Quem tem família e amigos, tem tudo

Relação com pessoas próximas é preciosa e ajuda no nosso desenvolvimento

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Apesar de ainda precisarmos falar sobre pandemia, o assunto está cada vez mais cansativo.  Se o seu mood atual é tentar abstrair um pouco os temas covid, ômicron, variantes, cepa e, principalmente, distanciamento social, errado você não está. Pensando nisso, queremos te mostrar algo que o coronavírus trouxe para refletirmos: o ser humano não consegue viver sozinho. 

Por mais que a gente tente, e que uns e outros ainda vivam isolados da sociedade durante um tempo, é somente em comunhão que conseguimos entrar em contato com sentimentos que só afloram quando estamos juntos. Aquele típico “homem primitivo” já saiu das cavernas faz tempo — ou pelo menos deveria, né não?! 😛

E isso não é papo furado, não. De acordo com Claudio Paixão, doutor em psicologia social pela Universidade de São Paulo (USP) e professor da Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), somos naturalmente gregários, ou seja, fomos acostumados a viver em grupos desde o princípio da nossa existência. “Assim como o canguru, que precisa de uma bolsa para se desenvolver, nós precisamos também de um ambiente adequado para nosso crescimento. Mas a nossa ‘bolsa’ não é física, ela é a sociedade e, fazendo um recorte menor, a família”, explica o doutor em psicologia.

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E quem não quer ter aquela tribo de cangurus para poder trocar experiências, não é mesmo? 😉 

O também psicólogo e doutor em neurociência do comportamento, Yuri Busin, conta que o contato com a família é extremamente necessário para o crescimento desde a primeira fase: “É no começo da vida que a gente cria as primeiras interações sociais, aprende os fundamentos da sociedade, como é dar e receber carinho e criar laços. Ações que são fundamentais para o nosso desenvolvimento”, afirma.

Mas, galera, quando se fala em família, não limitamos apenas ao padrão dos comerciais de margarina com pai, mãe, irmão, avós, papagaio e cachorro. Família é composta por todos aqueles que colaboram para a evolução de um ser-humano. “Uma pessoa precisa de algum tipo de família, que pode ser composta por uma mulher solo, por parentes ou até um grupo. Porém, independentemente de quantos sejam, essa família é fundamental para que exista abrigo emocional e estímulo intelectual, e somente com outras pessoas entendemos a nossa própria existência e aprendemos a ser humanos”, conta Claudio Paixão. 

É aquilo que a gente sempre fala por aqui: você pode ser do seu jeito  e encontrar um grupo de cangurus que tenha tudo a ver contigo. Isso é uma forma de crescimento e de esperança por um futuro melhor.  

 

Você, meu amigo de fé, meu irmão camarada

O Rei da MPB, Roberto Carlos, já revelava na letra da música Amigo, de 1977, o quão fundamental é ter amigos para encararmos nossas batalhas: “Às vezes, em certos momentos difíceis da vida / Em que precisamos de alguém pra ajudar na saída / A sua palavra de força, de fé e de carinho / Me dá a certeza de que eu nunca estive sozinho”. E são esses fiéis escudeiros que formam a extensão desse conceito de família. 

Amigos normalmente são ligados por um ideal, uma visão de mundo, ou meras afinidades. Quem não tem aquela tribo apaixonada pelo mesmo time de futebol? Ou o grupo que pratica o mesmo esporte? Aquela galera da night, e assim vai… E o ato de escutar o outro sem julgar (a famosa empatia) é o que nos aproxima ainda mais. “Às vezes, a nossa relação é muito mais próxima com amigos do que com parentes. E são os amigos que dão o suporte que a família não dá. Por vezes, os amigos são a única família que temos. Eles nos alimentam ao longo desse processo evolutivo, dão continuidade a essa ‘bolsa’ social que é muito importante para a nossa sobrevivência”, argumenta Paixão.

 

Fim das interações online?

Apesar de necessário, o distanciamento social provocado pela pandemia de Covid-19 fez a maioria ficar afastada de amigos e familiares por quase dois anos. Porém, aprendemos novos jeitos de viver essa realidade, sempre com resiliência e muita ousadia. Agora, com números mais controlados de infecções, mortes e vacinação chegando a quase 80% da população, medidas menos restritivas estão sendo adotadas e começam a rolar os reencontros presenciais.

Antes, contudo, as vídeo-chamadas foram a única janela para o mundo. Mas será que esse tipo de interação consegue suprir a necessidade de contato? Segundo o Dr. Yuri Busin, não. “O vídeo é ótimo, mas não substitui 100% o abraço, o beijo. E aqui no Brasil nós temos uma cultura de muito carinho, de proximidade, gostamos de abraçar, festejar, de contato físico e somos um povo muito alegre. Agora, estamos voltando a ter estes contatos sociais, que estimulam uma parte do cérebro que libera ocitocina, um hormônio que traz a sensação de bem-estar”, defende o doutor em neurociência.

Afinal, a conexão é o que nos torna cada vez mais humanos. Segundo estudo publicado na revista científica Nature Neuroscience, ficar muito tempo sozinho aumenta o desejo de interações sociais, que é semelhante à fome depois de fazer jejum. Ou seja, o contato com outros seres humanos pode ser considerado como necessidade básica, assim como se alimentar ou beber água. A real é que juntos, seja 100% online pela tela de um app, ou de pertinho, podemos tornar a vida mais fácil e descomplicada. Só assim ficamos sempre seguros e numa boa. 🙂

 

Que venham novas jornadas

E chegou o momento do reencontro, de abraçar, beijar, inovar, continuar com nossos projetos, hobbies, sonhos… Sempre conectados e, agora, reconectados, não importa de que jeito. ;D

De acordo com Busin, reaprender a interagir vai ser o ponto-chave nesse novo período. “Vamos voltar a ter contatos, o que pode trazer um estranhamento no começo. Mas vamos vencer gradativamente o medo de estar com o próximo e a respeitar o tempo de cada um. A diferença é que as pessoas passaram a entender que a mente é um fator fundamental e que a terapia pode ajudar nessa evolução”, afirma o especialista.

Para encarar essas situações de forma mais tranquila, para continuar com a ousadia, alegria  e ficar numa boa, identifique quais são seus medos e anseios. Converse com quem sentir que pode confiar e, caso precise de ajuda para passar por tudo isso, procure a Orientação Psicológica, uma Assistência da Youse que está na palma da sua mão. Que em 2022 você possa fazer um ano do seu jeito. Feliz 2022! #askforhelp