Aprendendo a ser pai… de Youtuber

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Antigamente, os filhos aprendiam logo cedo as brincadeiras dos pais. Andar de carrinho de rolimã ou empinar pipa, por exemplo, eram as típicas lições de pai. Mas o tempo passou… as crianças trocaram o rolimã pelos games de corrida e as pipas pelos drones. E ser pai também mudou. Agora são eles que estão aprendendo a ser pai de uma maneira nova, entendendo as brincadeiras dos pequenos.

“Eu brincava de bola na rua, esconde-esconde, pega-pega! Tinha meus brinquedos e criava histórias épicas baseadas nos filmes que eu gostava”, lembra Alison Almeida. Hoje ele é mais conhecido como o pai do JPDragon, quer dizer, do João Pedro, de 13 anos. O jovem gamer tem um canal no YouTube com quase 200 mil inscritos. São mais de 700 vídeos sobre jogos onde o próprio papai Alison aparece muitas vezes, assim como seu outro filho, Léo, de 2 anos.

O JP já acompanhava canais no Youtube sobre jogos, apaixonado por outros Youtubers que compartilhavam conteúdos assim na internet. Foi dessa paixão que começou a gravar seus próprios vídeos, em 2014. A partir de 2016, seu pai também entrou na brincadeira.

O canal JPDragon já soma mais de 24 milhões de visualizações

Aprendendo a ser pai: hora de upar!

Talvez uma das maiores questões dos pais seja: como educar um filho nos dias de hoje? A psicóloga Heloisa Coppola diz que não dá para fazer uma comparação com antigamente. “As crianças desta geração são nativos do mundo digital, então as informações que elas têm acesso chegam numa velocidade muito maior, muito diferente da geração anterior.”

Alison encontrou um jeito próprio de incentivar a paixão do filho sem interferir nos estudos: “Para manter o canal ativo, combinei com o João Pedro que suas notas devem estar sempre acima de 8. Isso ajudou a mantê-lo focado”, diz.

Heloisa aponta que a internet, os vídeos e os games podem ser muito importantes, já que abrem espaço para conversar sobre vários temas. “As escolas que utilizam ferramentas digitais e recursos audiovisuais e interativos têm ganhado destaque e seus alunos se mostram mais motivados com o aprendizado”, conta.

Participar é melhor que proibir

Mas e a exposição das crianças na internet? “É o que mais me preocupa, pois temo por sua segurança. O João é um cara muito tranquilo e nós enfatizamos que a prioridade dele são os estudos”, responde Alison.

Proibir o uso, aliás, não parece ser a melhor solução. “Os pais precisam estar mais atentos e integrados a essa realidade, fazendo monitoramento de conteúdo e tempo dispensado pelos filhos. Pode-se pensar em oferecer outros espaços e recursos que estimulem outras brincadeiras”, aconselha Heloisa.

Aos pais dessa nova geração, Alison dá as dicas: “jogar videogame faz com que seu filho pratique a concentração para encontrar a melhor estratégia, que calcule e pense rápido. Fazer vídeos pode ser uma ótima maneira de desinibir. Ele pode se interessar por outra coisa, mas certamente as experiências vão servir para fazê-lo crescer no que quer que ele escolha!”