468 anos de São Paulo: os boêmios da garoa

O relógio em São Paulo parece sempre estar acelerado, né? Mas parar para observar também pode fazer parte do passeio

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Imagem: Getty Images

Em uma cidade do tamanho de São Paulo, o que não falta é gente de lá pra cá. Pessoas de todo tipo fazendo compras, indo ao trabalho, resolvendo afazeres de casa, passeando com os pets ou encontrando os amigos em um bar recém-aberto depois do expediente. O movimento das pessoas em suas atividades cotidianas por si só é um espetáculo à parte. E esse “trottoir” não chama a atenção apenas dos franceses…

Viver a vida numa boa

“A dinâmica da cidade é muito plástica em horário, geografia e no tempo”, diz Gabriel. Foto: arquivo pessoal.

Gabriel Floriano, 30 anos, internacionalista e economista, se apaixonou por São Paulo após passar a frequentar a Rua Augusta enquanto via de perto o processo de revitalização da região e perceber que, em suas palavras, a capital “…tem uma sobreposição de territorialidades e de públicos. A dinâmica da cidade é muito plástica em horário, geografia e no tempo. A Rua Augusta é um exemplo muito claro disso”.

Hoje, o que dá tom às suas saídas pela cidade é um bar de samba, bossa-nova ou um chorinho na praça. Talvez… Andar sob as luzes amarelas do Centro imaginando a capital vivida por Mário de Andrade, Paulo Vanzolini e Adoniran Barbosa ou chegar duas horas antes em uma sessão de cinema e, enquanto aguarda, fica numa boa aproveitando para tomar um café ou ler um jornal ao mesmo tempo que não tira os olhos das pessoas indo de lá pra cá. 

Gabriel conta que sua percepção de São Paulo não mudou desde que veio se aventurar. “O risco de eu me mudar para cá e me frustrar como morador era considerável, né? Porque eu tinha uma opinião de turista”. Contudo, mesmo depois de 14 anos em solo paulistano, ele ainda adora a cidade e conseguiu adentrar um lado mais interessante e sedutor de São Paulo.

Antigo morador de Novo Horizonte, localizado no interior do estado, é justamente a dinâmica da vida ou o comportamento das pessoas que mais saltam aos olhos de Gabriel. “Tem muita coisa boa, especialmente em termos culturais e profissionais. Consigo ver beleza no aspecto prático da cidade também. Quando a gente começa a se permitir, compensa o lado hostil daqui, a gente vê que tem como a balança ficar positiva”, finaliza o economista.

 

São Paulo é uma cidade múltipla, e com um pouco de ousadia e outro tanto de disposição, é possível criar uma versão diferente para que ela seja exatamente do jeito de cada um dos seus milhões de habitantes. Assim como a Youse. 🙂 Acompanhe outros relatos de amor à cidade em nosso Especial Aniversário de São Paulo e celebre com a gente o amor de quem se jogou com a cara e a coragem nessa selva de concreto.