Entrevista: Wilson Fittipaldi é a própria história da F1 no Brasil

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No quarto episódio da série Livio Oricchio Entrevista, o jornalista conversa com uma figura que mistura sua própria história com a história da Fórmula 1 no Brasil: Wilson Fittipaldi. Wilson foi piloto, dono de equipe e construtor de carros de F1. Ele estreou nas pistas em 1972 e participou de 38 grandes prêmio. O automobilismo também é coisa de família: Wilson é irmão do bicampeão da categoria, Emerson Fittipaldi, e pai do também piloto Christian Fittipaldi.

Wilson Fittipaldi: “Naquela época, o piloto tinha que trabalhar muito mais”

Pra começo de conversa, Wilson Fittipaldi compara o nível de tecnologia e, consequentemente, a atuação dos pilotos na F1 dos anos 70 com as competições atuais. Algumas das principais diferenças que o ex-piloto observa são o desenvolvimento dos freios e a telemetria, além do uso do simulador como treinamento para as corridas.

“Naquela época, nós tínhamos mais ou menos 60% o piloto e 40% o carro como peso para você ter um resultado. Hoje em dia eu acho que esse peso está em 80% o carro e 20% o piloto”, comenta.

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Pilotos mais jovens e hiper preparados

A idade média dos pilotos que chegam à Fórmula 1 também mudou e diminuiu consideravelmente. Alguns exemplos são os pilotos Max Verstappen, que começou a competir com apenas 16 anos, e Charles Leclerc, que fez sua estreia com 21 anos de idade.

“Quando o piloto vai pro carro você já sabe no que ele é bom, no que ele é ruim e como ele pensa”, diz Wilson Fittipaldi sobre as academias – como Ferrari e Red Bull – que treinam jovens pilotos anos antes de entrarem para a F1. 

Atualmente, Fittipaldi também possui um projeto para desenvolver jovens corredores. A Fórmula Vee é uma categoria-escola que oferece cursos aos pilotos que começam no Kart. 

Equipe Fittipaldi na F1

A Escuderia Fittipaldi, fundada pelos irmãos Wilson e Emerson, competiu em um total de 104 GPs, de 1975 a 1982. Até hoje, o carro de F1 construído por Wilson foi o único projeto brasileiro a competir na categoria. Mas um dos motivos que levou ao encerramento da equipe foi a falta de patrocínio.

Analisando o passado, Wilson Fittipaldi mostra sua visão sobre ter uma equipe brasileira na F1. “Eu acho que se nós tivéssemos um patrocinador para isso, eu ficaria com a equipe com certeza absoluta. As coisas evoluem e você tem que evoluir com o tempo”, conta.