Sergio Sette Câmara comenta chegada ao pódio no Circuito de Sakhir

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Sergio sette no podio de sakhir Sergio sette no podio de sakhir

Faltou pouco para Sérgio Sette Câmara vencer a corrida deste domingo no Circuito de Sakhir, segunda do GP de Barein. O piloto da equipe DAMS e patrocinado pela Youse largou espetacularmente, ao pular de sexto para segundo ainda na primeira volta, ultrapassar o então líder, o alemão Mick Schumacher, da Prema, na segunda, perder a liderança para o italiano Luca Ghiotto, da Uni-Virtuosi, na quarta volta, reassumi-la na 12ª, quando o italiano fez um inesperado pit stop, e só perdê-la novamente para o mesmo Ghiotto, na 21ª volta, a duas voltas da bandeirada. Sérgio terminou em segundo, com o companheiro de DAMS, o canadense Nicholas Latifi, em terceiro.

Como na corrida do sábado Sérgio também chegou no pódio, terceiro colocado, depois de largar em oitavo, o saldo da etapa de abertura do campeonato da F2 é bastante positivo: um terceiro e um segundo lugares. Ainda mais relevante é o fato de a DAMS demonstrar dispor nesse início de temporada, junto da UNI-Virtuosi, o carro mais rápido e equilibrado da F2, já que Latifi venceu no sábado e foi terceiro neste domingo.

A DAMS já lidera entre as equipes, com 62 pontos contra 48 da UNI-Virtuosi, enquanto Sérgio é terceiro entre os pilotos, com 27 pontos, diante de 35 de Latifi e 37 do líder, Ghiotto. A segunda etapa da disputadíssima F2 será entre os dias 26 e 28 de abril no Circuito de Baku, no Azerbaijão. Nesse espaço, a F1 viaja para a Xangai, China, onde dia 14 realiza a corrida de número mil da sua história, iniciada em 1950.

Depoimento do piloto

Depois da cerimônia do pódio, no Circuito de Sakhir, Sérgio deu o depoimente abaixo, exclusivo, para a Youse:

Oi, pessoal! Se você leu o que escrevi ontem, sábado, em seguida a ser terceiro na primeira corrida do fim de semana, aqui no Circuito de Sakhir, deve ter percebido que eu não estava lá muito feliz. Ok, cheguei no pódio, depois de largar em oitavo, você pode pensar até que teria razões para estar feliz. Estava apenas parcialmente. Volto a falar disso.

Hoje, domingo, sinto de novo uma mistura de grande prazer associada a uma ponta de frustração. Na corrida do domingo na F2, normalmente quando você está na liderança a duas voltas da bandeirada não deixa a vitória escapar. Mas minha ótima equipe e eu deixamos. Explico.

O Ghiotto, ele e seus engenheiros, viram que no caso dos 5.412 metros da pista do Barein, 15 curvas, o asfalto mais abrasivo dentre as 12 do nosso calendário, e das 21 da F1, era possível fazer um pit stop na corrida do domingo e ainda assim vencer.

Aqui no circuito de Barein, a prova tem 23 voltas. No sábado é maior, 32 voltas, e por regulamento temos de fazer um pit stop. No domingo, em condições normais, se você faz um pit stop não há chance sequer de somar pontos. Mas o Circuito de Sakhir é tão particular que mesmo você parando para trocar os pneus médios da largada pelo macios, com fez o Ghiotto, na 12ª volta, há a possibilidade não apenas de chegar no pódio como vencer.

O pessoal do Ghiotto deve ter quebrado a cabeça nos cálculos para entender em que condição seu piloto precisaria estar na corrida para arriscar a estratégia. E funcionou tudo com perfeição para eles. Parabéns!

Parar ou não

Nas conversas via rádio com o meu engenheiro, Damien, e os demais integrantes da DAMS, discutimos se valeria a pena fazer o mesmo. No fim decidimos permanecer na pista, não parar. Não estou certo de que tomamos a decisão mais apropriada. Acredito que se o time me tivesse chamado para os boxes para trocar os pneus médios da largada pelo macios, nós venceríamos a corrida. Mas valeu como aprendizado. É por isso que eu estou apenas parcialmente contente hoje também, como ontem.

No sábado, o erro que cometi na definição do grid, na sexta-feira, fazendo-me largar em oitavo, ainda me afetava. Por isso não festejei tanto o meu pódio.

Vamos falar mais de hoje, domingo. Se você assistiu à corrida deve ter visto que larguei muito bem, o carro tracionou rápido e em instantes eu já lutava lá na frente. Consegui ganhar ainda na primeira volta as posições do Hubert (o francês Anthoine Hubert, da Arden), quinto no grid, a do Deletraz (o suíço Louis Deletraz, da Carlin), quarto, e do De Vries (o holandês Nyck de Vries, da ART), terceiro.

Isso me levou à segunda colocação ainda na primeira volta. Vi que tinha melhor ritmo que Mick Schumacher, da Prema, então líder. Ele havia sido oitavo no sábado e o regulamento da F2 determina que o oitavo no sábado larga no domingo na pole position. O sétimo, em segundo. O sexto, em terceiro e assim por diante. Eu fui terceiro no sábado, portanto sexto no grid neste domingo.

Assim que encostei no Mick comecei a estudar como poderia ultrapassá-lo. Eu queria sair logo daquela situação porque se você fica muito tempo atrás seus pneus acabam. Ainda na segunda volta eu o deixei para trás e abri alguma diferença. Mas o meu companheiro, o Latifi, foi ultrapassado também pelo Ghiotto e de cara começou a se aproximar de mim. O time deles está com o carro muito rápido também, haja vista que o Ghiotto estabeleceu a pole position, na sexta-feira. Na quarta volta ele me ultrapassou para ser líder.

A essa altura, comecei outro duelo, com o meu companheiro, o Latifi. Fechei a porta legalmente, no fim da reta. Ele podia usar o DRS e eu não. Mesmo assim fui capaz de me manter na frente. A seguir seus pneus perderam performance.

Na 11ª volta de um total de 23, o Ghiotto estava em primeiro, eu em segundo, 5 segundos atrás e economizando os pneus médios da largada, e o Latife em terceiro, a pouco mais de um segundo de mim. De repente, na volta seguinte, o Ghiotto foi para os boxes. Isso mexeu conosco. Valeria a pena fazer o mesmo?

O time dele colocou pneus macios novos e ele voltou à pista algo como três segundos mais rápido do que todos. Regressou em 13º, 25 segundos depois de mim, líder de novo. Eu conseguia ser rápido, sem expor os pneus a grandes esforços, tanto que meu ritmo nas voltas finais era bom. Obviamente não se compara com quem tinha pneus macios novos, colocados oito voltas antes.

Muito mais rápido

O Ghiotto me ultrapassou a duas voltas da bandeirada sem que eu tivesse chance de me defender, tamanha a diferença de velocidade entre nós. Mas, como mencionei, não posso estar triste, não faz sentido, apenas um pouquinho frustrado por saber ser possível ter vencido tanto a corrida do sábado, se não tivesse errado na classificação, sexta-feira, como neste domingo, se também tivesse feito o pit stop.

O resultado completo da corrida deste domingo e do sábado você tem no site oficia da F2.

O importante é que saio do Barein com os pontos que programei a cada etapa, algo como 25, tenho 27, e a DAMS ratificou a impressão deixada nos testes da pré-temporada, em Jerez de la Frontera e Barcelona, de que dispomos, nesse momento, de um grande carro.

Estou ansioso para ir, agora, a Baku, pista que adoro. No ano passado liderei a maior parte da corrida do domingo, lá, acabei em segundo, mas me desclassificaram por não ter um litro de gasolina no tanque, no fim, como manda o regulamento. Espero agora não ter nenhum problema.

Vou para o Brasil, nos próximos dias, aproveitando o intervalo no nosso calendário, para compromissos com a Youse. Voltamos a nos falar, claro, bem antes da corrida de Baku. Começamos bem, amigos. Obrigado pelo apoio. Abraços.