Um fim de semana de retomada para Sérgio Sette Câmara na F2

Depois de alguns contratempos e um breve afastamento das pistas, o brasileiro Sérgio Sette Câmara pode mostrar todo o seu talento e habilidade no último final de semana, durante a etapa francesa da F2 no circuito de Paul Ricard. O piloto da Carlin encarou duas corridas que ele considera estar entre as mais difíceis de sua carreira, e conseguiu garantir um novo pódio ao conquistar o segundo lugar no sábado (23). Confira a seguir a reportagem do jornalista Livio Oricchio sobre o desempenho do brasileiro nas provas.

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O depoimento de Sette Câmara, em Paul Ricard

Livio Oricchio, de Spielberg (Áustria)

“Diante do início difícil, no primeiro dia de treinos livres do GP da França, somar nas duas corridas do Circuito de Paul Ricard 22 pontos eu diria que tive um ótimo fim de semana.”

Foi dessa forma que Sérgio Sette Câmara, da equipe Carlin, definiu sua participação na quinta etapa do Campeonato Internacional de F2, disputada sábado e domingo. Na primeira corrida, no sábado, Sérgio largou em quarto, como sempre avançou logo no início para a segunda colocação e foi aí que recebeu a bandeirada. O inglês George Russell, da ART, havia estabelecido a pole position, largou bem e venceu, com o Luca Ghiotto, da Campos, em terceiro.

A boa notícia em termos de pelo título para Sérgio é que seu companheiro de Carlin, o talentoso piloto inglês Lando Norris, líder da competição, enfrentou seu primeiro problema mecânico, quando o carro morreu na largada, e chegou apenas em 16º.

“O balanço do fim de semana é ótimo porque começamos mal na sexta-feira, eu vinha de uma sequência de resultados ruins, por causa de panes no carro e o acidente de Mônaco, portanto havia incertezas no ar, e conseguimos reverter tudo isso. Completei uma ótima volta na definição do grid, sábado, dando-me o quarto lugar”, disse Sérgio.

Contou mais: “Ultrapassei dois adversários na largada, pulei para segundo, e disputei uma das corridas mais difíceis desde que estou na F2, no ano passado. Isso porque chovia, mas não o suficiente para colocarmos os pneus específicos para asfalto molhado. Permanecer com os pneus lisos na pista onde há mais e menos água, depende de onde você está, é incrivelmente desafiador”.

Ele seguiu explicando: “Em primeiro lugar, minha formação no kart foi mais em Belo Horizonte, onde chove muito menos, por exemplo, do que em São Paulo. Tenho investido bastante na minha melhora como piloto no caso de chuva, mas tenho ainda o que crescer. De qualquer forma, não cometi um único erro, o que me deixou bem feliz“.

A maior dificuldade, disse, foi ter de adivinhar onde havia mais e menos água no asfalto.

“Uma hora você passava no setor 1 e estava quase seco, mas ia para o setor dois e quase perdia o controle do carro em razão de estar bem mais escorregadio. Como falei, correr com os pneus lisos no molhado, a 300 km/h, com as gotas de água batendo na viseira não é fácil. Mas é o mesmo para todos. E no final recebemos a bandeirada”.

O piloto mineiro de 20 anos estava muito contente no pódio. “Por vir de tantos problemas na etapas anteriores, sabendo do meu potencial e da Carlin, e por ter sido preciso ao longo de toda corrida, ter me superado. Aumentou sobremaneira minha confiança nas próximas corridas no molhado.”

Com o critério do grid invertido entre os oito primeiros, Sérgio largou em sétimo na segunda corrida, realizada no domingo. Já o oitavo no sábado, o Takasuke Makino, da Russian Time, na pole postion. O clima estava estável. O líder do campeonato, Norris, ocupava a 16º colocação no grid.

Sérgio narra os acontecimentos do domingo:

“Nós estamos enfrentando na F2 ainda os problemas com a embreagem, muito sensível. É grande o número de pilotos que fica no grid nas largadas, como foi o caso do Lando no sábado. Eu conseguiu com o meu engenheiro diminuir as dificuldades. Mas quase eu fico também no domingo. Consegui manter-me em sétimo.”

Senti logo que tinha um carro rápido. Para receber a bandeirada de novo no pódio eu precisava ultrapassar logo o Antonio Fuoco, (equipe Charouz) na minha frente, sexto. Pois fiz de tudo para ganhar a colocação dele. Eu estava muito mais rápido. Mas a dificuldade de ultrapassar não se restringe apenas a F1, também as temos na F2.”

“Eu estava muito mais rápido. Mas a dificuldade de ultrapassar não se restringe apenas a F1, também as temos na F2”

“Colocava o carro de um lado e do outro para subir para sexto e partir para cima de quem estava lá na frente. Daria para conquistar outro pódio. Essa luta insana para tentar ganhar a posição do Fuoco fez com que meus pneus acabassem. Se você fica muito tempo atrás, perde pressão aerodinâmica, o carro escorrega mais.”

Sérgio conta o que aconteceu na sequência: “O Lando correu sem essa necessidade de preservar os pneus, não perdeu o mesmo tempo que eu fiquei atrás do Fuoco. Assim, quando chegou na gente seus pneus estavam em condição bem melhor. Eu logo percebi isso. Claro que passou pela gente de passagem. Foi uma pena, daria para eu ter sido quarto ou até terceiro. Acabei em sexto. O holandês Nick de Vries, da Prema, ganhou.”

Para Sérgio, o importante foi ter se aproximado dos primeiros colocados no campeonato. Ele soma agora 68 pontos, diante de 71 do russo Artem Markelov, da Russian Time, 91 do inglês Russell, segundo, e 104 de Norris, líder.

Vamos para a próxima etapa, no Circuito Red Bull Ring, um dos que mais gosto. Desembarco já no fim de semana ainda mais animado depois de Paul Ricard.