Sérgio Sette na F2: resultados abaixo do esperado, mas otimista quanto ao futuro

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Nice, França – Não está sendo, sob nenhuma hipótese, o começo de campeonato na F2 que Sérgio Sette Câmara imaginou quando deixou a equipe inglesa Carlin, no fim de 2018, para disputar a atual temporada pela francesa DAMS. É o próprio piloto quem afirma nessa entrevista para a Youse, sua patrocinadora.

Depois de quatro etapas disputadas, de um total de 12, Barein, Azerbaijão, Espanha e Mônaco, oito corridas, Sérgio Sette ocupa a sexta colocação na classificação, com 52 pontos. O líder é o seu companheiro na DAMS, o canadense Nicholas Latifi, com 95. A seguir vêm o holandês Nicky de Vries, da ART, um ponto somente a menos, 94, e o italiano Luca Ghiotto, da UNI-Virtuosi, com 67.

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Na abertura do campeonato, no Circuito de Sakhir, de 29 a 30 de março, Sérgio largou em oitavo na primeira corrida, no sábado, e terminou em terceiro. Na segunda, pelo critério do grid invertido entre os oito primeiros, Sérgio saiu da sexta posição no grid para de novo chegar no pódio, segundo.

Na etapa seguinte, na pista de rua de Baku, de 26 a 28 de abril, Sérgio Sette largou no sábado em quarto, mas foi tocado por trás por Ghiotto, mandando-o no muro. Abandonou. Na corrida do domingo, começou lá atrás, 17º, e recebeu a bandeirada em sexto.

Na Espanha, ao lado de onde reside, de 10 a 12 de maio, Sérgio também não terminou a prova em razão de um problema elétrico. Era o sétimo no grid. No domingo, largou em 18º e chegou em 17º.

Sérgio Sette volta a reagir

As coisas começaram a melhorar de novo no evento seguinte, no Circuito de Monte Carlo, de 23 a 26 de maio. Sérgio Sette era o sexto no grid, sábado, e conquistou seu primeiro pódio em Mônaco, terceiro. No domingo, começou e terminou em sexto.

Neste fim de semana a F2 está de folga. A F1 realiza em Montreal, no Canadá, sua sétima etapa. A F2 se apresenta de novo de 21 a 23 do mês em Paul Ricard, na França, quinta prova do calendário.

Neste fim de semana a F2 está de folga. A F1 realiza em Montreal, no Canadá, sua sétima etapa. A F2 se apresenta de novo de 21 a 23 do mês em Paul Ricard, na França, quinta prova do calendário.

Equipe um tanto particular

Livio Oricchio (LO) – Sérgio, por que os resultados estão abaixo do esperado?
Sérgio Sette Câmara (SSC) – A mudança da Carlin para a DAMS foi bem maior do que eu poderia imaginar. Já nos primeiros testes, no fim do ano passado, em Adu Dhabi, vi que eles têm uma maneira diferente de trabalhar o carro, acertá-lo. Mas depois de muita dedicação, minha e deles, nos treinos deste ano, conseguimos fazer o carro reagir mais de acordo a como consigo tirar velocidade.

Na primeira etapa, em Barein, fui ao pódio duas vezes, mas eu sabia que talvez não seguiria sendo assim. No Azerbaijão meu carro já não estava dentre os mais rápidos. Em Barcelona, chegamos ao fundo do poço, faltava tudo, não possuía ritmo para acompanhar os primeiros. Em Mônaco as coisas começaram a melhorar.

LO – Qual sua maior dificuldade?
SSC – Começa com a forma como o time é administrado, isso também repercute na minha possibilidade de produzir. Já expressei a minha visão, mas não creio que irá mudar. É diferente do que conheci na Carlin, no ano passado, e mesmo na MP Motorsport, em 2017, no meu primeiro ano na F2. Por isso em Mônaco me concentrei exclusivamente em trabalhar com o que disponho, esquecer o que conhecia. A relação com o meu engenheiro, Damien Augier, é boa, ele adora vencer, como eu, trabalhamos bem.

Youse – O seu companheiro, no quarto ano na F2 e o quarto na DAMS, tem obtido bons resultados, lidera o campeonato. Por que essa diferença?
SSC – Em primeiro lugar, o Nicholas está fazendo um bom trabalho, está usando muito bem a experiência dos três anos anteriores na DAMS para estar sempre, agora, dentre os primeiros. Não era assim. Mérito dele e de seu grupo de trabalho. Meu rendimento está abaixo do dele porque não dispus de um carro que me permitisse ter aquela confiança máxima para buscar o limite o tempo todo. Isso afeta mais a minha classificação para o grid, a volta lançada, e na F2 é fundamental largar bem na frente. Mas senti que depois de ter ido mal em Barcelona e mudar a maneira de encarar a relação com a equipe as coisas parecem que começaram a entrar no eixo. Vamos ver se na França seguimos evoluindo. Estou confiante.

LO – Você nos disse, no início do ano, que seu objetivo é ser campeão. Mas no caso de não dar, terminar entre os três primeiros é a segunda meta. Você estuda como recuperar os pontos não possíveis nesses GPs já disputados?
SSC – Se você observar a classificação do campeonato, não estou distante do Ghiotto, terceiro. Ele soma 67 pontos e eu, 52. Depende do que acontecer na França, já lá eu posso assumir o terceiro lugar. Eu disse que o importante é realizar um grande trabalho, ficar entre os três primeiros no fim do ano e receber a superlicença para negociar com as equipes de F1, para o ano que vem. Já quanto a vencer o campeonato, obviamente o Nicholas e Vries estão longe, mas se tiverem um fim de semana como o meu em Baku, em que bateram na traseira do meu carro e não marquei pontos, e eu tiver como aproveitar a oportunidade, posso chegar neles. O importante é viver o prova a prova da temporada e depois ver como fica. Senti em Mônaco que, como mencionei, nosso trabalho começou a dar os resultados esperados, o carro veio mais para o meu gosto.

LO – Como está o seu trabalho na McLaren, como piloto no simulador, acrescenta bastante a sua formação?
SSC – Tem sido um grande aprendizado. As horas de simulador e, principalmente, o breve teste que fiz com o carro de F1 deste ano da McLaren, em Barcelona, me apresentaram o desafiador universo da F1. O que primeiro você entende é a necessidade de prestar atenção a um número bem maior de parâmetros, não falo em detalhes, para melhorar a performance do carro. Nada pode passar despercebido. Quando chegar na F1, e espero estar lá no ano que vem, não vou ser pego de surpresa, ao menos em relação a isso, a necessidade de não deixar passar nada em branco para acertar o carro.