Mês do Orgulho: Avanços, conquistas e direitos para celebrar

Com muita garra e suor, comunidade LGBTQIA+ ergue a voz para reivindicar um espaço seu de direito

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Imagem: Getty Images

O mundo já deu voltas e voltas desde junho de 1969, quando um grupo de pessoas em um bar gay em Nova York deu um chega pra lá nos policiais que entraram com os dois pés na porta querendo dar um basta naquela “conduta indecente”. 

Mas o Stonewall Inn – nome do estabelecimento e como ficou conhecido o episódio -, sem dúvidas, cavou os buracos bastante profundos pra muitos movimentos de luta fincarem bandeiras civis e maravilhosamente coloridas em prol da transformação da comunidade LGBTQIA+. 😉

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Hoje, muitos são os nomes – de batismo e sociais, lésbicas, gays, bis, trans, travestis, queers, intersexuais e outros – que têm a cara, a coragem e a ousadia de nadar contra correntezas em muitos quadradinhos da sociedade pelo direito de serem quem são, amarem quem amam e poderem viver a vida numa boa. 

Dos últimos anos pra cá, já temos muito o que comemorar!

História recente

Muita coisa de fato já saiu de moda desde os anos 90, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu que não existem “ismos”, nem existe opção: homossexualidade não é doença. 

Em alguns casos, porém, ainda é preciso estabelecer instrumentos legais que representem a população LGBTQIA+ com solidez e individualidade – e não apenas “tipificações de lei”. 

Por isso que associações de acolhimento, ONGs, artistas ecoando voz e representatividade em todos os canais de mídia e eventos gigantescos como a Parada do Orgulho travam um papel fundamental na pressão popular pras políticas públicas saírem do papel em direção à transformação social.

Me chame pelo meu nome

E mesmo que o cenário atual pudesse ter águas mais calmas, um dos avanços mais recentes, por exemplo, é de 2016: o decreto do nome social que legitima pessoas trans a serem reconhecidas pela maneira como se identificam em termos de gênero em qualquer documento oficial ou cadastro informativo.

Em 2019, a gente celebrou a criminalização da homofobia pelo Superior Tribunal Federal (STF), categorizando as ofensas a homossexuais e transexuais dentro da lei contra o racismo. Um ano depois, veio a derrubada pelo mesmo órgão da resolução que restringia homossexuais, bisexuais, travestis e transexuais de doar sangue

Outra concepção jurídica do STF, depois de muita luta da população, põe em pé de igualdade qualquer relacionamento homoafetivo com os mesmos direitos e deveres do heteronormativo. Assim, casais do mesmo gênero podem se casar no civil, ou mesmo converter a união estável em matrimônio, com a benção dos anjos, dos santos, dos juízes e dos tabeliães. Só estão faltando as alianças – e formalizar isso em lei. #AgilizaAí 

Ah, e se for da vontade de todos, a família nada tradicional brasileira pode crescer. Seja qual for a maneira – adoção ou fertilização -, consideramos justa toda forma de amor. <3 

Saúde em dia

Falando de coisa boa, o SUS também tá na lista de um dos melhores sistemas de saúde do mundo pra população LGBTQIA+. Por ele é possível pedir a Profilaxia Pré-Exposição (PREP), medicamento preventivo contra o HIV, e a PEP, de pós-exposição. “Quando você faz o protocolo pra PREP, tem que fazer exames regulares do rim, do fígado e de infecções sexualmente transmissíveis, as ISTs. Então já é uma boa pra saúde. Primeiro porque você diminui os números de contaminação por HIV, que já estão baixando no Brasil, um dos países que mais têm contaminação por HIV, e você também tem acesso ao monitoramento da saúde”, conta Kaique Paes, service designer

Outro ponto positivo são justamente os postos focados em ISTs. “São bem mais humanizados, preocupados com o atendimento e preparados pra receber essas pessoas”, diz Kaique, que relembra que em alguns lugares do mundo, como nos Estados Unidos, a vacina contra o vírus do HIV já está em teste e dando um show nos resultados. 

Desde 2008, e com ampliação de acesso em 2013, pessoas trans que desejam fazer uma cirurgia de redesignação sexual também podem contar com o SUS pro que é chamado de “Processo Transexualizador”. E pela área ambulatorial dá pra passar com um psicoterapeutas e conseguir tratamentos com hormonioterapia

Dança das cadeiras

Recentemente, algumas empresas, ainda mais as startups, abriram cadeiras pra inclusão e diversidade. No ambiente empresarial também estão rolando alguns comitês, geralmente organizados pelos próprios colaboradores, que tendem a cada vez mais estar na pauta dos RHs junto a manifestos e metas de contratação. Na agenda desses grupos estão talks, rodas de conversas, ações, e eventos pra trocar informações e experiências. 

A atividade profissional mesmo foi o que deu o insight pro Kaique e outras duas amigas fundarem a POC.UX, plataforma de conteúdo, networking, vagas e troca de conhecimentos sobre design e tecnologia voltada pra pessoas LGBTQIA+. 

“Na vivência de mercado a gente sabe que nem sempre é fácil ser LGBT. Percebemos essa carência de ter um grupo de acolhimento e decidimos fazer esse movimento”, afirma. E o mais legal é que os amigos não faziam ideia da força que teria essa iniciativa até perceberem que um grupo de WhatsApp não daria conta de todos os interessados.   

Pro Kaique, todo mês de junho é motivo de celebração, e o fervo também é luta de evolução social. “O próprio ato de existir e resistir é uma forma de comemorar.”