Sérgio Sette termina 1ª corrida em quinto na Hungria

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Budapeste, Hungria – Quando Sérgio Sette Câmara, patrocinado pela Youse, piloto da equipe DAMS, disse neste sábado, depois de obter ontem apenas o 13º tempo na sessão de classificação, que procuraria repetir o que o tailandês Alexander Albon fez com o mesmo carro da DAMS no Circuito Hungaroring, em 2018, é provável que não achasse que daria para fazer exatamente a mesma coisa.

Pois ao menos na primeira corrida do GP da Hungria, realizada neste sábado, Sérgio cumpriu à risca o planejado. Largou em 13º, impôs bom ritmo, realizou várias ultrapassagens ao longo das 37 voltas e recebeu a bandeirada na quinta colocação. Ao pé da letra como fez, em 2018, o hoje piloto da Toro Rosso na F1, Albon.

Agora, para seguir realmente os passos do tailandês no ano passado Sérgio Sette tem de vencer a segunda corrida do fim de semana, neste domingo. Ele também a começará da quarta colocação no grid, pelo critério do grid invertido entre os oito primeiros, por ter sido quinto. E tem na sua frente pilotos que, como regra, não andam entre os primeiros colocados.

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Sérgio Sette em busca da superlicença

Por ter sido oitavo neste sábado, Mick Schumacher, da Prema, filho de Schumacher, vai largar na pole position. O sétimo, o japonês Nobuharo Matsushita, da Carlin, sai em segundo. O sexto, o inglês Jordan King, da MP Motorsport, em terceiro. O quinto, Sérgio Sette, em quarto.

Na terceira e quarta filas estão os quatro primeiros neste sábado: em quinto, o quarto colocado, o italiano Luca Ghiotto, da UNI-Virtuosi; em sexto, o terceiro, o inglês/coreano Jack Aitken, da Campos; em sétimo, o segundo, o holandês Nyck de Vries, da ART, líder do campeonato; e, em oitavo, o vencedor neste sábado, o canadense Nicholas Latifi, companheiro de Sérgio na DAMS, segundo na classificação geral da F2.

Como Albon em 2018, Sérgio tem neste domingo a chance de, tudo dando certo, uma boa largada, ultrapassagens seguras e inteligente administração dos pneus, celebrar a segunda vitória na temporada. Seria de grande importância para o seu futuro. Nesse momento, depois de sete etapas, 14 corridas, e a primeira da oitava etapa, na Hungria, Sérgio é o quarto colocado no campeonato, com 131 pontos. Em terceiro está Ghiotto, com 134. Os dois primeiros estão bem destacados: Vries, com 192, e Latifi, 164.

Para Sérgio ser candidato a piloto de F1 em 2020, ele precisa, primeiro, da superlicença. Ele a conseguirá se terminar pelo menos em quarto, pois somaria 30 pontos na carteira. Já tem 10 pontos do ano passado, quando terminou a F2 em sexto.

Mas o ideal para Sérgio Sette é concluir a temporada entre os três primeiros, pois o regulamento da FIA dá os 40 pontos necessários para a superlicença e causa uma melhor impressão dentre os chefes de equipes que decidem na F1.

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“Eu me diverti bastante hoje, fiz várias ultrapassagens”

Depois da bela performance deste sábado, em que chegou oito posições na frente da que largou, Sérgio Sette deu o depoimento abaixo para a Youse:

Olá, amigos.

Vocês viram só? Escrevi ontem que me inspiraria hoje no Albon e funcionou. Dei uma boa largada e, apesar de ter carros mais lentos na minha frente e não poder passar, administrei o desgaste dos pneus, no começo, para depois atacar e ganhar várias posições.

Mas antes de eu falar da minha corrida neste sábado, eu disse ontem que faríamos uma investigação no meu carro a fim de entender a razão de eu não ter aderência alguma na definição do grid, disputada sob chuva. Enquanto eu não fui além do 13º lugar, a alucianantes dois segundos do pole position, o Nyck (Nyck de Vries, da DAMS), o Nicholas (Nicholas Latifi) foi segundo, o que lhe deu grande perspectiva de lutar pela vitória hoje, pois temos um carro muito bom em ritmo de corrida.

Junto com o meu engenheiro (Damien Augier) e os demais técnicos da DAMS, descobrimos que meus pneus tinham meia libra a menos de pressão que os do Nicholas. Chegamos à conclusão de que essa diferença interferiu no desempenho do meu carro, mas não para justificar tamanha diferença. Quando os equipamentos chegarem na sede na DAMS, em Le Mans, na França, na terça-feira, faremos uma investigação mais profunda.

Não quero tirar minha parcela de responsabilidade no resultado de ontem.

Voltando à corrida de hoje, eu perdi um tempo considerável atrás do Ilott (o inglês Callum Ilott, da Sauber Junior), entre a volta 9 e 21, é o preço de você largar atrás. Valia a sétima colocação àquela altura. Quando vi que estava detonando os meus pneus, por ficar a menos de meio segundo dele, fui obrigado a abrir certa distância entre nós, cerca de dois segundos.

Depois dessa trégua parti para um ataque mais sério, pois meus pneus estavam ainda bem preservados, o que não era o caso dos dele. Passei o Ilott na 21ª volta, o Mick na 29ª e o Matsushita na 34ª, para assumir o quinto lugar. Tinha agora na minha frente o Ghiotto, com quem luto pelo terceiro lugar no campeonato, e sem pneus, se arrastando na pista.

Sabia que o passaria já na volta seguinte, para terminar em quarto. Mas também sabia que atrás de mim o King (o inglês Jordan King, da MP Motorsport) estava voando, pois adotou estratégia oposta à da maioria: em vez de fazer o pit stop nas primeiras voltas, ele fez na 27ª volta. Eu passaria o Ghiotto, mas o King me ultrapassaria também.

Na 35ª volta, porém, o motor do carro do Boschung (o suíço Ralph Boschung, da Trident), explodiu e lançou óleo para todo lado. A duas voltas do final o safety car entrou na pista. Assim, eu não ultrapassei o Ghiotto, sem pneus, e não perdi a minha posição para o King, dois segundos mais rápido, por causa do pit stop tardio. O fato é que hoje me diverti bastante, com tantas ultrapassagens.

Na reunião com o pessoal da DAMS, vimos que se eu tivesse adotado estratégia semelhante a do King, não parar no começo, avançar na classificação, poder impor o meu ritmo, e fazer o pit stop mais tarde, teria provavelmente chegado no pódio. Assim como se eu tivesse passado o Ilott sem precisar de algo como 12 voltas. Mas isso é coisa de competição.

Vamos para a segunda corrida amanhã. Você se lembra que contei aqui que o Albon, em 2018, largou em quarto, minha posição no grid, amanhã, e venceu. Pois é esse o meu objetivo e, dentro do que posso entender, possível. Tenho agora de tornar o planejamento uma realidade.

Depois de me reunir com os engenheiros da DAMS, amanhã, vou gravar um vídeo, fora do autódromo, para falar principalmente da segunda corrida e do andamento do campeonato. Grande abraço!