Outubro Rosa: autoconhecimento e detecção precoce têm tudo a ver

Ouse se descobrir e conhecer as formas de detecção do câncer de mama recomendadas atualmente

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A detecção do câncer de mama pode acontecer em fases iniciais em grande parte dos casos, aumentando as chances de um tratamento menos agressivo. Pra isso, o autoconhecimento é essencial. A principal recomendação médica hoje em dia é que as mulheres fiquem atentas para qualquer alteração nas mamas. Afinal, conhecendo o que é normal em seu corpo, você consegue identificar quais sinais são suspeitos.

Os principais sinais e sintomas da doença, além do nódulo, são: pele avermelhada ou parecida com casca de laranja, inchaço, alterações no mamilo (mamilo invertido) e saída de líquido de um dos mamilos. Também podem aparecer pequenos nódulos no pescoço ou nas axilas. Esses sinais e sintomas devem sempre ser investigados por um médico, mas também podem estar relacionados a doenças benignas.

Além das consultas periódicas, as mulheres podem realizar a autopalpação ou observação dos seios sem nenhuma técnica específica e sempre que se sentirem confortáveis, seja no banho ou ao trocar de roupa. De acordo com o Inca (Instituto Nacional de Câncer), essa estratégia “casual” para a detecção do câncer de mama é até mais efetiva do que o autoexame dos seios. 

Estudos mais recentes indicam que aproximadamente 65% das mulheres com câncer de mama identificam a doença casualmente, em comparação com 35% que descobrem o câncer através do autoexame mensal. 

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“Descobri um câncer de mama e um bebê na barriga”

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Foto: Arquivo Pessoal

Uma secreção no seio direito foi, inclusive, o que fez Patricia Bergara, de 32 anos, procurar um médico. “Na época estava sem convênio médico e acabei pagando uma consulta particular em que o médico que me examinou não detectou nada de anormal. Na metade do ano, o líquido ainda saía um pouco e eu, já com um convênio, procurei outro médico que me examinou e pediu uns exames de sangue e de hormônios, mas estava tudo normal”, conta.

Mesmo com esses resultados, no final do ano, Patricia decidiu fazer mais um check-up ao notar que o seio direito estava diferente do esquerdo. “Na metade de janeiro fiz a biópsia porque tinha lá no exames do começo um nódulo irregular e no final do mês estava o resultado: carcinoma invasivo”, explica. Na mesma época, ela também descobriu que estava grávida. 

Foto: Arquivo Pessoal

Com a ajuda de um médico, Patricia iniciou um tratamento de quimioterapia que pudesse conciliar com a gravidez, que sempre foi sonhada. Foram 4 sessões de quimio vermelha e 3 brancas, mas sem reações fortes. “Foi até engraçado, pois em um determinado momento eu tive medo que a quimio não tivesse fazendo efeito porque justamente não tive efeitos colaterais. Eu fiquei super feliz quando meu cabelo caiu! Eu curti muito minha careca”, conta Patricia.

Depois do nascimento do bebê, ela continuou com as sessões de quimioterapia. Hoje, seu nódulo não é mais palpável e Patricia se prepara para a cirurgia. “Sempre que houver vida existe esperança, né? No meu caso minha esperança é meu bebezinho que me deu e me dá forças para continuar seguindo sem desanimar!”, diz. 

Tecnologia a favor da detecção do câncer de mama

Além de estarem atentas ao próprio corpo – como na história de Patricia – mulheres na faixa etária de maior risco devem fazer o rastreamento através da mamografia. O ginecologista e obstetra, Dr. Rodrigo Ferrarese, explica que a recomendação no Brasil – e o que é adotado nos postos de saúde – é que a mamografia seja feita a cada dois anos em mulheres entre 50 e 69 anos. O exame nesta faixa etária e periodicidade oferece menos riscos, devido à radiação, e é a rotina adotada na maioria dos países para a detecção do câncer de mama. 

Mas novas tecnologias também vêm se desenvolvendo a favor da detecção do câncer de mama em fases iniciais. A startup mexicana Eva, fundada por Julián Ríos de 19 anos, é um exemplo. O jovem empresário desenvolveu um sutiã inteligente capaz de ajudar mulheres a detectar anormalidades nos seios que podem estar relacionadas ao câncer de mama.

Foto: Divulgação Eva Tech

O sutiã Eva foi criado para ser um método de detecção auxiliar para mulheres a partir dos 20 anos de idade, mas não um substituto da mamografia. Ele é equipado com 192 sensores térmicos responsáveis ​​pelo monitoramento da saúde dos seios. Ao usar o sutiã, a mulher recebe um relatório detalhado sobre seu estado de saúde mês a mês, indicando sinais de alerta quando ocorrerem alterações que precisam ser acompanhadas.

Por enquanto, o sutiã está disponível apenas em uma clínica de diagnóstico inaugurada em março deste ano na cidade de Puebla, no México. “Sabemos que algumas pessoas não poderão adquirir o sutiã, por esse motivo, decidimos abrir as clínicas, que darão acesso a qualquer pessoa”, contou Julián, em entrevista à Forbes México. 

Durante o Outubro Rosa, continue acompanhando nossa série de matérias especiais para descobrir mais sobre você mesma e sobre como o avanço da tecnologia pode ajudar na detecção do câncer de mama, assim como na prevenção, rastreamento e tratamento.