Planos de Sérgio de estrear na F1, em 2020, entram na reta final

• por

Nice, França – Enquanto os pilotos da F1 viajam a Alemanha, esta semana, para disputar a 11ª etapa do campeonato, os da F2 vão se manter concentrados nas sedes de suas equipes se preparando para a oitava prova do calendário, de 2 a 4 de agosto, em Budapeste, na Hungria. A F2 não faz parte do programa do GP da Alemanha de F1, realizado em Hockenheim, de 26 a 28.

Sérgio Sette Câmara, patrocinado pela Youse, da escuderia DAMS, assim como os demais 19 pilotos do grid da F2, sonha em chegar a F1. Para isso Sérgio e seus colegas precisam mostrar na F2 de serem capazes de enfrentar os imensos desafios da F1 e crescer na competição, obter os resultados que os times e seus patrocinadores esperam dele.

A FIA exige que os pilotos tenham um bom retrospecto nas categorias onde passaram antes de ser aspirante à titular na F1, por isso instituiu o critério de carteira de pontos. Quem se classifica ao final das 12 etapas da F2 entre os três primeiros, por exemplo, recebe os 40 pontos impostos pela FIA para a emissão da superlicença, documento que autoriza o piloto a disputar a F1.

Saiba +: Quarto lugar, em Silverstone, ficou abaixo das expectativas de Sérgio
Saiba +: Domingo difícil para Sérgio em Silverstone. Saiu da pista e terminou apenas em 17º

Mas não é só isso. Além de evidenciar ter talento para poder fazer sucesso na F1, os pilotos da F2 precisam que existam vagas nas somente dez equipes da F1. Ou, ainda mais difícil,  sejam tão competentes que vale a pena para os chefes da F1 substituir um dos seus pilotos que lá estão por esse que parece ter dotes muito acima da média.

É preciso colocar nessa balança, também, que a maioria dos times de F1 precisa que o piloto leve importante soma de patrocínio, pois seus orçamentos não lhe permitem apenas contratar um piloto e ainda lhe pagar um salário. Estamos falando de algo como 15 milhões de euros por temporada, cerca de R$ 65 milhões. É muito dinheiro.

Esse é o cenário em que Sérgio se encontra neste instante. Na classificação da F2, ocupa a quarta colocação, com 121 pontos, um a menos do terceiro, o italiano Luca Ghiotto, da UNI-Virtuosi. O líder do campeonato é o holandês Nicky de Vries, da ART, com 170 pontos, seguido do companheiro de Sérgio na DAMS, o canadense Nicholas Latifi, com 139.

Sérgio sobre ir para a F1

Sérgio: “Tenho consciência de que preciso ganhar ainda mais corridas na F2”.

Para falar do seu momento, Sérgio deu o depoimento abaixo para a Youse. Ele tem mais cinco GPs da F2 para atender aos pré-requisitos cobrados pela F1 para ser candidato a titular em 2020. São eles, depois da Hungria: Bélgica, Itália, Rússia e Abu Dhabi.

Olá, amigos.

Em termos de obter a superlicença, a primeira questão a atender para quem deseja correr na F1, estou relativamente tranquilo. Eu já tenho 10 pontos, por ter sido sexto na F2 no ano passado, na Carlin. Você precisa somar 40 pontos em três anos. Se eu terminar o atual campeonato da F2 em quarto, vou atingir os 40 pontos que me dão a superlicença.

Obviamente tenho consciência de que terminar o ano em quarto e obter a superlicença não me garantem nada na F1. O pessoal olha quem demonstra que pode sentar em um carro de F1 e acelerar para valer, traga bons pontos para casa. E em 2020 deverão sobrar uma ou no máximo duas vagas na F1.

Sei que preciso repetir mais vezes o que fiz no domingo na Áustria, largar entre os primeiros, ultrapassar os adversários e ganhar a corrida. O que tenho de fazer também é o que fiz no Circuito Paul Ricard, na França, ao estabelecer a pole position. No mínimo preciso chegar no pódio direto, mais das cinco vezes que consegui este ano.

Obviamente, é necessário entender que o automobilismo, em especial nesse nível, F2, não é como o tênis, em que você tem o atleta, a raquete, a bolinha e a quadra. O tenista depende, claro, das condições disponíveis para treinar, do valor da sua orientação, mas no fundo a responsabilidade pela conquista de resultados é sua, não depende de um equipamento, como nós, os complexos monopostos da F2 e seus pneus nem sempre fáceis de serem entendidos.

Mas concordo que ainda assim a peso do piloto nas conquistas é grande.

Carro e equipe muito distintos

Este ano, comecei bem o campeonato, com dois pódios, por conta do maior avanço da minha equipe no início, porém depois não me encontrei mais com o carro até o GP de Mônaco, o quarto do ano, quando regressei ao pódio. As diferenças no acerto do carro para o que estava acostumado na Carlin, em 2018, eram brutais.

Eu e meu engenheiro, o Damien (Damien Augier), trabalhamos muito para trazer o acerto mais para o seu estilo. A vitória em Spielberg (Áustria), no mês passado, foi o resultado dessa melhora. Acredito que as atividades exercidas no simulador de F1 da McLaren estejam também ajudando.

Na Inglaterra, nosso último GP, me preocupei em economizar demais os pneus, no sábado, mas a degração foi pequena e sobrou pneu no fim para todo mundo, acabei apenas em quarto.

No domingo, cometi um erro, por motivo oposto do sábado, fui agressivo demais, saí da pista ainda na primeira volta, caí lá para trás e ao regressar ao asfalto, depois de algumas ultrapassagens, encontrei pela frente um piloto que jogou sujo o tempo todo, se preocupou exclusivamente em me manter atrás dele, não com a sua corrida. Mesmo com um carro mais rápido que o dele, não consegui ultrapassá-lo (o equatoriano/americano Juan Manuel Correa, da Sauber Junior).

Sinto uma combinação de emoções em relação às próximas duas etapas, na Hungria e depois, na volta das férias, na Bélgica. Explico: na Hungria, no ano passado, larguei na pole position, e na Bélgica, em 2017, na carinhosa e modesta equipe Motorsport, venci a corrida do domingo.

Mas, ao mesmo tempo, meu time atual não foi bem nesses dois GPs no ano passado e o carro e os pneus, nesta temporada, são exatamente os mesmos de 2018. Estamos trabalhando duro na sede da DAMS, em Le Mans, para começarmos os treinos em Budapeste e Spa-Francorchamps com um acerto bem diferente.

Não sabemos, portanto, como será nossa participação nessas pistas. Adoro as duas, como os meus resultados atestam. Mas dependo também, como escrevi, da eficiência do equipamento. A minha parte será feita com o mesmo interesse afinco de sempre. Até a próxima, amigos.