Mulher no volante… Exemplo constante

Mesmo com uma conduta mais responsável ao volante, ainda existem muitas expressões que as mulheres já ouviram no trânsito e que não condizem com a realidade

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Imagem: Freepik

A mulher que nunca ouviu alguma gracinha questionando sua habilidade ao volante  certamente estava com os vidros fechados e o som bem alto. Desde sugestões de outras atividades que deveria estar fazendo, até rimas sem graça e muito preconceituosas… independentemente disso, os dados mostram que as mulheres têm uma conduta mais responsável ao volante e estão menos envolvidas em acidentes.

O cenário atual das mulheres no trânsito

25,8 milhões é o número de registros de mulheres condutoras de automóveis habilitadas no Brasil até março de 2021, segundo mapeamento da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET) com dados do Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN). Esse número corresponde a 35% do total de carteiras válidas no país. E, entre elas, 6,8 milhões dirigem motos também. 

Elas representam menos da metade de todos os condutores no Brasil, mas o número de mulheres envolvidas em acidentes e infrações é consideravelmente menor: de acordo com informações do Ministério da Saúde, as mulheres representam apenas 18% das vítimas de acidentes de trânsito no Brasil. E, quando encontramos dados referentes ao estado de São Paulo, descobrimos que, por aqui, os homens foram responsáveis por 94% dos acidentes de trânsito no primeiro trimestre de 2020.

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A origem do preconceito da mulher no volante

A questão diante disso tudo é: por que ainda subestimam as mulheres no trânsito? Para Ingrid Neto, professora do curso de psicologia e pesquisadora do Laboratório de Trânsito do Centro Universitário do Distrito Federal (UDF), a verdade é que, apesar de as mulheres já terem conquistado uma série de direitos, ainda temos um longo caminho a percorrer. “O comportamento machista que a nossa sociedade ainda tem em diferentes contextos mais amplos se reforça e se reproduz no trânsito”, explica.

Além disso, Amanda Gross, doutoranda na FGV EAESP e professora de sociologia, antropologia e design de serviços no IED, SENAC, Impacta e USCS, diz que esse é um universo essencialmente e tradicionalmente masculino. “Os homens, em geral, aprendem a dirigir antes que as mulheres e são encorajados a fazerem”, conta. 

Então por que os dados estão dessa forma?

A coisa fica curiosa quando, neste cenário, em que há tanto preconceito, os homens ainda são os responsáveis por tantos acidentes, né? Como explicar essa disparidade nos números? Ingrid revela que esse é um dado que se reproduz em vários outros países. “Chama muita atenção quando a gente escuta aqueles jargões, como ‘mulher no volante, perigo constante’ ou ‘mulher barbeira’, porque não é o que acontece na maioria dos países”, comenta a especialista da UDF. Ela explica que os dados são justificados internacionalmente por esse comportamento mais impulsivo e agressivo por parte dos homens.

Além disso, Amanda traz o relato de que as mulheres são mais cautelosas na direção justamente por não terem sido tão encorajadas a dirigir e serem muito bem preparadas para a arte do cuidado.

Luz no fim do túnel

Mas pode ficar tranquila, pois já podemos ver muitas mudanças nos estereótipos de gênero. “Nem mais os homens são tão ligados aos carros, nem mais as mulheres são iniciadas na direção tão tarde”, tranquiliza Amanda, que acredita que esse preconceito tende a se suavizar e até desaparecer em algum momento. 

Ingrid conta que a educação tem um papel muito importante para reverter o cenário. “Uma das alternativas mais eficazes é que a formação de motoristas para obtenção da CNH, além de abordar as regras e normas, tenha também um conteúdo para a convivência harmônica no trânsito”, explica. 

O papel da comunicação nessa mudança

Quanto mais compartilharmos esses dados e mostrarmos que não tem por que subestimar a capacidade de alguém em qualquer atividade, independentemente de qual seja, mais perto estamos de mudar esse cenário. Afinal, esse e qualquer preconceito não estão com nada, né? E a Youse está ao seu lado para usar os canais de comunicação para sempre divulgar essas informações e contribuir como for necessário para que todos possam dirigir e fazer o que quiser numa boa!