Quais são as novas regras da F1?

Por enquanto, não há anúncio oficial, apenas informações repassadas por profissionais da F1 que de alguma forma já sabem o que está por vir.

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Aerofólio dianteiro simplificado. A F1 de 2021 custará menos para as equipes e elas terão um limite orçamentário. | Imagem: F1

Os donos dos direitos comerciais da F1, o grupo americano Liberty Media, deseja fazer o anúncio das importantes mudanças na competição, a partir de 2021, no GP de cada, o dos Estados Unidos, 19º do campeonato, de 1º a 3 de novembro, em Austin, no Texas.

Nesta quarta-feira, na sede da FIA, em Paris, os representates da entidade, das dez equipes de F1 e da FOM, o braço executivo do Liberty Media, definiram os últimos detalhes do novo conjunto de regras técnicas, esportivas e administrativas do evento.

Por enquanto, não há anúncio oficial, apenas informações repassadas por profissionais da F1 que de alguma forma já sabem o que está por vir.

Em 2020 fica tudo como está, pois há um contrato entre a FIA, a FOM e as equipes. Seu nome é Acordo da Concórdia. A versão atual começou em 2013 e termina no fim do ano que vem, daí todos entenderem a edição de 2021 do mundial ser a mais apropriada para uma revisão estrutural do espetáculo.

Menores do esperado

Os planos iniciais da FOM previam um choque na F1, uma transformação: motores muito mais baratos, outro critério de distribuição do dinheiro, mais justo com os times médios e pequenos, corte substancial nos custos, dentre outros, a fim de permitir a bem mais equipes poderem lutar pelas vitórias.

O que os americanos talvez não soubessem é que convencer os europeus, continente da F1, a rever seja lá o que for é tarefa quase impossível. Assim, ainda que a competição vá mesmo ser um tanto diferente a partir de 2021, a mudança não atingirá nem a metade do desejado pela FOM.

Modelo de carro de 2021: visual mais agressivo e sob o assoalho o perfil invertido de asa, para facilitar as ultrapassagens. | Imagem: F1

Não à americanização

Os americanos queriam implantar na F1 sua filosofia, equipamentos padrão para todos e custos não elevados, a fim de tornar as disputas realmente imprevisíveis, com o sucesso aberto ao maior número possível de participantes. Como explicado, o seu sonho tende a não ser totalmente alcançado.

Quem olhar os carros de 2021 verá modelos relativamente semelhantes aos usados este ano e mesmo na próxima temporada, já que o regulamento será o mesmo deste ano. As principais alterações vão estar sob o carro, no assoalho.

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Aerodinâmica, a maior revolução

Ele volta a ter o perfil invertido de asa de avião, a fim de gerar maior pressão aerodinâmica e permitir aos pilotos acompanhar de perto o adversário à frente, mesmo em curva, o que deve tornar as ulltrapassagens menos difíceis. Será a volta dos carros-asa, extintos no fim de 1982.

Os pneus também serão outros. Não em largura, mas em altura, terão perfil baixo. Saem as rodas de aro 13 polegada para o emprego das de 18 polegadas.

As escuderias pequenas e médias receberão uma fatia um pouco maior do bolo, não como deseja e era o projeto da FOM, mas esta medida associada a outra de grande impacto pode elevar sua competitividade.

Ela é o limite orçamentário. Nunca na história da F1 houve um controle de gastos das equipes, pois a partir de 2021 seu orçamento não poderá ultrapassar 175 milhões de dólares (R$ 720 milhões). As despesas com o pagamento dos pilotos, dos três principais diretores do time, com marketing e as com viagens não estão nessa conta.

Novas regras tendem a tornar os grids da F1 mais compactos, com menores diferenças entre grandes e pequenos. | Imagem: F1

Custar menos

Mesmo assim, as três que mais investem, Mercedes, Ferrari e Red Bull, vão ter de se contentar com bem menos. As três injetam algo como U$ 320 milhões por ano (R$ 1,3 bilhão). A Mercedes gasta US$ 50 milhões com os dois pilotos, US$ 6 milhões com os três principais diretores, cerca de US$ 12 milhões com marketing e outros US$ 12 milhões com viagens, o que dá um total aproximado de US$ 80 milhões (R$ 330 milhões).

Se tirarmos esse valor, US$ 80milhões, que não consta no limite orçamentário, do total disponível hoje, chegaremos a US$ 240 milhões (320 – 80). É um valor abaixo dos US$ 175 milhões permitidos a partir de 2021. Não é uma diferença brutal, US$ 65 milhões, mas já é um início para evitar orçamentos fora da realidade, principais responsáveis pelas profundas diferenças de performance entre os times.

O motor, ou unidade motriz (PU), como é chamado nessa era da tecnologia hídrida, será exatamente o mesmo de hoje, com as mesmas limitações, três PU por piloto para o campeonato. O seu desenvolvimento continua livre.

Bem, isso é o que, como informado, comenta-se já estar acertado para 2021. Mas há sim espaço para surpresas no momento do anúncio, dentro de duas semanas.