Carro da DAMS tem problemas e Sérgio só consegue o 13º tempo

Sérgio Sette Câmara está na Hungria e, com a chuva, teve problemas no carro e só alcançou o 13º tempo no grid. Veja o que Sérgio disse em depoimento!

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Budapeste, Hungria – Nem nos seus pesadelos Sérgio Sette Câmara imaginou obter apenas o 13º tempo na sessão de classificação para a primeira corrida do GP da Hungria de F2, realizada nesta sexta-feira no Circuito Hungaroring, em Budapeste. A chuva durante toda a definição do grid e o carro da DAMS tiveram papel preponderante no resultado.

O líder do campeonato, o holandês Nyck de Vries, da ART, estabeleceu o excelente tempo de 1min49s809, à média de 143,6 km/h no molhado, para a pista de 4.381 metros, 14 curvas, a maior parte de baixa velocidade.

Ao seu lado vai largar o italiano Luca Ghiotto, da UNI-Virtuosi, 227 milésimos atrás, terceiro na temporada, 52 pontos atrás de Vries (174 a 122). E o segundo na tabela, Nicholas Latifi, companheiro de Sérgio na DAMS, com 139 pontos, ficou em terceiro nesta sexta-feira, a 769 milésimos de Vries.

Sérgio: “Meu carro não tinha aderência alguma no molhado”.

O filho de Michael Schumacher, da Prema, disputa um ano difícil na F2, o seu primeiro na categoria, tendo somado pontos em somente cinco das 14 corridas já disputadas. Nesta sexta-feira ele conseguiu um bom quarto tempo para a primeira corrida neste sábado, a 939 milésimos De Vries.

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As diferenças entre os pilotos mostram como as condições do asfalto e de visibilidade interferiram na competição. Na sessão livre da manhã, com pista seca, Vries foi também o mais rápido, mas a partir daí a classificação seguiu curso bem diferente da verificada à tarde. Sérgio ficou em sétimo e Ghiotto em oitavo, com Latifi apenas em 12º. A previsão meteorológica indica uma possibilidade pequena de chuva neste sábado ao longo das 37 voltas da primeira corrida, com largada às 10h10 na Hungria, 5h10 em Brasília.

Carro da DAMS ficou dois segundos atrás

Em seguida à decepção por não obter o resultado possível e esperado para a definição do grid, Sérgio deu o depoimento abaixo para a Youse.

Olá, amigos.

Ainda estou tentando entender o que aconteceu. Se você observar a diferença entre o meu tempo e o do Vries, o pole, estamos falando de dois segundos. Não é real. Sinal de algo errado. E nós na DAMS não sabemos o que fez meu carro não ter aderência alguma na classificação. Não sentia o carro da DAMS, não há como acelerar nessa condição.

O carro fica no parque fechado depois do treino. Na reunião que fizemos não dispomos dos dados de telemetria. Vamos verificar tudo, entender o que gerou o meu carro ter reagido tão mal à mudança de aderência no asfalto, causada pela chuva. O meu companheiro não teve os meus problemas e ficou em terceiro.

Posso até ter alguma responsabilidade no ocorrido hoje, vamos estudar, mas não para justificar ser dois segundos mais lento que o pole e um segundo e três décimos do Nicholas. De repente a altura do assoalho, a carga dos amortecedores, a pressão dos pneus, coisas desse tipo equivocadas provocam comportamentos como o do meu carro hoje.

O bom é que, diferentemente da F1, podemos mexer à vontade no acerto do carro da DAMS entre a sessão de classificação e a corrida. E trabalhamos mais com a possibilidade de pista seca amanhã. Nosso ritmo sem chuva, o do meu carro pelo menos, foi bem melhor de manhã.

No ano passado, o Albon (Alexander Albon, titular da Toro Rosso-Honda da F1) estava na DAMS. Ele largou exatamente em 13º, como será comigo amanhã, e terminou a primeira corrida em quinto. Ao largar em quarto na segunda, por causa do grid invertido, Albon venceu no domingo. Como estou na mesma equipe e a previsão é de corrermos no seco amanhã e domingo, estou mirando fazer algo semelhante a partir de agora no fim de semana.

Quanto ao campeonato, conversamos no domingo, depois da segunda corrida. Como escrevi aqui esta semana, as duas provas aqui na Hungria são de resistência, o desafio é não se envolver em nenhum incidente. Isso acontece principalmente porque é muito difícil ultrapassar, as retas são curtas e as curvas muito próximas umas das outras.

Esse cenário é perfeito para o contato entre os pilotos. Às vezes você tem um carro bem mais rápido e não consegue ultrapassar, perde voltas e voltas atrás de um piloto lento, joga fora a chance de crescer bastante na classificação, como aconteceu comigo na corrida do domingo em Silverstone (Sérgio não conseguiu ultrapassar o americano Juan Manuel Correa, da Sauber Junior, a prova inteira. No fim, acabou tocando na sua traseira e danificou o aerofólio dianteiro).

Voltando ao que falei, o acerto do meu carro na classificação não será o que estará nele neste sábado, seja no seco ou no molhado, daí eu estar confiante em, como o Albon, em 2018, sair daqui da Hungria com um bom número de pontos no bolso. Nos falamos amanhã, depois da primeira corrida. Vou contar para vocês o que descobrimos no meu carro e que justificou ser tão lento na pista molhada. Abraços.