Pilotos dizem que GP da Hungria de F2 é uma prova de resistência

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Budapeste, Hungria – Quem conversa com os pilotos da F2 no paddock do Circuito Hungaroring ouve quase sempre a mesma coisa, como sua primeira preocupação no evento do GP da Hungria: “Tentar receber a bandeirada”. Isso porque as duas corridas da F2 em Budapeste se caracterizam por importantes mudanças na classificação ao longo de suas desgastantes 37 voltas. No domingo a prova é mais curta, 28 voltas.

O GP da Hungria é o oitavo de um calendário com 12 etapas, último da primeira parte da temporada. Deixar uma boa impressão antes das férias de três semanas dos campeonatos da F1, F2 e F3 é sempre importante. Esse meio tem memória curta. “Voce vale o tanto quanto fez na última corrida”, repete com frequência Sebastian Vettel, da Ferrari, alemão quatro vezes campeão do mundo.

As três competições só voltam a se apresentar a partir do dia 30, com os primeiros treinos livres do GP da Bélgica, na pista mais amada pela maioria dos pilotos, Spa-Francorchamps.

Sérgio Sette Câmara, patrocinado pela Youse, piloto da equipe francesa DAMS, disse ter se preparado muito para as corridas do fim de semana. Nesta quinta-feira, por exemplo, demorou no chamado track walking com o seu engenheiro e o grupo de mecânicos que o assiste. Percorreram “analiticamente”, como definiu, os 4.381 metros, 14 curvas, no traçado húngaro. A maioria dos pilotos realiza essa prática.

Como Sérgio escreveu no depoimento enviado a Youse nesta quarta-feira, a DAMS veio para Budapeste com um desafio maior nas atribuições de praxe: reverter as dificuldades de 2018. Nesta quinta-feira, o piloto explicou que se referia à pouca competitividade do carro da DAMS na definição do grid, importante em Hungaroring, por conta da sua dificuldade de ultrapassagem.

O tailandês Alexander Albon, hoje titular da Toro Rosso na F1, piloto da DAMS na F2 em 2018, obteve apenas o 13º tempo na classificação. E o outro piloto da DAMS, o canadense Nicholas Latifi, no time, em 2019, pelo quarto ano, em 14º.

Já Sérgio foi muito bem na definição do grid: pole position com o carro da Carlin. No sábado, Sérgio não teve um ritmo tão bom na corrida, errou e terminou em sétimo. Albon foi quinto e Latifi abandonou. No domingo, Sérgio chegou no pódio, terceiro, enquanto Albon, quarto no grid, venceu. Latifi seguiu com um carro difícil e terminou somente em 16º.

A corrida do sábado vai começar as 5h10, e a do domingo, às 6h25, horários de Brasília.

Sérgio: “Esta é uma das pistas mais técnicas que conheço”.

Depois do track walking e da longa reunião com os engenheiros da DAMS, Sérgio deu o depoimento abaixo para a Youse.

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Sergio sobre o GP da Hungria

Olá, amigos.

Você está acostumado a me ver e ouvir nas quintas-feiras, pois gravo um vídeo para falar sobre a competição do fim de semana. Desta vez transformei nosso encontro visual em um texto. A razão é a proibição de gravar vídeos dentro do autódromo do GP da Hungria, mesmo que apareça apenas a imagem do caminhão da DAMS, nada de F1, por exemplo.

Mas no domingo já está organizado: assim que sair da pista para ir embora, fora do circuito, gravo um vídeo para contar como fui nas duas corridas. Aí ninguém poderá falar nada.

Bem, é isso, se você leu o que escrevi ontem, vamos começar o treino livre nesta sexta-feira com um acerto diferente do usado pela DAMS em 2018. Estou confiante. O Nicholas, meu companheiro, estava na equipe no ano passado e também expressou seu otimismo depois de trabalhar no simulador na sede da DAMS em Le Mans, na França.

Conseguimos estender a vida útil dos pneus, sempre um problema aqui. Os pneus não tem tempo para respirar, estamos sempre em curva. Superaquecem com facilidade e, claro, a degradação aumenta.

No simulador, dispomos da pista que iremos correr e inserimos no computador os dados do acerto do nosso carro. As suas reações são compatíveis com esse acerto. Se você muda a carga do amortecedor, por exemplo, sentimos na simulação de volta que fazemos. Nossa perspectiva de sermos competitivos aqui como na última corrida, por exemplo, vem daí.

Estudamos os vídeos das corridas da F2 nos anos anteriores nesta pista. Amigos, acontece de tudo. Ganha quem consegue estabelecer um bom ritmo e, principalmente, não se envolve em acidentes, não erra, faz o pit stop na hora mais apropriada, consegue uma condição favorável para ultrapassar, algo difícil aqui, dentre outras ações que têm de dar certo para você obter um grande resultado no GP da Hungria. Na F1 é a mesma coisa, veja os vídeos dos anos anteriores.

Outra coisa que gostaria de contar para vocês é que esta é uma das pistas mais técnicas que conheço. E gosto. Há uma sequência de curvas, não rápidas, uma colada a outra, em que para você ser rápido é preciso acertar todas. Há um grande compromisso entre elas.

Se você comete um pequeno erro na freada na curva 6, por exemplo, ou acelera demais na saída da 7, 8, a volta está perdida. Não existe onde você tentar recuperar alguns milésimos de segundo. Acredite: é preciso ser muito preciso em Hungaroring. É por isso que fiquei tão contente com a minha pole no ano passado. O maior prazer foi comigo mesmo, ter vencido esse desafio da precisão.

Na corrida, senti na pele o que sempre ouvia deste GP, as variáveis se multiplicam. Lembro de ter saído do carro, depois da corrida, e precisar de longos minutos para me recompor. Imagine que larguei na pole e acabei em sétimo. No domingo as coisas fluíram melhor. Larguei em segundo e recebi a bandeirada em terceiro. Não tinha carro para partir para cima, como fiz este ano na Áustria e venci.

Não quero fazer planos para o campeonato. Vou dar tudo de mim e depois da corrida do domingo ver as contas. Se cumprir o meu planejado, levar para casa 30 pontos, vou reduzir a diferença para o Nyck e o Nicholas (o holandês Nyck de Vries, da ART, lidera a F2 com 170 pontos, seguido por Latifi, 130, o italiano Luca Ghiotto, da UNI-Virtuosi, 122, e Sérgio, 121.

Bom fim de semana a todos e desejem o mesmo para mim. Nos falamos amanhã depois da classificação, no sábado, em seguida à primeira corrida, e no domingo, com o vídeo que enviarei. Abraços.