Sérgio se despede da temporada com outro ótimo pódio, depois de largar em 8º

Piloto não esperava tanto no Yas Marina: “Imaginava que seria um dos meus piores fins de semana na F2”.

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Imagem © 2019 Sebastiaan Rozendaal / Dutch Photo Agency

Nem Sérgio Sette Câmara, patrocinado pela Youse, soube explicar, em Abu Dhabi, a extraordinária sequência de resultados conquistados neste fim de semana, último do campeonato da F2. Neste domingo o piloto da equipe DAMS recebeu a bandeirada na terceira colocação, depois de largar em oitavo. Fez várias ultrapassagens. No sábado, começou na pole position e obteve grande vitória.

O fato é que a temporada não poderia ter terminado melhor para esse mineiro de 21 anos, considerando-se as dificuldades em várias provas do calendário. Já na primeira corrida no Circuito Yas Marina, sábado, os 25 pontos do primeiro lugar somados aos 4 da pole position lhe garantiram no mínimo o quarto lugar na classificação, suficiente para ter o direito à superlicença, documento emitido pela FIA que o autoriza a disputar a F1.

Neste domingo, a meta era manter o terceiro lugar no campeonato alcançado no sábado, mas o italiano Luca Ghiotto, da UNI-Virtuosi, se aproveitou do critério do grid invertido para largar em terceiro e vencer. Foi sexto no sábado. Por ter vencido sábado, Sérgio largou neste domingo em oitavo, correu com a faca entre os dentes e chegou em terceiro.

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Nicholas Latifi, companheiro de Sérgio na DAMS, também não desperdiçou a chance do segundo lugar no grid, neste domingo, por ter sido sétimo sábado, para terminar a prova em segundo. Esses dois resultados, a vitória de Ghiotto e a segunda colocação de Latifi, mesmo com Sérgio em terceiro, permitiram que ambos mantivessem suas posições antes de a F2 chegar nos Emirados Árabes Unidos: Latifi vice-campeão e Ghiotto, terceiro.

Depois de 12 etapas, 11 disputadas, o holandês Nyck de Vries, da ART, foi o campeão, com 266 pontos, Latifi, vice, 214, Ghiotto, terceiro, 207, e Sérgio quarto, 204.

Sérgio supera as próprias expectativas

Piloto não esperava tanto no Yas Marina: “Imaginava que seria um dos meus piores fins de semana na F2”.

Logo em seguida à celebração da DAMS pelo duplo pódio neste domingo e o título entre as equipes, garantido pela vitória de Sérgio no sábado, o brasileiro deu o depoimento abaixo para a Youse:

Olá amigos.

Eu não sei o que falar, é simplesmente assim, vejo um pouco de mistério nisso tudo (ter somado tantos pontos no GP de Ab Dhabi). Na realidade é uma pena, às vezes você não sabe as razões de estar rápido ou mesmo não estar. Para ser sincero com vocês, eu me sinto desapontado. Obviamente eu prefiro quando as coisas fluem como neste fim de semana, mas por outro lado esse sucesso me faz sentir até mal.

Assim que eu cruzei a linha de chegada hoje, tive uma agradável sensação por um curto período de tempo, mas logo em seguida senti tristeza. Perguntei a mim mesmo por que não é sempre assim, o ano todo. É estranho. Ok, faz parte do automobilismo. Se você quer se sentir contente o tempo todo então tem de praticar outro esporte (estou rindo).

É díficil julgar tudo o que falei. Eu me limitei apenas a pilotar o meu carro, talvez eu estivesse em completa sintonia com ele, não sei. Sempre há diferenças (entre o desempenho dos carros), por vezes grandes, mesmo a F2 sendo monomarca de tudo, chassi, motor, pneus. Mas cada equipe trabalha de uma forma, há grande margem de ajustes para o carro e há coisas que acontecem que não temos uma completa explicação.

Aqui, por exemplo, tenho certeza de que se meu carro não era o mais rápido no mínimo estava dentre eles, o que eu não esperava. Nos testes que fiz com a DAMS aqui no ano passado não fui rápido. O acerto básico do time era muito diferente do que adotamos na Carlin, minha escuderia em 2018. Imagine que eu esperava que este fim de semana fosse ser um dos piores para mim. Mas foi o melhor. Como explicar?

O que tenho a fazer é agradecer a todos que trabalharam para mudar essa expectativa. Eu encarei Nyck (Vries), Nicholas (Latifi), Luca (Ghiotto), o que não esperava. Estive perto de obter o máximo possível em um fim de semana, 48 pontos. Obtive 39, algo raro na F2. Em alguns GPs eu achava possível algo semelhante e nada aconteceu. Vamos lá, foi uma ótima maneira de terminar a temporada, pena que muito tarde.

Como eu escrevi aqui, não tenho o meu futuro definido. O que sei é que estamos bem adiantados na negociação com a McLaren para seguir sendo o seu piloto nos testes de simulador. Bom aprendizado. Devo disputar a F2 mais um ano, lutar pelo título para, com a supelicença que conquistei este ano, me tornar piloto titular na F1 em 2021, o que seria ótimo, oportuno.

A F1 vai mudar muito em 2021, os carros vão gerar bem mais pressão aerodinâmica, seria algo relativamente novo para todos. É melhor do que chegar na F1 com os demais pilotos completamente habituados com as reações dos carros, como agora.

Amigos, obrigado por seguir de perto o meu trabalho nesta temporada e acompanhar meus desafios, acertos e erros narrados neste espaço de confidências. Até nos encontrarmos de novo. Espero que em breve. Grande abraço!