Unidas pela luta: Após câncer de mama, mulher cria grupo para compartilhar experiências

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Vanessa Pessôa é carioca, se formou em educação física e trabalhava em uma academia e em um projeto social. Em 2015, foi aprovada em terceiro lugar em um concurso na Marinha do Brasil, em Angra dos Reis. “Eu larguei meus dois empregos e fui sonhar! Meu noivo me acompanhou. Alugamos uma casa e fomos morar juntos.”

Chegou 2016 e com ele um diagnóstico de câncer de mama. “Eu chorei muito. Fui ao consultório com a minha família e a minha tia pediu para que o Pablo, meu noivo, pudesse entrar no consultório me amparar. Assim que ele entrou, ele perguntou: qual é o próximo passo?”

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O processo da cirurgia foi divido em três etapas: mastectomia total da mama direita com reconstrução imediata, simetrização da mama esquerda e reconstrução do mamilo e auréola do lado direito. “Passar por todas as cirurgias pra mim foi uma espécie de aprendizado e paciência. Me preparava psicologicamente para a cirurgia, respeitava o processo de recuperação, ficava sem fazer atividade física – que para mim era um vício.”

“Quando eu fui operar, eu fiz uma promessa: se eu sair viva, eu quero passar a minha história pra frente, quero ajudar as pessoas que também passaram por isso, a dar apoio. Então criei um grupo no facebook para compartilhar tudo, como um blog.”

Compartilhando o aprendizado

A promessa da Vanessa hoje une mais de 3 mil pessoas na página “Câncer de mama”, no Facebook. Ela ainda tem um grupo no whatsapp com 156 participantes. “No começo eu pesquisava todo dia notícias e contava as minhas experiências. O grupo cresceu e hoje eu só fico como administradora. Todo dia tem alguém querendo tirar dúvidas, procurando apoio”, conta.

No WhatsApp, ela conta, a interação é muito mais pessoal. “Esse é só para mulheres, as meninas mandam fotos, tiram dúvidas”. Ela ainda criou um outro grupo apenas para quem mora no Rio de Janeiro, onde todas marcam encontros para trocar experiências.

Em maio de 2018, Vanessa pôde finalmente oficializar seu casamento no civil. A festa ficou para outubro, após ser adiada por conta de um diagnóstico de câncer da sua avó. “Eu digo que não foi uma festa para comemorar só o nosso casamento, mas sim a vitória de tudo o que passamos juntos”, diz.

As maiores lições, ela compartilha sem nem pensar duas vezes. “Aprendi a valorizar mais a vida. Aprendi que não devemos nos estressar por besteira. Aprendi que a vida é curta demais e devemos aproveitar tudo como se fosse a última coisa que a vida tem a nos oferecer. Aprendi a falar tudo o que tenho vontade e não guardo mais sentimento. Meu esposo brinca que tem até medo quando abro a boca!”

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Hoje Vanessa é convidada por seus médicos a falar em congressos sobre as suas experiências. Para participar do grupo dela no Facebook, é só clicar aqui!

Criada pela Youse, a campanha #8pelavida incentiva mulheres a influenciarem umas às outras para cuidarem da saúde e se informarem mais sobre o câncer de mama. A ação faz parte do Outubro Rosa e você pode participar nas redes sociais.