Sérgio Sette é pole em Abu Dhabi; superlicença para F1 fica mais próxima

No treino livre da manhã, Sérgio já havia dado mostra de estar muito rápido nos 5.554 metros, 21 curvas, da pista árabe, ao registrar o melhor tempo

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O fim de semana de Sérgio Sette Câmara, patrocinado pela Youse, na 12ª e última etapa da F2, em Abu Dhabi, não poderia ter começado de melhor maneira. O piloto mineiro de 21 anos, da equipe DAMS, estabeleceu a pole position na sessão de classificação disputada nesta sexta-feira no Circuito Yas Marina, a segunda dele na temporada.

No treino livre da manhã, Sérgio já havia dado mostra de estar muito rápido nos 5.554 metros, 21 curvas, da pista árabe, ao registrar o melhor tempo. Na sessão da tarde, Sérgio confirmou sua adaptação e a do Dallara-Mecachrome da DAMS ao traçado localizado no deserto ao fazer 1min49s751. Ao seu lado, na primeira fila do grid na primeira corrida da F2 largará Callum Ilott, da Sauber Júnior, com uma marca 89 milésimos pior que a de Sérgio Sette.

Outra boa notícia para o brasileiro que tenta garantir no fim de semana a superlicença, documento emitido pela FIA que o permitiria disputar a F1, é a colocação do piloto que lhe pode “roubá-la”, o inglês/coreano Jack Aitken, da Campos. Ele começa a prova na oitava colocação.

A pole já deu a Sérgio Sette 4 pontos. Com isso, ele amplia de 6 para 10 pontos a diferença que o separa de Aitken. Sérgio, quarto no campeonato, soma 169 e o adversário, quinto, 159. Se o mineiro mantiver-se em quarto na classificação geral, já receberá a superlicença.

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Chance de Sérgio Sette terminar em terceiro

Mas ele pode com esse resultado avançar na colocação final da temporada. O terceiro na F2 é o italiano Luca Ghiotto, da UNI-Virtuosi, com 184 pontos, mas que largará neste sábado em 11º. Sérgio está 15 pontos atrás do italiano. Já o desafio de Ghiotto de terminar como vice-campeão ficou um pouco mais difícil com a má classificação e o sétimo lugar no grid do canadense Nicholas Latifi, companheiro de Sergio, segundo no campeonato, com 194 pontos, 10 a mais que Ghiotto.

Depois de Sérgio Sette e Ilott, o grid terá o suíço Louis Deletraz, da Carlin, em terceiro, o seu parceiro, o japonês Nobuharo Matsushita, quarto, o chinês Guanyu Zhou, da UNI-Virtuosi, quinto, e o holandês Nyck de Vries, ART, campeão este ano da F2, sexto.

A largada da primeira corrida do GP de Abu Dhabi começa, neste sábado, às 11h45, horário de Brasília, e terá 31 voltas.

Só lembrando, o grid da segunda corrida, no domingo, mais curta, com 22 voltas, é formado pela classificação invertida entre os oito primeiros no sábado. O vencedor na primeira corrida larga em oitavo, o segundo colocado, em sétimo, o terceiro, em sexto, e assim por diante. Do nono para trás as colocações são mantidas.

Objetivo de Sérgio Sette é não depender da corrida do domingo para garantir a superlicença

Em seguida a estabelecer a segunda pole position do ano – a outra foi no GP da França -, Sérgio Sette enviou o depoimento abaixo para a Youse:

Olá amigos.

Eu já li, em mais de uma ocasião, acho que foi Juan Manuel Fangio quem disse, e com toda razão, que as corridas terminam mesmo na bandeirada. Portanto, a pole que consegui hoje aqui nos Emirados Árabes Unidos só me deu importantíssimos quatro pontos e o direito de sair da posição de honra no grid.

O que de fato mais me interessa é abrir amanhã maior diferença de pontos do Aitken, oitavo no grid, para ir para a corrida do domingo com alguma reserva a fim de me manter em quarto no campeonato.

Óbvio, nós pilotos temos instintos, se surgir a oportunidade e não tiver de correr riscos desnecessários para ultrapassar o Ghiotto e terminar o campeonato em terceiro, em vez de quarto, claro que vou tentar.

Falando da classificação em si, eu e os engenheiros da DAMS adotamos a estratégia clássica, de conseguir um bom tempo com o primeiro jogo de pneus, mexer alguma coisinha no carro e sair para o segundo jogo, no fim da sessão, exigindo tudo e mais um pouco. Percebi desde o treino livre da manhã que nosso acerto para a pista havia deixado o carro rápido e equilibrado. Foi muito prazeroso pilotá-lo aqui hoje.

Bandeira amarela não foi decisiva

Não vale dizer que fiz a pole porque um piloto rodou no setor intermediário da pista, deram a bandeira amarela (o indonésio Sean Gelael, da Prema) e quem vinha atrás não teve como melhorar seu tempo. Não vale em razão de os pilotos mais rápidos já terem passado por aquele ponto, não interferindo no que poderiam fazer. Foi uma pole garantida na pista, junto dos demais candidatos que vão lutar, espero, pela vitória comigo neste sábado.

Pelo nosso horário, aqui, a largada será às 18h45, começamos com o asfalto dentro de uma faixa de temperatura e depois ela cai bastante, com a chegada da noite. A aderência vai diminuido, às vezes rápido. Mas acredito que temos um acerto para o nosso carro que permitirá não ser muito afetado por essa característica da prova aqui no Yas Marina.

Nos encontramos, agora, amanhã, para falar como foi a minha primeira corrida. Como escrevi outro dia para vocês, a minha meta neste fim de temporada é regressar a Europa e ir a Paris retirar a minha superlicença. Isso deverá abrir algumas portas para mim na F1. Abraços.