1981, mais um grande piloto entrou pra nossa lista de campeões: Nelson Piquet, que começou sua carreira na Fórmula 1 em 1978, aos 26 anos. Ele também conquistou o campeonato em 83 e 87. Nesse meio tempo tivemos a participação de Chico Serra, entre 81 e 83, e de Raul Boesel, em 82 e 83.  “Lembro de assistir à Fórmula 1 com meu pai, meu tio e meu avô. A competição unia minha família e foi assim que surgiu a vontade de me tornar um piloto também”, conta Sette Câmara, piloto reserva da Alpha Tauri e da Red Bull, e uma das promessas para o futuro do Brasil na F1. 

O próximo brasileiro a se destacar nas pistas foi ninguém mais, ninguém menos que Ayrton Senna, que deixou sua marca no mundo ao se tornar o piloto mais jovem a conquistar o tricampeonato, em 88, 90 e 91. Ele também foi vice-campeão em 89 e 93 e até hoje é considerado o melhor brasileiro de todos os tempos na F1 e uma referência para profissionais do mundo todo. “Foi com o Senna que a Fórmula 1 se tornou popular no Brasil”, lembra Sette Câmara.

Aliás quem não conhece o S do Senna em Interlagos? Em 1989, o autódromo era um grande canteiro de obras de um sonho: receber o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 de volta, em março de 1990, após nove anos de corrida no Rio. Em uma de suas vindas a São Paulo, Senna visitou as obras e, em meio a debates sobre como encurtar a pista, sugeriu que fosse construída uma ligação entre o anel externo e o miolo do circuito no final da reta dos boxes, em um mergulho em forma de S – o resto é história!

Dos 10 anos em que Senna participou da categoria, o Brasil levou alguns nomes para a F1: Roberto Pupo Moreno, em 1987, Maurício Gugelmin, em 1988 e Christian Fittipaldi, em 92, sobrinho do campeão Emerson Fittipaldi. Em 1° de maio de 1994, a vida de Senna teve um fim trágico, resultado de uma colisão entre o carro do piloto e uma barreira de concreto, enquanto participava do Grande Prêmio de San Marino, no Autódromo Enzo e Dino Ferrari, em Ímola, na Itália. Com certeza uma das mortes mais sentidas do país e lembrada até hoje por todos os brasileiros.

Também não podemos deixar de falar de Rubens Barrichello, que, com 19 temporadas seguidas, foi quem ficou mais tempo em atividade, até 2011. Nesse meio tempo tivemos nomes como Pedro Paulo Diniz, Ricardo Rosset, Tarso Marques, Ricardo Zonta, Luciano Burti, Enrique Bernoldi, Antônio Pizzonia, Felipe Massa, Cristiano da Matta, Nelson Piquet Jr., Lucas Di Grassi, Bruno Senna e Felipe Nasr. 

Atualmente, estamos passando por um hiato longe das pistas, desde 2017, com Felipe Massa, no GP de Abu Dhabi. Para Serginho, a nova geração de pilotos é a que mais vai sentir essa falta. “Senna é meu maior ídolo, mas ele não foi um piloto da minha época. Vi Barrichello e Massa representando o Brasil na F1 e isso foi muito importante para eu querer correr. Uma criança precisa olhar pra TV e ver um ídolo: Senna nas pistas, Pelé no futebol, Guga nas quadras. A tendência é que ídolos puxem ídolos, ainda mais quando é do seu país. A criança percebe que é possível fazer aquilo também.”

O piloto acredita que os motivos que levaram à falta de representatividade do Brasil na F1 sejam a necessidade de investimento inicial alto e o foco do país em outras categorias. “Na Fórmula-e temos o Lucas di Grassi e o Nelson Piquet Jr. e na Fórmula Indy também somos muito bem representados. O Brasil é forte no automobilismo, só falta alguém na F1, Mas estamos olhando pra isso e tenho certeza de que não vai demorar a acontecer”, analisa.

Por aqui, a gente fica na torcida para que o Brasil volte com tudo! Pra mais informações e curiosidades sobre esse universo, continue acompanhando a gente por aqui e pelas nossas redes sociais. 🙂