Dia do Chefe: todos somos líderes

Mario Sérgio Cortella comenta: lideranças devem emancipar os colaboradores para que tenham autonomia. Mas ser autônomo não é ser soberano

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Mario Sergio Cortella e Wilson Lima em bate-papo aqui na Youse | Foto: Nylton Santos

Será que só nossos chefes podem ser líderes da equipe? Neste Dia do Chefe, conversamos com Wilson Lima, Head de RH aqui da Youse, e aproveitamos a passagem do filósofo, escritor e professor Mario Sérgio Cortella por nosso escritório para pensar um pouco nas atitudes que podem nos tornar (sim!) líderes de nossas próprias escolhas.

Neste Dia do Chefe, como ser um bom líder?

Segundo Wilson Lima, para ser um bom líder, é preciso ter um interesse genuíno em pessoas e não deixar o cargo “subir à cabeça”, pensando que será respeitado pelo lugar que ocupa na empresa. “Liderar times é fascinante, porém, muito desafiador. O respeito, como líder, é adquirido com o tempo. Mas pelo que fazemos, não o que dizemos”, conta.

Cortella completa esse pensamento ao afirmar que ser líder é estar disponível para aprender com os outros, independentemente da sua posição. A tarefa do líder é proporcionar autonomia para toda equipe, inclusive para ele mesmo. Mas é preciso ficar de olho em algumas atitudes: autonomia não é soberania. Ou seja, “não posso dizer o que eu quiser só porque eu sou livre. Porque as outras pessoas também são”, diz.

“Existem vários tipos de liberdades e elas precisam coexistir. Como em uma orquestra”, compara Cortella.

Liberdade com responsabilidade

Aqui na Youse trabalhamos com uma mescla de autogerenciamento e decisões dos gestores de cada time. Ou seja, apesar da autonomia, o colaborador recebe um direcionamento. Nesse ponto Wilson e Mario concordam: autonomia sem alinhamento gera caos. 

Por isso, ser um colaborador não é ser submisso a alguém e suas decisões, mas ser consciente do seu papel dentro da empresa e contribuir sempre para o bem comum da equipe, entendendo a cultura organizacional de onde está. 

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Críticas construtivas e destrutivas

Na visão de Wilson, há duas ótimas atitudes para quem quer liderar: estar sempre atento ao que os colaboradores dizem e estar aberto a críticas. Sabemos que ninguém gosta de ser advertido, mas a crítica é feita para que, na próxima vez, se tenha a oportunidade de fazer melhor. 

Então, para Cortella, toda crítica tem um aspecto negativo e positivo. O ponto é a intenção da crítica, essa, sim, deve ser sempre construtiva para ajudar a pessoa a evoluir. A dica que ele dá é: na hora daquela chamada de atenção, a conversa deve acontecer em um ambiente privado. Mas o elogio deve ser público para reconhecer as atitudes e torná-las bons exemplos para os outros. 

Cansaço x Estresse

Ao mesmo tempo em que é preciso ter consciência e autonomia para entender a cultura organizacional da sua empresa e para tomar as melhores decisões como colaborador, é necessário entender, também, a diferença entre cansaço e estresse. 

Afinal, trabalhar dá trabalho. Mas quando temos um propósito, encontramos uma razão para fazer o que fazemos todos os dias sem sofrimento. Assim, o cansaço pode ser tratado de forma natural, como fruto de um esforço intenso para alcançar um resultado. Já o estresse costuma ser o resultado de um “esforço sem sentido”, nas palavras de Cortella. E isso, sim, deve ser evitado. Ou seja, cada um deve ter autonomia, inclusive, para analisar e entender a hora de recusar um trabalho estressante.

Neste Dia do Chefe, aproveite para se inspirar nessas dicas e compartilhe com a sua equipe. Lembre sempre que, apesar de trabalhar dar trabalho, todos precisam se sentir bem-vindos no time, beleza?